Coluna do Carlão Barreto: a lição que deve ser aprendida após a derrota de Rockhold para Bisping

Tatame

09/06/2016 09:24

Se você pratica alguma modalidade de luta, você sabe que um dos princípios mais importantes que se aprende é o respeito. Quando você deixa sua autoconfiança ser maior que o respeito por seu adversário, você deixa em segundo plano uma virtude primordial para qualquer ser humano: a humildade, fundamental também nas lutas.

* Bisping choca o mundo, nocauteia Rockhold e fatura título; Cruz domina Faber e mantém cinturão

Vimos neste último UFC (aliás, um dos melhores dos últimos tempos), como um lutador pode ser punido quando deixa a humildade no vestiário e entra no cage como quem entra para treinar. Luke Rockhold é um ótimo lutador, mas no último sábado (4), no UFC 199, foi um competidor arrogante, e a punição veio com um nocaute brutal para Michael Bisping, agora o novo - e merecido - campeão peso-médio do Ultimate.

Qual lição Luke, diante de sua prepotência, deixou para todos os lutadores? Parece óbvio, mas mesmo não deixando transparecer, muitos atletas subestimam seus adversários de menor calibre, e em um número grande de vezes são surpreendidos com a derrota. Posso usar minha própria experiência para falar sobre o tema. Quando lutei no UFC, em uma época em que o formato de torneio ainda era usado, fui vítima do meu próprio ego, assim como o ex-campeão dos médios. Todos só falavam do encontro entre o invicto representante da arte suave Carlos Barreto contra o temido wrestler Mark Kerr, mas isso não aconteceu.

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Rockhold sofreu duro nocaute para Bisping e perdeu o cinturão dos médios do Ultimate (Foto UFC)


Os outros participantes do torneio eram meros coadjuvantes, a imprensa na época falava que dali poderia sair o futuro dono do cinturão dos pesados. Minha equipe se concentrou em traçar uma estratégia para neutralizar o explosivo ground and pound de Kerr. Fui para os EUA me preparar para enfrentá-lo, só pensava nesse encontro, como uma obsessão. Confesso que entrei no clima da rivalidade contra os wrestlers norte-americanos. Para mim, era o Jiu-Jitsu x Wrestling, não vi quem eram meus possíveis rivais e seus atributos.

Fui prepotente na pesagem, ignorando meu primeiro oponente, Dave Beneteau, um wrestler canadense, que na minha cabeça (e de muitos ao meu redor), não era "páreo" para mim, seria liquidado rápido, pois eu teria que descansar para enfrentar meu maior desafio, Mark Kerr. Só que as coisas não são tão simples e fáceis quando a soberba é seu combustível. O resultado todos sabem, perdi em uma batalha de 15 minutos. Um dia desses contarei os bastidores desse evento, conhecido por alguns como o pesadelo no "Mississippi" (risos).

O fato é que aprendi a lição da forma mais dura possível, que a prepotência é um atalho para a derrota. Essa frase ecoou em minha mente como um soco no fígado. Depois desse episódio, mudei minha visão da vida, cresci como ser humano. Espero sinceramente que muitos atletas tenham aprendido essa lição com a dor de Rockhold. Favoritos e azarões são bons apenas para as casas de apostas, porque luta se decide dentro do cage. Boas lutas, grandes vitórias! Fiquem com DEUS! #JuntosSomosMaisFortes #MMAAlémdaPaixão

* Coluna do Carlão Barreto: detalhes sobre a publicação do meu livro e um pedido de ajuda ao leitor