Coluna do Carlão Barreto: os motivos que separam, por enquanto, o Jiu-Jitsu dos Jogos Olímpicos

Tatame

26/09/2016 05:00

Após os Jogos Olímpicos, realizados desta vez no Rio de Janeiro, sempre vale a reflexão de como seria caso o Jiu-Jitsu se tornasse um esporte olímpico? Alguns acham que nosso país ganharia todas as medalhas de ouro, que seria um verdadeiro massacre verde e amarelo. Provavelmente, sim, mas antes de sonharmos com nosso hino sendo tocado inúmeras vezes para todo o planeta, temos que cair na realidade e pensar o que falta para conseguirmos transformar esse sonho em realidade.

Muitos são os fatores para que um esporte entre no patamar das modalidades olímpicas, e nossa arte suave deverá seguir alguns pré-requisitos que estão longe da nossa realidade, pelo menos a curto prazo. Vejamos:

1- Tem que ser praticado por homens em pelo menos 75 países e em quatro continentes, e por mulheres em pelo menos 40 países e em três continentes;
2- Atratividade do esporte para os veículos de comunicação;
3- Relação que o esporte possui com o país sede da competição;
4- Valores que o esporte acrescenta para a população;
5- Interesse que o esporte desperta na mídia e no público em geral;
6- Apelo da juventude;
7- Igualdade de gênero;
8- Mínimo impacto do esporte sob a infraestrutura da competição e a complexidade dos custos operacionais;
9- O esporte precisa ser regido por uma Federação Internacional;
10- O esporte deve seguir as regras do Código Mundial Antidoping, e respeitar a Carta Olímpica.

640x640
Marcus Buchecha poderia ser um dos grandes nomes do Brasil nas Olímpíadas (Foto Lucas Atalla/Gallerr)


Por fim, o COI definiu que, para um esporte entrar no programa olímpico, outro esporte tem que sair. Essa decisão de quem entra ou sai é realizada pelo Comitê Olímpico Internacional, que analisa cada modalidade.

Então, teria o Jiu-Jitsu força politica internacional para se tornar uma modalidade olímpica? Provavelmente não, pelo menos em um curto a médio prazo. Vemos hoje a IBJJF realizando grandes eventos, com um número incrível de atletas, que cresce aos olhos, mas isso é o suficiente? Definitivamente não! Existe também a UAEJJF crescendo, organizando bons eventos, atraindo cada vez mais atletas de bom nível técnico, e diante disso eu me pergunto: qual o órgão que será ligado ao COI? Epa! Já temos aí um entrave.

Talvez o Jiu-Jitsu ainda precise rever alguns conceitos, se organizar de uma forma uniforme, estabelecer padrões internacionais de controle antidopagem para todos os eventos, criar um mundial de seleções, não interclubes. Enfim, é possível que um dia possamos entrar no seleto hall dos esportes olímpicos, mas temos muito trabalho pela frente. Apesar de amarmos esse fascinante esporte que é o Jiu-Jitsu, temos que ser realistas, e o processo é longo e precisará de muita união entre os líderes esportivos. Eu só não gosto que usem nosso esporte como palanque político, então vamos ficar atentos e não cair em armadilhas! Sou muito a favor que o Jiu-Jitsu seja olímpico um dia, mas precisamos definir conceitos aqui e agora! Oss.