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Rousimar Toquinho terça-feira, 02 de fevereiro de 2010 - 17:00:01 Por Eduardo Ferreira

Ele já passou por quase tudo nessa vida. A música de Zeca Pagodinho poderia facilmente resumir a história de Rousimar “Toquinho”, este mineiro de Dores do Indaiá, que teve que superar a falta de comida e casa no Rio de Janeiro para conquistar seu sonho: viver da luta. Quatro lutas e três vitórias depois de estrear no maior evento de MMA do mundo, Toquinho já está se preparando para seu quinto combate no octagon, contra Thomas Drwal. Em entrevista exclusiva à TATAME, Toquinho relembrou o passado complicado na vida e falou sobre o sonho de se tornar campeão do UFC. Confira abaixo o bate-papo exclusivo com o faixa-preta da BTT.

 

Naquela matéria que fizemos com você há seis anos, você contou que morou debaixo da ponte. Depois do Fury, você assinou com o UFC e disse que compraria uma casa para a sua mãe com o primeiro dinheiro que ganhasse. Você já realizou esse sonho?

 

Com o passar das lutas, consegui juntar o dinheiro e dar a casa para ela. Agradeço muito a Deus por isso.

 

E quando vem a sua casa? Depois de quatro lutas no UFC, você ainda mora na Cruzada...

 

Estou juntando um dinheirinho pra comprar uma casa pra mim, aí vou ficar tranquilo.

 

Mas a graninha já deu pra casar e comprar um carrinho...

 

Com certeza, mas a casa da minha mãe era o mais importante. Eu não comprei nem uma bicicleta para mim antes de dar uma casa para a minha mãe. Era o sonho que eu tinha. Dei, agora vou conquistar as minhas coisas.

 

Você também ajudou os seus irmãos? Devolveu aquele empréstimo que o seu irmão te deu para você vir ao Rio de Janeiro?

 

Devolvi (risos). Eu ajudo sempre que eles precisam de mim.

 

Como era a sua vida de Dores de Indaiá? Uma repórter de lá me ligou uma vez contando que a cidade nunca tinha tido um atleta reconhecido. Você é famoso lá?

 

O que eu mais gosto de lá é a humildade do povo. Eu sou o mesmo, mas todo mundo para, conversa comigo, mas sem aquilo de que nós somos isso ou aquilo, eles me admiram porque eu sou de lá e falo que sou de lá. Muitas pessoas têm vergonha de falar que são de lá, mas eu não tenho vergonha de ser o que eu sou.

 

Se algo desse errado, você pensa que você poderia passar novamente por tudo o que você passou?

 

Vou te falar a verdade, eu não desejo para ninguém nada do que eu passei. Se eu puder não voltar por onde eu passei, vou fazer de tudo para não voltar. É uma estrada dura. Mas é a estrada da vida, se eu tiver que passar por isso de novo eu vou passar. Eu acho que tudo na vida depende do que se planta e se colhe, e eu planto tudo para não passar por isso mais. Mas se tiver que passar por isso de novo, é Deus quem sabe.

 

Qual foi o melhor momento da sua vida?

 

Quando eu dei a casa para a minha mãe.

 

E como lutador?

 

Quando eu venci o GP do Fury, mais do que estrear do UFC.

 

E a maior tristeza?

 

Quando eu quebrei o meu pé e tive que ficar aquele tempo todo parado. Foi muito ruim, passou muita coisa pela minha cabeça. Você pensa que não vai ficar bom mais. Estou acostumado a treinar todo dia e tive que ficar três meses sem fazer nada. Eu vi as coisas passando na minha frente e não pude fazer nada, mas já melhorei... Foi só passageiro.

 

Você já tem três vitórias no UFC em quatro lutas, e agora vai enfrentar o Tomasz Drwal. Você sonha todo dia com o cinturão?

 

Está na mão dos donos do UFC, eu vou trabalhando. Eu quero ser campeão do mundo e vou trabalhar muito para isso.

 

Como está o seu treino?

 

O treinamento está muito bom, graças a Deus. Estou me esforçando bastante para melhorar a cada dia e as expectativas são as melhores possíveis.

 

Você conhece o jogo dele?

 

Sei que é quase igual ao meu, ele gosta de bater, derrubar e ficar ali batendo. Eu sinto que é uma luta boa para mim.

 

No começo, as pessoas falavam que você era bom de queda e de chão, mas todo mundo criticava sua trocação. Você vem trabalhando isso? Você acha que evoluiu?

 

Estou trabalhando muito para melhorar, na medida do possível. A minha estatura também é difícil ficar boxeando, então não posso ficar trocando. Eu tento ser explosivo na hora de entrar e sair.

 

Na sua última luta, contra o Lúcio Linhares, você imaginava que seria essa guerra no chão?

 

Ele me surpreendeu um pouco, porque ele é bem alinhado no chão. Gostei muito do chão dele, ele é bem versátil. Gostei de ter lutado com ele, porque ele me ajudou a ver o verdadeiro Jiu-Jitsu. Eu treino Jiu-Jitsu a vida inteira, todo mundo sabe disso, e o cara tem um Jiu-Jitsu afiado.

 

O Anderson vai enfrentar o Vitor pelo cinturão da sua categoria. Como você vê essa luta?

 

Vou te falar a verdade, lá dentro as coisas mudam bastante. A gente nunca sabe o que vai acontecer, ainda mais quando envolve dois campeões. O Vitor foi um grande campeão e o Anderson é um grande campeão, mas eu acho que, sem querer desmerecer nenhum dos dois, não tem como opinar. O jogo é parecido, vai depender muito do dia. Eu acho que vai ser uma luta boa, só não posso tentar adivinhar o que vai acontecer.

 

Caso você tivesse que enfrentar um dos dois, você lutaria sem problema?

 

Com certeza, na hora. È uma honra lutar com um atleta que eu admiro. Eu luto mesmo, não tem isso.

 

O que você achou da luta entre o Lyoto e Shogun e como acha que será a próxima?

 

Olha, para falar a verdade eu nem vi essa luta. O que comentaram é que a luta não foi do jeito que deram o resultado, mas acho que essa agora vai ser mais justa. Eles vão mudar a estratégia, não vai ser a mesma.


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