Coluna Treinamento Desportivo: saiba mais sobre a 'Training Mask' e entenda o seu método de uso

Tatame

11/01/2017 09:25

A Training Mask vem sendo utilizada por diversas pessoas em várias modalidades esportivas, desde corredores de resistência, passando por lutadores, ciclistas, e até mesmo nas salas de musculação. Na maioria das vezes, a ideia principal com o uso deste equipamento é a melhora na capacidade de consumo máximo de oxigênio durante a atividade, mas, será que isso realmente acontece?

Muito se ouve em relação a performance esportiva e a altitude. É comum em jogos de futebol, mas, com a expansão de outras modalidades esportivas para novos locais, este fator também ficou evidenciado como preponderante na performance durante a competição, assim como nas sessões de treinamento.

A diferença entre uma atividade realizada em baixa altitude e altitude elevada está diretamente relacionada com o volume de oxigênio utilizado pelo corpo, ou seja, o VO2 máximo. Porém, esse não é o único fator interferente no desempenho. Outro, e tão determinante quanto, é a produção do EPO.

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Em seu novo artigo, Stefane Dias fala sobre o método da Training Mask (Foto divulgação)


A eritropoietina (EPO) é um hormônio secretado pelos rins que estimula a medula óssea para a produção dos glóbulos vermelhos do sangue (hemoglobina). Esse hormônio foi muito falado no caso de Lance Armstrong, ciclista que foi banido do esporte pelo uso de injeções de EPO. Vale lembrar que o treinamento, em elevadas altitudes, pode gerar maior produção dos glóbulos vermelhos, sem a necessidade de administração de EPO.

A utilização da Training Mask para simular a atividade de altitudes elevadas pode não ser tão coerente. Atletas que treinam em altitude não têm aumento de EPO devido ao treinamento nessas condições, mas sim da vivência, como por exemplo, quando competidores que irão participar de algum evento em altitude passam períodos prolongados nestas condições.

A máscara não funciona como um simulador de altitude, mas sim como um dispositivo de treinamento muscular respiratório, deixando o treinamento mais difícil, mas, não melhorando significativamente sua performance. Não existe diminuição na concentração de oxigênio no ar, como na altitude, e muito menos aumenta a produção de glóbulos vermelhos e nem melhora a capacidade de transporte do oxigênio.

Os fabricantes indicam que a máscara seja usada para aumentar o limiar ventilatório, justificando seu uso pelo que disseram ser essa variável negligenciada durante a maioria das sessões de treinamento. Segundo eles, a melhor maneira de otimizar a disponibilidade do oxigênio seria respirar mais poderosa e eficazmente.

Alguns estudos publicados no Journal of Strength and Conditioning Research, que pesquisaram sobre o uso da máscara, nos levam a conclusão de que o uso da máscara pode fortalecer os músculos pulmonares, porém, podem reduzir o desempenho durante o treino em aproximadamente 20%, sugerindo que tal instrumento seja usado em certas ocasiões como acessório para treinamento de baixa intensidade para corredores de endurance, causando, possivelmente, prejuízos em outras situações.

É de extrema importância lembrar que deixar o treinamento mais difícil não necessariamente o deixará mais eficiente. Utilizar a máscara no treinamento tende a reduzir seu ritmo e a duração do treino. Se o seu objetivo for aumentar a quantidade de oxigênio que seu sangue pode distribuir à toda musculatura e caso não tenha a possibilidade de investimento numa câmara de altitude e nem queira se dopar com EPO, talvez seja interessante a suplementação com ferro, que é um importante componente da hemoglobina, já que este tende a diminuir com o decorrer da temporada ou outros suplementos com função de vasodilatação.

Portanto, a utilização da máscara não deve ser entendida como a simulação de realização de atividades em altitudes elevadas, porém, se ela pudesse imitar essa situação, seria de mais valia a utilização desta durante o sono e atividades de vida diária, e não somente no período do treinamento.

* Artigo por Dr. Fabio Vieira e Stéfane Dias. Para mais: fabio.vieira@hotmail.com ou mestraoatt@hotmail.com