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Yoshizo Machida sexta-feira, 05 de junho de 2009 - 07:06:01 Por Guilherme Cruz

Se o jogo de Lyoto Machida parece indecifrável para os adversários, o grande responsável é Yoshizo Machida. Mestre e pai do carateca, o japonês é o homem por trás da preparação do campeão meio-pesado do UFC, invicto após 15 lutas. Em conversa com a TATAME, o Machidão falou sobre a luta contra Rashad Evans, no UFC 98, a emoção pela conquista e o grande desafio que vem pela frente, de continuar como o campeão do UFC. Confira abaixo o bate-papo exclusivo com o Mestre Machida.

 

Como foi a festa pela conquista no UFC?

 

É, fecharam o aeroporto, os bombeiros ficaram esperando a gente, o Lyoto andou em cima do caminhão dos bombeiros e ficamos rodando a cidade inteira, mas estava chovendo bastante. O avião atrasou quase 40 minutos e ficamos todos encharcados (risos). Mas o povo realmente torceu para nós, e ficamos agradecidos. Na segunda-feira, a prefeitura nos chamou para um café da manhã, disseram que gostaram bastante, porque foi o primeiro título mundial do Pará. O pessoal ficou muito alegre. O Lyoto, agora, está viajando. Ele foi para Brasília, depois vai para o Rio Grande do Norte, Ceará... Ele tem que descansar, porque ficou três meses com o treinamento muito apertado, então ele pegou a família e foi passear.

 

E o que você achou da luta? Você estava no córner?

 

O Shinzo fica orientando, mas eu também oriento um pouco, porque nosso programa é esse. Ele realmente treinou durante três meses, mas treinou principalmente o Caratê, bateu bastante saco, o makiwara, aquela tábua... Ele treina bastante fundamento, e acho que o sucesso é esse. Tudo o que usamos ali é golpe de Caratê, o chute, soco...

 

Nas últimas lutas, o Lyoto mostrou uma melhora muito grande na sua performance...

 

O soco dele melhorou, porque a gente contratou um professor de educação física para fazer levantamento de peso, essas coisas, e isso melhorou um pouco. Ele treinou bastante isso.

 

Qual era a estratégia para essa luta? Vocês imaginavam que ele ia querer lutar em pé, ao invés de tentar levar para o chão?

 

Eu imaginava, porque o Rashad não atacava, e o Lyoto também. Mas, no primeiro round, avaliamos o ritmo dele, estudamos a distancia, tudo. Depois, a partir do segundo, ele balançou o braço, o cotovelo pra trás, e a gente esperava isso para entrar. Tecnicamente, nós já estávamos preparados.

 

Como foi a emoção de ver o seu filho nocauteando o Rashad e levando o cinturão do UFC?

 

Agora é o mais difícil. Metade ficou alegre, metade tem que cuidar, porque temos que manter esse cinturão. Ele já está programado para treinar, porque acho que já está marcado para outubro na próxima luta, já está mais ou menos certo isso.

 

O próximo adversário deve ser o Shogun. Como você acha será a luta?

 

É um adversário muito bom, então é bom para o Lyoto. Pode ser contra qualquer pessoa, não ficamos preocupados com o adversário. Nosso treinamento é um pouco diferente do das outras pessoas, é mais concentração psicológica e a parte técnica. A maioria fica nervoso, ansioso, mas a gente fica calmo. Antes da luta, nos bastidores, a gente quase não treinava... O nosso treinamento é totalmente diferente.

 

Essa categoria é a mais movimentada no UFC, com o cinturão mudando de mão toda hora. Como manter o título por mais tempo?

 

O nosso estilo é diferente, você vê que a maioria é do KickBoxing, Jiu-Jitsu, e o nosso é realmente como o Caratê antigo, mostramos para eles o nosso Caratê. Se alguma coisa acontecer, tudo bem, a gente parte de novo do começo.

 

Essa conquista serviu, também, para colocar o Caratê de vez no MMA...

 

É... O pessoal de São Paulo e do Rio de Janeiro, que treinam comigo, ficaram elogiando o meu filho, que o caratê está voltando, porque tinha caído muito. A nossa equipe foi, inclusive, campeã brasileira, trouxemos 36 medalhas. Os dois lados foram um sucesso. A prefeitura nos chamou agora para criar um convenio de pessoas carentes, e isso vai melhorar bastante no Pará, trabalhando também com a secretária de Meio Ambiente e Turismo, porque aqui é realmente meio parado.


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