Coluna Mente Forte: 'Aposentadoria esportiva - Qual é o momento certo de parar?'; saiba mais

Tatame

12/10/2016 10:07

A aposentadoria, em todas as classes profissionais, é entendida como sinônimo de fim do ciclo produtivo profissional. Na carreira esportiva, é uma fase inevitável e quando não existe um planejamento de carreira produtiva e pós-esportiva, frequentemente ela vem acompanhada de derrotas, péssimos resultados e críticas severas do público que acompanham os atletas, visto que essa “multidão crítica” é movida pela mesma paixão e ideal de Ego que corrompe a auto-crítica do atleta, fazendo com que ele acredite ser capaz de realizar algo que o corpo e a mente já não conseguem traduzir em uma realidade tangível, ou seja, em prática palpável.

Durante a carreira esportiva, o atleta passa por várias transições que podem ser identificadas como a transição da iniciação esportiva, para o treinamento mais intenso e para a alta performance; a transição do esporte infantil, para o juvenil, juniores e adulto; a transição do esporte amador para o profissional e a transição para o término da carreira esportiva. Todas elas com exigências de ajustamento e características próprias. (Regina Brandão, Rev. Bras. Ciên. Janeiro/2.000).

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José Aldo anunciou a aposentadoria do MMA recentemente (Foto UFC)

Psicólogos do esporte são unânimes quanto à necessidade de acompanhamento e aconselhamento de plano de carreira. Decidir quando e como mudar de categoria, ainda que o treinador seja expert e de renome, ainda assim, exige algo além do conhecimento do treinador, que só pode ser realizado com informações de uma equipe multidisciplinar, que é o rigor metodológico para carreira planejada. Trabalhos dessa natureza desenvolvem no atleta e equipe a capacidade de planejar passo a passo da vida profissional e do seu encerramento.

Qual é o memento certo de parar?

O dia a dia nos mostra que o fim ciclo produtivo do trabalhador no mercado formal não segue regras rígidas, já que geralmente se aposentam após os 65 anos e alguns de até forma compulsória. É fato que sobra pouco tempo para disfrutar do ócio produtivo, ou seja, viver a própria vida e não a vida da sociedade. Neste caso, o momento de parar “é subjetivo”, porém, o meu ponto de vista sobre as políticas públicas para “a maioria”, não me encorajam a desafiar o mercado de trabalho após os 65 anos. O risco de não perceber a vida é muito alto.

Mas e no esporte, como pode ser?

No esporte, existem algumas peculiaridades em função da modalidade desempenhada. Se compararmos a ginástica com o golfe, existe uma distância cronológica considerável entre o início da prática da primeira e o fim da prática da segunda. Todavia, existe uma regra que eu chamo de coeficiente resultado X satisfação (CRF), que pode ser positivo ou negativo. Vejamos alguns exemplos:

Coeficiente positivo: existem pouquíssimos casos, porém altamente relevantes. No futebol: o Brasileiro Edson Arantes do Nascimento, “o Rei Pelé”, aposentou-se em 1977. No atletismo, no salto com vara: a russa Yelena Isinbayeva, sem participar, anunciou sua aposentadoria no Rio 2016. No MMA: até o momento se destaca o atleta canadense Georges St. Pierre, hoje com 34 anos, que anunciou sua pausa na carreira em 2013, alguns críticos dizem que ele se aposentou.

Coeficiente negativo: Sem citar nomes, muitos atletas que se enquadram neste parâmetro, pelo fato deles existirem em todas a modalidades. Lembrarei somente de algumas justificativas que eles nos trazem: “estava ventando muito”, e o sarrafo ficou lá; “o hotel não era bom e a comida ruim” e o bastão caiu da mão; “estou de saco cheio” a troca foi injusta, dei mais e recebi menos. É comum os atletas pararem em função do coeficiente negativo, isso não é demérito, afinal, só conhecemos nossos limites quando as forças da natureza e outras não naturais nos impedem de seguir adiante.

Neste parâmetro se concentram a maioria dos atletas. Para que isso ocorra, podemos elencar inúmeros fatores, porém o principal, sendo o mais prevalente o prolongamento da carreira, geralmente por questões financeiras, a necessidade de trabalhar e manter o status que lança o atleta além do limite da curva de rendimento ideal para a prática da modalidade esportiva. Nos esportes de lutas e MMA, observamos que poucos atletas conseguem permanecer no auge após os 35 anos.

No próximo artigo, irei comentar sobre trabalhos de orientação de plano de carreira realizado com alguns atletas e equipes de MMA.

Para saber mais sobre o tema ou o meu trabalho, acesse os meus sites e fique por dentro. Veja os links:http://www.psisport.com.br/ ou https://www.facebook.com/jorgeluis.marujo .