Vendo sua seqüência de vitórias ser quebrada justamente na disputa de cinturão, contra Anderson Silva, Thales Leites já voltou aos treinos para seu próximo desafio. Escalado para o UFC 101, contra Alessio Sakara, o atleta da Nova União espera lavar a alma e voltar às vitórias. Em conversa com a TATAME, Thales falou sobre a luta contra Sakara, o aprendizado da derrota para Anderson, os próximos confrontos da sua categoria e a viagem para a China, ao lado de grandes nomes do MMA.
Como estão os treinos para sua volta ao UFC?
Já voltei aos treinos devagarzinho, vou crescendo gradativamente. Começamos a fazer a preparação física já. Como a minha última luta eu treinei bastante e foi com um peso maior, tirei um tempo de descanso, mas já voltei a treinar.
O que você está esperando da luta contra o Sakara?
Todos os caras que lutei são strikers, mas, independente disso, a minha estratégia é sempre levar a luta onde me sinto confortável, que é a luta de solo. Vou sempre buscar isso, não importa quem seja meu adversário. Estou treinando bastante a minha trocação e Wrestling e a cada hora me sinto mais confortável, mas a trocação é aquele lance, é loteria, por mais que o cara seja excelente, uma hora ele pode ser nocauteado.
Você está substituindo o Rousimar “Toquinho”, que inicialmente seria o adversário do Sakara, mas sofreu uma fratura na tíbia e não poderá lutar. Você chegou a conversar com ele?
Não falei com ele, mas soube da lesão. Infelizmente, essa é uma situação chata, já passei por isso. Já quebrei a mão quando tinha luta marcada, parece que sai o chão debaixo de você, fica triste, mas no final tudo dá certo, é só ter força de vontade para voltar logo à ativa. Desejo tudo de melhor para ele e uma rápida recuperação.
O que ficou de aprendizado da sua derrota para o Anderson?
Ninguém gosta de perder, mas eu tiro tudo como aprendizado, Todo meu treino, tudo. Uma coisa que aprendi e não quero repetir de jeito nenhum é o jeito que me comportei na luta, não quero repetir isso nenhuma outra vez na minha vida. Fiquei travado, podia ter dado de mim. Não tenho o que falar do Anderson, ele é excelente, mas eu queria ter brigado mais, me poupei muito e acabou o tempo. Preferia ter ido pra dentro o tempo todo para ganhar ou perder, não interessa ser nocauteado, mas dar o meu máximo. Esse é o maior aprendizado para mim. Sempre busquei a luta, a finalização, lutei pra frente, e é isso o que eu vou fazer, vou pra cima o tempo todo. Não consegui me comportar dessa maneira, mas foi um grande aprendizado.
Para a luta contra o Anderson, você fez um treinamento diferente. Você vai manter esse treino?
Vou manter, com certeza. O Sakara é um adversário duro, com a mão pesada, um Boxer, e vou continuar fazendo o meu treino com a galera pesada, puxando o gás para chegar lá bem. O trabalho já começou a ser feito, vai ser ótimo.
Como você acha que vai ser a próxima luta do Anderson, contra o Forrest Griffin?
Olha, é muito difícil falar de uma luta que não aconteceu, mas ele tem totais condições. O Griffin é um cara muito bom, tem um coração grande, vai pra dentro o tempo todo, sempre faz lutas empolgantes, mas acho o Anderson mais técnico, trabalha bem. Eu acho que dá Anderson nessa luta, mas de qualquer maneira vai ser um lutão.
A sua categoria acabou de receber gente “nova”. O que você achou da mudança de categoria do Wanderlei Silva?
Ele é novo pro nosso peso, mas ele é um casca-grossa, luta há muito tempo e é ídolo de muita gente. Todo mundo gosta de ver o Wanderlei lutar, não tem nem o que dizer dele. Ele é fenomenal e é mais um casca-grossa vindo pro peso. Se eu vier a lutar com ele vai ser uma honra, seria maneiro. Ele sempre vai chegando nas cabeças, porque ele é luta dura para qualquer um, independente do peso. Ele vai para nocautear, é “cachorro louco” mesmo.
Como foi a viagem para a China com o Demian, Werdum, Shaolin e outros lutadores?
A viagem foi 10, muito maneira. Eu já fui no vôo com o Demian e isso é uma parada maneira. Independente de lutarmos no mesmo evento e na mesma categoria, mostramos que não tem essa rixa. Ficamos eu, ele, Werdum, Shaolin, Marcelo Alonso, Libório... Vou lutar com um cara que é da academia do Libório (ATT) e ficamos juntos, sem malícia nenhuma, como se estivéssemos viajando no carnaval com os amigos. É legal, você conhece o outro lado da pessoa, sem ser o atleta. Eu já conhecia o Libório, Werdum e Demian, mas nunca tinha viajado com eles, só com o Werdum. E é aquela parada, se tiver que lutar, é uma coisa profissional. A viagem foi muito maneira, ficamos rindo das histórias... O Alonso é uma enciclopédia de histórias, o Werdum é engraçado pra caramba, não tem nem o que falar.