Levar um golpe baixo durante uma luta de MMA é ruim, mas acontece. Levar dois golpes é péssimo, mas o atleta respira fundo e segue em frente. Mas, quatro joelhadas em menos de três minutos? Aí já é demais. Foi exatamente isso que passou na cabeça de Leonardo Santos, que “colocou a coquilha em teste” contra o japonês Sotaro Yamada no Sengoku 14. De volta ao Brasil, Leo bateu um papo descontraído com a TATAME, comentando a vitória por desclassificação do oponente e o sofrimento que passou no ringue japonês. “Nos dois primeiros, eu achei que ele estava errando porque eu sou mais alto do que ele, mas depois do quarto eu pensei: ‘não é possível’”, relembra Leo, comparando as joelhadas aos golpes dos companheiros de treino Marlon Sandro e José Aldo: “eu poderia tomar uns 10 uppers do Marlon, umas 30 joelhadas do Junior (Aldo), mas aquilo ali estava doendo (risos)”, se diverte o lutador, que agora mira o cinturão da categoria.
A sua última luta não aconteceu como você esperava, mas você conseguiu sair com a vitória. O que você achou da luta?
É, cara... A gente treina para ganhar, mas a gente não sabe no que vai dar. Não foi do jeito que eu queria mesmo, estava com uma tática para fazer mais a parte em pé, trocar mais com ele porque eu sou do Jiu-Jitsu e ele estava esperando que eu o pusesse para baixo. Eu acho que eu fiz a tática certa e isso, na hora, o atrapalhou e ele se desesperou. Eu acho que ele se descontrolou e fez aquela besteira, mas pode ter sido nervosismo também porque a tensão que é estar lá dentro é muito grande, só quem está lá dentro sente aquela pressão. Não tem o que falar... É chato eu ter ganhado do jeito que ganhei, mas o que importa sempre é a vitória.
O primeiro golpe baixo quem acertou foi você, mas depois ele aplicou quatro golpes baixos. O que passava pela sua cabeça nessa hora?
Cara, o golpe que eu dei dá para ver que não foi na parte baixa, foi na cintura dele, com o pé encaixado... Mas, vou fazer o quê? Não tem o que falar, aconteceu...
Você acha que o juiz tinha que ter interrompido a luta antes mesmo daquele quarto golpe?
Eu fui me desconcentrando... Eu tentava me levantar, me recuperar rápido para não perder o foco da luta, mas depois do terceiro golpe eu já estava meio triste, não entendendo o que estava acontecendo. Depois que ele deu o terceiro, eu achei que ele não ia ser mais desclassificado. Pensei que ele ia levar uma punição, perder a bolsa, mas desclassificado ele não seria, porque ele já tinha dado três golpes baixos e o evento não o desclassificou, então vamos lutar. Ele deu o quarto e eu olhei para o juiz e falei: “foi a quarta vez”. Aí eles desclassificaram... Eu nem esperava mais que ele fosse desclassificado.
Como foram os comentários nos bastidores depois da luta em relação à postura dele?
Ninguém entendeu nada, não entendemos o que aconteceu e porque ele fez isso. Depois eu achei que era maldade, mas, como eu estava conversando com o Marlon (Santos) lá na hora, eu acho que ele se desesperou... Ele pensou que ia vir uma coisa e veio outra completamente diferente e se desesperou, mas se foi maldade ou não só ele sabe.
Você chegou a encontrar com ele depois da luta?
Encontrei. Ele veio pedir desculpas para mim, falou que não foi a intenção dele e eu o perdoei. Eu também não sou Deus para julgá-lo. Eu estava ali para lutar, não deu certo, mas tranquilo... Bola para frente. Não adianta chorar pelo leite derramado... Ele pediu desculpas, falou que queria lutar comigo de novo, mas eu falei: “da próxima vez, eu vou por coquilha de pedra (risos)”.
Com aquelas joelhadas afiadas, até que não seria uma má ideia...
Para mim era ótimo. Nos dois primeiros, eu achei que ele estava errando porque eu sou mais alto do que ele, então achei que ele estava tentando acertar a barriga e estava acertando no lugar errado, mas depois do quarto eu pensei: “não é possível”.
O problema agora é ficar falando fino, ter problemas para ter filho (risos)...
Rapaz, ainda bem que eu já fiz um, não estava nem preocupado com isso (risos). Meu filhão já está lá inteirinho, bem de saúde, então vamos para a porrada mesmo (risos).
Você treina com uma galera casca-grossa lá na Nova União. O que é mais duro: aguentar os uppers do Marlon (Santos), os chutes do José Aldo ou os golpes baixos do japonês?
Vou te dizer que a joelhada é bem triste (risos). Eu poderia tomar uns 10 uppers do Marlon, umas 30 joelhadas do Junior (Aldo), mas aquilo ali estava doendo... O pior é que, no evento, você está concentrado e não pode perder o foco. É uma situação estranha mesmo... Eu ganhei, mas foi estranho porque eu treinei para caramba, levei quatro joelhadas e esqueci de treinar essa defesa (risos).
Agora você pode dar seminários de defesa de clinche para golpe baixo (risos)...
Nem me fala... Isso daí, para mim, já virou passado. Não quero saber e nem sentir isso de novo (risos). Ganhar assim não tem aquele gostinho de vitória, ficou faltando alguma coisa a mais. Mas, está tranquilo... Vamos para a próxima e vamos ver no que dá.
Você estava cotado para disputar um GP dos leves... O pessoal do evento já falou quando você volta?
O Akihiro Gono estragou a festa porque os caras estavam contando com a vitória dele... Eles falaram lá na hora da luta: “Se o Gono vencer, você luta com ele pelo cinturão”. Depois que ele perdeu, embolou tudo de novo, não sei mais o que vai rolar. Eu acho que virá um GP. Se não vier um GP, eu não sei o que eles vão fazer porque tem uma galera embolada, mas eu vou continuar treinando forte, esperar a oportunidade aparecer e, quando aparecer, eu tenho que estar afiado para chegar lá e arrebentar.