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Rolles Gracie quarta-feira, 27 de maio de 2009 - 17:44:49 Por Marcelo Alonso

Logo na sua segunda luta profissional de MMA, Rolles Gracie, filho da lenda Rolls Gracie, foi a grande estrela do Art of War 12, que realizou um mega evento em Pequim, na China. Fazendo jus ao sobrenome, o Gracie mostrou que o chão é a sua praia, finalizando o russo Baga Agaev com um justo mata-leão. Após a vitória, que foi acompanhada de perto por ícones da luta como Rickson, Royler, Royce, Werdum, Demian, Shaolin e Thales, o faixa-preta conversou com a TATAME sobre a emoção da vitória. Confira abaixo o bate-papo com Roller, que falou sobre sua vida nos Estados Unidos, os objetivos na carreira e muito mais.

 

Essa foi sua primeira luta de MMA?

 

Esse é o meu segundo, eu lutei outro há um ano e meio atrás, e passei esse tempo dando bastante aula, focando na academia pra competir o Pan-Americano sem quimono, mas esse ano está tudo arrumado pra eu lutar pelo menos mais duas vezes... Vai ser bom.

 

É verdade que você é mais alto do que o Roger? Qual sua altura e peso?

 

É, eu sou um pouquinho mais alto do que o Roger, e pesei 113kg para o evento. Eu tenho 1,95m.

 

Como foi a sua primeira experiência no MMA?

 

Eu estava bem tranquilo. Apesar de ter pouca experiência no MMA, eu já estou convivendo no meio da luta faz tempo, competindo no Jiu-Jitsu. Eu estava bem treinado e isso me deixa confiante... Quando você entra e sabe que não treinou o suficiente, você fica preocupado pensando “será que eu não devia ter treinado mais?”, mas como eu vim treinando o ano todo...

 

Você chegou a ver algum vídeo do seu adversário? Quando você soube da luta, quanto tempo você teve pra treinar?

 

Eu tive praticamente três semanas para treinar, mas eu já vinha treinando porque era pra eu ter lutado em abril, só que eu dei uma machucadinha no joelho e achei melhor dar uma adiada, aí pintou essa oportunidade. Eu estava na casa do Renzo e perguntei se eu poderia lutar o evento, mas não como convidado, disse que queria ir lá pra lutar, aí fiz o contato e surgiu.

 

Você nunca teve muito contato com o seu pai, porque era muito pequeno... Você sente muita pressão por ser filho de uma lenda?

 

Não sinto pressão por causa do meu pai e sim porque eu me cobro e quero ganhar, e a pressão é normal para qualquer atleta que está ali e quer ganhar e estar nas cabeças, e não estar ali pra fazer número.

 

Qual o seu sonho, você sonha em lutar o UFC?

 

Nós estamos organizados, com um manager focado para arrumar as lutas pra gente e quero lutar nas melhores organizações, UFC, Japão, tudo.

 

Tem algum cara especial que você queira enfrentar?

 

Cara, eu quero chegar nas cabeças, estou treinando bastante e quero ganhar o cinturão de uma organização grande. Não busco ninguém especifico, mas quem estiver no caminho...

 

Você vai lutar o ADCC?

 

Sim, já estou fechado, já é certo. Esse ano devo fazer mais duas lutas de MMA e o ADCC... Vai estar corrido até o final do ano.

 

Depois de você ter ganhado o prêmio, o Rickson falou alguma coisa para você?

 

Foi legal... Dois ou três dias antes da luta nós fomos para a academia, fizemos umas posições, ficamos juntos, ele mostrou a visão dele, foi bastante legal, porque eu tinha falado que, quando era mais novo, com uns 14 ou 15 anos, eu tive uma aulinha com ele, onde me mostrou um jeito de defender a chave de braço que eu uso até hoje. Falei isso pra ele, as coisas que ele me mostrou eu faço até hoje, gostei bastante da experiência com a família, Royler, Royce.

 

Você está morando aonde? Como está a sua vida?

 

Eu estava morando em Nova Iorque, agora me mudei pra fora de lá, e a gente abriu uma academia nova. A academia é de cair o queixo, tem tudo lá que precisamos pra treinar.

 

Tem alguma modalidade que você treine mais do que o Jiu-Jitsu?

 

Antes de eu começar a lutar MMA, eu sempre gostei de treinar em pé as quedas, um Judô, Wrestling. Eu gosto de treinar tudo, soco, chute, mas o que eu mais treino é o Jiu-Jitsu mesmo, que eu treino praticamente todo dia, junto com outras modalidades. Eu acredito muito no Jiu-Jitsu, que pra mim é a espinha dorsal do MMA. Um cara que não sabe Jiu-Jitsu não vai sobreviver muito tempo no MMA.

 

Como você definiria a importância do seu pai no Jiu-Jitsu?

 

O que eu ouço meus tios e meus primos mais velhos falarem é que ele foi praticamente uma ponte do Jiu-Jitsu antigo para o Jiu-Jitsu novo, tornando a modalidade mais agressiva. Antigamente era mais uma luta de defesa e ele começou a ver a parte mais ofensiva e começou a lutar pra pegar, pra matar rápido. Quando ele faleceu, eu tinha 4 anos e o Igor estava com 2. Eu tenho bastantes lembranças dele, lembro dele pegando a gente, levando no Parque da Cidade, no Rio, pra academia, botando para rolar no tatame, brincando... Eu era muito criança, mas tive um bom contato.

 

Quem é seu ídolo no Jiu-Jitsu e no MMA?

 

Meus tios, meus primos e, sempre quando eu era criança, diferente de outros meninos que queriam ser jogador de futebol, bombeiro, eu queria ser igual aos meus tios. Eles eram os meus ídolos e eu nunca me vi fazendo nada diferente. Meus amigos tentaram me convencer a fazer faculdade e eu dizia que não, que minha faculdade já estava engatilhada.

 

Agora você está com 30 anos. Quando você estava com 15, o Royce estava começando a arrebentar...

 

É... Não só a parte de MMA, mas eu já sabia que ia acabar me envolvendo com a parte de Jiu-Jitsu.

 

E o que você achou do evento em si, do MMA chegando na China?

 

Eu acho é que vai explodir, porque a China é um mercado muito grande, sul da Ásia também... Os caras falaram que vão passar esse evento na TV depois para uns 300 milhões de pessoas, praticamente a população dos EUA. Depois, devem levar esse evento para Cingapura, Hong Kong, Xangai... Eles têm um programa de TV todo domingo, começaram com uma hora, agora eles tem MMA o dia inteiro no final de semana. Tem tudo pra explodir. O evento está muito bem organizadinho, a produção está legal, o card também, as lutas foram bem casadas, equilibradas, é claro que está começando...


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