Mineiro de Ipatinga, Lúcio Linhares está pronto para estrear no UFC (107, dia 12 de dezembro) contra o conterrâneo Rousimar “Toquinho”, natural de Dores do Indaiá. Radicado na Finlândia, Lúcio venceu suas últimas cinco lutas por nocaute ou finalização no primeiro round, e vai com tudo para realizar um antigo sonho no octagon. “Quando comecei a treinar Jiu-Jitsu, um pouco antes do primeiro UFC, e assistia ao Royce Gracie dominando todo mundo, jamais poderia imaginar que um dia lutaria naquele octagon”, revelou o casca-grossa, comentando a expectativa para a estreia e muito mais.
Como estão os treinos?
Estão indo muito bem. Comecei a treinar forte essa semana e já algum tempo tenho me adaptado ao fuso horário americano, já que aqui na Finlândia são oito horas a mais.
Qual a emoção de estrear no UFC?
Muito grande, é um sonho se tornando realidade. Lembro que, quando comecei a treinar Jiu-Jitsu, um pouco antes do primeiro UFC, e assistia ao Royce Gracie dominando todo mundo, jamais poderia imaginar que um dia lutaria naquele octagon.
Você vai enfrentar o Toquinho logo na estreia. O que você espera dessa luta?
Vai ser uma luta muito dura, o Toquinho é muito bom. Quando o vi lutando pela primeira vez no Fury, lembro de ter dito os meus amigos que aquele cara seria um dia o campeão do UFC e que ele poderia finalizar qualquer um. Ainda espero que ele seja um campeão, mas ainda não... Ele é novo e tem muito tempo para isso (risos).
Você acha que ele vai buscar logo a luta de chão?
Não tenho certeza, acho que ele vai buscar a queda, mas também pode querer me surpreender e lutar em pé, vamos ver.
Como está o seu chão? Você vai focar na luta em pé?
Eu vou lutar aonde tiver que ser, aonde eu ver uma brecha vou explorar, e pode ser em pé ou no chão.
Você vem de cinco vitórias no primeiro round. Como surgiu a oportunidade de assinar com o UFC?
Pois é, estou fazendo uma campanha boa, meu empresário Petteri Maunu conseguiu muitas lutas boas e eu aproveitei as oportunidades. O meu co-empresário Josef Borges tem um bom relacionamento com o UFC e fez a ponte.
A sua carreira começou em Vitória, mas você rapidamente saiu do país. Por quê?
Comecei a lutar MMA em Vitória, no extinto Vitória Extreme Fight. Minha ida para o exterior foi por conta de trabalho. Eu dou seminários de Jiu_Jitsu na Europa desde 2001, mas antes eu ia para passar no máximo três meses. Depois dessa luta, a demanda pelas minhas aulas aumentou e tive que passar a ficar fora por até 10 meses ao ano, o que impossibilitou a minha participação em eventos nacionais. Passei a ficar muito conhecido por aqui e as lutas de MMA foram surgindo.
Qual a sua ligação com a Finlândia?
Em 2001, um dos meus professores, Leandro Borgo, juntamente com o Fabio Gurgel, me convidou para dar um seminário na Finlândia. Nesse seminário, fiz vários contatos e fechei outros seminários e a partir daí foi crescendo. Já dei aulas na Alemanha, na Grécia e na Suécia, todas filiais da Alliance comandadas pelo general Fabio Gurgel. Sou aluno do Eduardo Jamelão, comecei a treinar Jiu-Jitsu em Vitória em 1994, sou mineiro de Ipatinga, mas me mudei cedo de lá e hoje me considero mais capixaba, apesar de ainda ter muito amor pela terrinha.
A sua categoria tem sido dominada por Anderson Silva. Você sonha em disputar o cinturão contra ele?
Olha, se você me perguntasse ano passado se eu lutaria no UFC, eu diria a você que seria improvável, quase impossível, mas estamos aí. Um sonho de cada vez... Se vou chegar a lutar pelo cinturão da categoria só o tempo irá dizer.
Como você acha que seria uma luta contra ele?
Nem visualizo ainda, não quero apanhar nem na minha imaginação (risos)... Brincadeira, mas, sinceramente, isso nem passa pela minha cabeça.
O Belfort deve enfrentar o Anderson em 2010. Como você acha que será essa luta?
Difícil dizer, são tantas variáveis e possibilidades nessa luta, como quem vai acordar melhor no dia... Sou fã dos dois, o Belfort tem, sem dúvida nenhuma, as ferramentas para ganhar essa luta, e o Anderson não precisa nem dizer, né, o cara é considerado o melhor lutador do mundo peso por peso. Se eu tivesse que apostar, apostaria no Silva, mas olha a última disputa de cinturão dos meio pesados... Eu teria apostado no Machida, apesar de ser mais fã do Shogun. Com certeza vai ser um lutão para entrar na história do MMA.
Fique à vontade para mandar o seu recado.
Queria mandar um abraço para toda a galera de Vitória que sempre me ajudou nos treinos, o meu mestre Eduardo Jamelão, o cara mais guerreiro que já conheci. Mestrem espero te dar orgulho. Aos meus preparadores físico Gustavo Carvalho e Bruno Góes, meu treinador de Boxe Robson Vidal, o Alexandre Caveirinha pelas técnicas e bons treinos na Hangar. Da Finlândia, quero agradecer ao meu mestre de MMA Jarno Nurminen, Sammi Harju, meus parceiros de treinos Mikko Suvanto, Mikko Ruponen, Toni Valtonen, Sune, Timo... São tantos. Ao meu manager Petteri Maunu e especial para o Josef Borges, esse cara acreditou em mim, muito obrigado irmão. E a minha família, que sempre me apoia em tudo apesar da saudade, um beijão pai, mãe, Tulio e Lucas!