Coluna Ciência das Artes Marciais: a última parte dos principais exercícios para lutadores; confira

Tatame

21/08/2016 09:30

Esse artigo corresponde à segunda parte dos 12 principais exercícios (não específicos) que podem e devem, sempre que possível, priorizar-se no trabalho de Preparação Física para lutadores. Conforme ressaltei anteriormente (veja AQUI), com a quantidade de meios e métodos que vêm surgindo, praticantes e atletas de diversas graduações podem ficar confusos sobre a escolha dos exercícios. Para finalizar, listamos abaixo (sem ordem sucessiva de importância) os seis últimos exercícios (não específicos). Mais uma vez reforço que considerei como não específicos aqueles que não se referem a reproduzir exatamente as técnicas das lutas em contexto de preparação física.

* Coluna Ciência das Artes Marciais: a primeira parte dos principais exercícios para lutadores; confira

 

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A preparação física de lutadores é essencial para um bom desempenho em uma luta (Foto Gettyimages) 

1) Arranco (Snatch): exercício tradicional do esporte Levantamento de Peso (estilo Olímpico) - LPO. Executado parcial ou completamente (clássico) no intuito de força máxima, mas, principalmente, com objetivo de melhorar a potência (força x velocidade) e, também, resistência muscular. Em pesquisas realizadas para averiguar a geração de potência, foram comparadas algumas fases do Arranco e Arremesso com os exercícios de supino, agachamento e levantamento terra. Os resultados foram surpreendentes! Os exercícios de LPO produziram potência de seis a dez vezes superior, comparados aos outros exercícios.

2) Arremesso (Clean and Jerk): outro exercício tradicional no LPO e que pode ser utilizado em execuções parciais ou completas para os mesmos objetivos do Arranco. Em estudo conduzido com sessenta e três meninos, atletas de Judô e Luta Olímpica, verificou-se que, comparativamente, após 12 semanas, os exercícios de LPO proporcionaram ganhos superiores do que o treinamento de saltos realizado com intuito de aprimorar a força de partida dos atletas (determinante nas circunstâncias em que a velocidade inicial da ação dita o resultado final, como o começo rápido e vigoroso de uma técnica evitando que o oponente seja efetivo em ação defensiva).

3) Saltar: os exercícios com salto, realizados com um (unipodal) ou com os dois pés (bipodal) em suas diversas formas de execução, são exercícios poderosos e que devem ser incorporados ao repertório dos atletas. Nesse caso, o mais adequado é que seja supervisionado por um especialista que entenda sobre a necessidade de progressão gradativa quanto à altura, distância, séries e repetições. Atletas mais pesados não devem exceder neste trabalho, pois, se não for bem conduzido, poderá sobrecarregar as estruturas articulares do joelho, tornozelo, etc. Vale ressaltar um estudo realizado com atletas cubanos de Luta Olímpica, em que se observou proeminente associação entre Saltos Verticais – SV e aumento da potência dos membros inferiores. Ademais, em investigação realizada com atletas de Judô, foi verificado que lutadores de nível internacional demonstraram resultados superiores em teste de SV quando comparados a praticantes recreacionais.

4) Arremesso de Bola Medicinal: existem referências de sua utilização com atletas de Judô, Luta Olímpica, Boxe, MMA, etc. A principal observação reside na escolha da carga ou “peso” da bola de acordo com a modalidade. Enquanto, por exemplo, o tempo de execução de um Jab ou Direto pode durar 0,25s (apenas um quarto de segundo) o período necessário na dinâmica puxar-empurrar no Judô para entrada de golpe pode levar pouco mais de 1s (com variações, em média, 1,25s). Portanto, recomenda-se que atletas de modalidades de domínio (Jiu-Jítsu, Submission, Judô, etc.) utilizem bolas medicinais acima de 4-5 kg, dependendo da categoria de peso. Em modalidades de percussão (Boxe, Muay Thai etc.) de 0,5-2 kg e no MMA, variação entre bolas de até 1-2 kg e bolas acima de 3 kg.

5) Exercício com Kettlebell: vale salientar que Kettlebell não é o exercício e sim o implemento utilizado. Lembra uma munição de canhão antigo, em formato de bola, anexado a uma alça. Em pesquisa relativamente recente, verificou-se que a dinâmica muscular de contração-relaxamento-contração observada durante exercícios com Kettlebell, foram surpreendentemente similares às verificadas em algumas técnicas de chutes e socos desferidos por atletas de elite de MMA.

6) Correr: em primeiro lugar, saliento que, como meio não específico de melhorar a aptidão aeróbia e anaeróbia de lutadores, a natação e o ciclismo também podem ser utilizados. Escolho prioritariamente a corrida por ser o meio relativamente mais fácil (e barato). Além de não exigir piscina ou bicicleta, em (quase) todos os relatos publicados em periódicos, consta a corrida como principal seleção de exercício não específico utilizado para melhorar a aptidão aeróbia e anaeróbia de atletas de Modalidades Esportivas de Combate. Quer seja pela necessidade de melhorar a Potência Aeróbia (VO2 máx.) e a Potência e Capacidade Anaeróbia, os estímulos contínuos e os intermitentes com “tiros” ou “sprints” (HIIT) de corrida estão entre os mais eficazes dentre os não específicos.

Atenção: boa parte das referências presentes na Parte 1 e 2 deste artigo serão abordadas em profundidade e detalhadamente por diversos palestrantes no II Simpósio Nacional de Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate - Saiba mais AQUI
Vale ressaltar que a maioria das referências desse artigo constam nos livros “Pronto Pra Guerra – Preparação Física Específica p/ Luta & Superação” e “Olhar Clínico nas Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate” (Autor: Leandro Paiva).

* Leandro Paiva - Saiba mais sobre seus trabalhos AQUI. Sobre os cursos realizados em 2015 AQUI e em 2016 AQUI.