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Bibiano Fernandes quarta-feira, 08 de setembro de 2010 - 09:22:32 Por Guilherme Cruz

Campeão peso pena do Dream, Bibiano Fernandes defendeu seu cinturão pela última vez contra Joachim Hansen, mas a verdadeira batalha começou logo depois do duelo. Com a promessa de que receberia sua bolsa 20 dias depois do evento, Bibiano precisou esperar por mais de seis meses. Em entrevista à TATAME, o faixa-preta falou sobre o problema com o Dream, explicou porque ficará de fora da próxima edição e revelou que pode deixar de lutar MMA caso o Dream feche as portas. “Eu vou ser bem sincero com você: se um dia eu parar de lutar no Japão, eu não luto em mais nenhum evento porque eu não tenho interesse”. Confira abaixo o bate-papo com o manauara, que revelou à TATAME o sonho de ver o Jiu-Jitsu se tornar esporte olímpico.

 

Como foi que você soube que, finalmente, iria receber o seu pagamento?

 

Primeiramente, eu queria agradecer à TATAME por publicar a matéria... Ela foi correndo pelo Canadá, Estados Unidos, até chegar aos ouvidos dos caras lá do Dream. Chegou lá e eles me ligaram cerca de uma semana atrás dizendo que a minha grana estava lá, que eles já tinham mandado para o meu manager, então beleza...

 

Eles tinham feito uma proposta para você lutar na próxima edição, mas você tinha recusado porque eles lhe deviam a bolsa. Eles fizeram uma nova proposta?

 

Eles me ligaram e falaram que queriam que eu lutasse no dia 25 (de setembro). Tá louco! Eu falei: “Vocês me pagaram só agora, vocês nem falaram comigo antes e agora vocês querem que eu lute? Eu sou profissional. Essa é a minha vida, meu trabalho, não é assim não.” Não é pelo dinheiro, eu quero fazer uma boa luta, não estou treinando... Eu até estou treinando, mas não estou no nível de uma luta. Eu falei que não é assim, que eu não estou em ritmo de luta, não tinha condições, eu não vou lutar. Vou para o Brasil ver meu pai, minha família, então fica para a próxima. Os caras ficaram de graça falando que eles me dariam isso e aquilo e eu falei: “Não vou lutar. Vocês falaram que iam me pagar em 20 dias e só seis meses depois vocês me pagaram. Vocês querem que eu lute, mas não. Eu agradeço, mas fica para a próxima”. Vamos ver como as coisas vão ficar.

 

Eles chegaram a falar quem você enfrentaria?

 

Eles não falaram... Acho que era o (Hiroyuki) Takaya, mas não tenho 100% de certeza. Ele falou que queria me enfrentar e iria ser pelo cinturão. Eu não tenho problema de lutar com ninguém, mas eu acho que as coisas têm que ser bem justas. Eu acho que justiça é uma coisa que a gente tem que procurar ter na nossa vida. Se o cara me dá três semanas para lutar e tem o dinheiro lá, eu não vou lutar pelo dinheiro, eu vou lutar pelo meu país, pela minha família e amigos, pelas pessoas que estão perto de mim.

 

O Dream tem passado por esse problema para pagar alguns atletas. Como você tem visto isso?

 

Poxa, cara... Eu vou ser bem sincero com você: se um dia eu parar de lutar no Japão, eu não luto em mais nenhum evento porque eu não tenho interesse. O meu plano é o Jiu-Jitsu, eu amo o Jiu-Jitsu. O que eu puder fazer para ajudar o Jiu-Jitsu, eu vou fazer. O Dream é um excelente evento, mas está passando por uma situação difícil lá, não sei o que está acontecendo. Quem já lutou no Japão sabe como é... Os fãs lá respeitam o esporte. Eu espero que, um dia, o Dream ou outro evento consiga passar por essa barreira porque o evento é bom, é bonito e os japoneses, pela própria educação, precisam de um evento como o Dream lá. Antigamente não tinha esse problema, mas eu espero que eles se levantem para que eles continuem e dê tudo certo para eles.

 

Se deixar o Dream, você larga o MMA? Você não tem vontade de lutar em um evento nos Estados Unidos, por exemplo?

 

Eu luto pelo esporte, pelos meus alunos, pelas minhas pessoas... Eu não sei se eu lutaria nos Estados Unidos porque olha o meu peso... Os caras não pagam decentemente. Eu dou minhas aulas, então eu não acho que valha a pena eu ir para lá lutar por R$ 10 mil e mudar toda a minha vida para ficar treinando e me dedicando. Eu gosto de lutar, eu amo lutar, mas se o dinheiro der, eu vou continuar lutando Jiu-Jitsu, dando aula de Jiu-Jitsu, é isso que eu quero. Na vida tem tempo para tudo e eu vou aproveitar o meu e quando acabar, acabou. Vou lutar até onde Deus queira.

 

Você tem vontade de voltar a lutar em um evento grande de Jiu-Jitsu, como o Mundial, ou o ADCC?

 

Eu estou na campanha pelo Jiu-Jitsu nas Olimpíadas, eu quero muito que o Jiu-Jitsu vá para as Olimpíadas, torço muito para isso. O que eu puder fazer pelo meu esporte, eu estou aí, estou dentro.

 

O que você acha que precisaria mudar para o Jiu-Jitsu se tornar um esporte Olímpico?

 

O Jiu-Jitsu tem que virar profissional... Ele já está profissional, e o Jiu-Jitsu brasileiro é um Jiu-Jitsu que eu acho muito bonito. Eu estou aqui no Canadá e estou vendo o esporte crescer, o número de alunos está crescendo muito. Eu acho que tinha que diminuir o tempo (das lutas)... E se eu for lutar hoje, já não é mais o que era antes, o Jiu-Jitsu já mudou muito. Tinha que perder um pouco da amarração, tinha que ficar um pouco mais Roger Gracie, (Ronaldo) Jacaré, este estilo...

 

Você tem o sonho de, quem sabe, lutar Jiu-Jitsu em uma Olimpíada?

 

Com certeza, meu irmão. Se eu tivesse a oportunidade de representar o meu país, com certeza eu estaria lá para representar o meu país no Jiu-Jitsu. Tem os caras que saem do Wrestling para representar o país deles nas Olimpíadas, então com certeza seria um prazer. Eu treino muito Jiu-Jitsu aqui, tudo que eu tenho é graças ao Jiu-Jitsu e a Deus. O começo da minha vida foi o Jiu-Jitsu.

 

Se não for com você, quem sabe o Bibianinho possa representar o Brasil no futuro, né?

 

Se deus quiser. Vamos treinar ele... Não sei se vai ser homem ou mulher, mas se for um garoto com certeza... Meu sonho é ver o Jiu-Jitsu nas Olimpíadas, mesmo que eu não esteja lá... Vai ser um sonho não só para mim, mas para todos os brasileiros.


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