Líder da equipe Chute Boxe, um dos times mais vitoriosos da história do MMA, Rudimar Fedrigo aceitou o convite da TATAME e respondeu às perguntas dos nossos assinantes, falando sobre seu começo no Muay Thai, como nasceu a Chute Boxe, o segredo do sucesso da equipe, que formou campeões como Wanderlei Silva e Maurício Shogun, a eterna rivalidade com a equipe Brazilian Top Team, a relação com seus ex-alunos e revelou que aposta no Jiu-Jitsu como esporte olímpico no futuro.
De que maneira seu envolvimento na política pode ajudar o crescimento do MMA no e Paraná no Brasil? (Lucas Berzotti)
Eu acho que a minha chegada como secretário serviu para mostrar que os praticantes de artes marciais são pessoas que têm condição de exercer um cargo público e desempenhar um bom papel, tirando aquela imagem grosseira, achando que as pessoas só sabem dar soco e chute. Minha chegada foi importante por isso.
Como foi seu primeiro contato com as artes marciais? Por que você resolveu procurar o Muay Thai? (Tiago Tomaz Costa e Silva e Milton Machado Filho)
Eu sofri um acidente de bicicleta, um carro passou por cima da minha perna, aí fui fazer fisioterapia e treinar, quando conheci o Nélio (Naja). Aí, me apaixonei pela luta e acabei seguindo.
Como surgiu a academia? (Tiago Tomaz Costa e Silva)
Surgiu em 1979, uma academia que desde o início teve uma boa trajetória, foi campeã de Muay Thai e fomos fortes nessa característica. Hoje, estamos completando 31 anos.
Como manter uma linha de muita agressividade dentro dos ringues, característica marcante de quem veio daí? Como despertar ou até mesmo criar essa característica em cada aluno? (Tiago Tomaz Costa e Silva)
Todos os atletas da academia sempre tiveram a característica de combatentes. O lutador da Chute Boxe tem uma filosofia de ir em busca da vitória, sempre partindo pra cima com agressividade. Os professores também contribuem muito com isso, passando essa filosofia vencedora de utilizar no ringue toda a agressividade. Os treinos são muito duros e isso faz com que o lutador fique preparado para o combate.
Qual o segredo da Chute Boxe revelar vários atletas de alto nível? (Diego Hallysson Alves de Oliveira e Fernanda Pezarico)
O segredo é o treino em conjunto com os técnicos, professores, passando essa filosofia diariamente, e isso tem dado certo. A academia revelou grandes talentos e isso vai continuar acontecendo.
Qual a sensação de se fazer presente no crescimento e nas conquistas de seus atletas? (Diego Hallysson Alves de Oliveira)
É uma satisfação muito grande ver um atleta iniciar e depois chegar ao topo, é muito legal. Ver o atleta estreando e depois acompanhar o seu desenvolvimento é muito bom. Tem uma geração nova sendo preparada, que está vindo forte.
Quais foram os melhores momentos da sua equipe? (Diego Hallysson Alves de Oliveira)
Os melhores momentos foram as grandes vitórias conquistadas no Japão, os grandes embates, as decisões que valiam título... Todas elas foram emocionantes, todas foram inesquecíveis.
Com a saída do Wanderlei da equipe, ficou uma clima chato entre vocês, mas com o passar do tempo as coisas esfriaram. Recentemente, o Wanderlei deu uma entrevista à TATAME TV falando do senhor, de tudo o que você fez por ele, pediu desculpas e o convidou para aparecer em seu CT em Las Vegas. Como está a relação entre vocês atualmente? O que ele significa pra você? (Tiago Tomaz Costa e Silva)
Wanderlei Silva é uma pessoa eternizada dentro da equipe, contribuiu muito pra divulgação do estilo dos lutadores e temos muito orgulho dele. Quando estiver em Las Vegas, na primeira oportunidade, vou conhecer o CT dele com o maior prazer.
As saídas do Wanderlei Silva, Maurício "Shogun” e outros grandes nomes causaram um impacto muito grande na Chute Boxe? Como você entende estas saídas? (Pablo Alves de Araujo Santos Rosa, Diego Hallysson Alves de Oliveira e Pedro Ivo Gonçalves Magalhães)
Foi um ciclo que se encerrou dentro da academia. Sempre desejei a todos um grande sucesso nas suas profissões, que possam estar sempre levando os grandes ensinamentos que aprenderam dentro da academia para os ringues e suas vidas. É natural que isso aconteça... Assim como eles passaram, outros virão e a Chute Boxe segue firme.
Você se sentiu traído com a saída deles? (André Luís Franco Lira)
Ah, todo desligamento às vezes fica uma situação um tanto constrangedora, mas depois há uma assimilação de ambas as partes. Me considero uma pessoa importante na carreira deles, tive o prazer de estar junto nas vitórias e derrotas, momentos difíceis, e acho que fui um bom motivador. Tenho uma capacidade boa de trazer essa motivação e me senti muito útil a eles, assim como eles foram muito úteis para a academia.
Depois de todo o sucesso e reconhecimento construído pela Chute Boxe, o que o motiva a seguir com seu trabalho? Quais são as suas metas? (Diego Hallysson Alves de Oliveira)
Está provando que a escola continua numa trajetória firme, tem capacidade de continuar produzindo campeões. Estou satisfeito pela coordenação técnica do Nilson de Castro e outros técnicos, temos um quadro muito bom de professores e a tendência é natural, de fazermos mais campeões. Esse é o nosso desafio, continuar formando campeões.
Na época do Pride havia uma enorme rivalidade entre a Chute Boxe e a BTT, que chegavam a ter que ficar diferentes em hotéis. Como você via isso e qual era sua atuação perante seus atletas? (Pedro Ivo Gonçalves Magalhães)
Foi uma rivalidade boa, acredito que vai continuar seguindo isso, vai continuar rolando lutas boas... Há um equilíbrio técnico muito grande entre as equipes, a TATAME foi a primeira que fez esse levantamento e, apesar de uma situação ou outra ficar um pouco mais tensa, a rivalidade foi saudável. É um clássico nacional do Vale Tudo e servia de estímulo, duas equipes que estavam disputando a hegemonia de um evento... Era natural que isso fosse acontecer, mas o relacionamento sempre foi bom.
Qual a sua visão sobre o Jiu-Jitsu hoje em dia? (Rodrigo Gomes de Oliveira)
O Jiu-Jitsu é uma arte marcial maravilhosa, indispensável para o MMA. Eu adoro Jiu-Jitsu, é uma luta inteligente que hoje faz parte do ensinamento da escola. Eu simplesmente adoro Jiu-Jitsu.
Queria saber sua opinião sobre a importância do Jiu-Jitsu nos projetos sociais e no afastamento de muitas pessoas das drogas. (Fabio Lopes Badine)
Muitos projetos sociais que envolvem o Jiu-Jitsu são projetos vencedores. Essa é uma arte marcial que tem penetração nesse tipo de projeto e acredito que um dia esse esporte será Olímpico, o Jiu-Jitsu salvando gerações, fazendo cidadãos, usando a arte marcial como disciplina. Dou parabéns para a comunidade do Jiu-Jitsu.
Se não fosse ligado às artes marciais, qual profissão o senhor gostaria de exercer? (Paulo Roberto Dornelles Junior)
Acho que seria advogado. Fui até o quarto ano de direito, mas ainda pretendo concluir. Gostaria de ser advogado.