Coluna do Ítallo Vilardo: confira as principais formas de potencializar seu Jiu-Jitsu através dos 'drills'

Tatame

14/02/2017 11:43

Hoje em dia, a palavra "drill" invadiu as academias e treinos de Jiu-Jitsu. Na verdade, o que invadiu foi somente o nome, pois o drill nada mais é que um educativo, a parte de uma progressão pedagógica de uma posição, coisa que sempre foi feita nas academias do Brasil desde os primórdios do Jiu-Jitsu. Quem já segue o meu trabalho, sabe que sempre incluo planilhas de drills para o desenvolvimento dos sistemas energéticos e valências físicas (aeróbico, resistência, potência), sempre configurando o treino de acordo com o macrociclo do atleta, pois, se estou na fase de trabalho de força, não posso implementar um drill que tenha como característica a explosão (potência).

Se você souber controlar o tempo de treino e de descanso, assim como o ritmo dos drills, vai conseguir uma grande evolução no seu treino. Com isso, você passa a usar o trabalho de drill como auxiliar de preparação física, fazendo o que eu chamo de "treino intervalado". Mas o que são drills, afinal?

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Ítallo Vilardo e Luan Carvalho, faixa-preta que é atual campeão europeu em sua categoria (Foto Divulgação)


Como disse, os drills sempre existiram na história do esporte. A grande sacada foi que criaram drill para todas as posições, principalmente para pegar as costas (modern Jiu-Jitsu, como alguns chamam), e é aí que acontece um erro: drills são movimentos curtos, onde se consegue fazê-lo de forma repetida (cíclica) com controle de volume e intensidade. Movimentos complexos, onde se executam vários movimentos para se chegar a uma posição final (de forma acíclica), não são drills, são educativos mais complexos, onde o implemento da intensidade se faz com maior dificuldade.

Exemplo:

- Drills simples que podem receber implementos de intensidade ou não: armlock na guarda, joelho na barriga alternando os lados, LeggDrag, levantada técnica, entradas de queda, saindo da meia guarda e indo para as costas e voltando para a meia. São movimentos cíclicos, onde, do final do movimento, já se inicia o próximo.

- Drill complexos, que não podem receber um implemento de intensidade e, com isso, não servem como auxiliar na preparação física: põe o joelho na barriga, gira para o braço e termina no triangulo. Entra na guarda X, sai por baixo e vai para as costas. Passa a guarda, trava a perna, gira para dentro e sai nas costas. A complexidade desses movimentos, onde, ao chegar no final, deve-se voltar para uma posição totalmente diferente de onde terminou o exercício, faz com que o implemento físico não encaixe de forma adequada, pois não é possível criar um ciclo de movimentos, sendo assim, um exercício acíclico.

E como usar os drills (treinos intervalados) cíclicos para melhorar meu rendimento?

Para isso, você deve entender que, para a realização do movimento, o seu corpo utiliza alguns sistemas energéticos, e você deve respeitar o tempo de duração de cada um deles, assim como o seu tempo de intervalo. É comum vermos alguns professores organizando treinos de drill e pedindo que seu aluno exploda por um minuto. Só que eles não sabem que isso é impossível, pois não conseguimos manter nosso máximo por todo esse tempo, devido ao sistema energético. Drills com o objetivo de melhorar a explosão não devem demorar mais que 15 segundos!

Saber como organizar o trabalho de drill dentro do Macrocilo, encaixando os treinos intervalados nas sessões de treino vai fazer você render muito mais! Alguns atletas teimam em fazer tiros na esteira para melhorar o seu condicionamento, esquecendo totalmente o conceito de especificidade. Troquem os tiros de corrida pelo trabalho intervalado especifico (drill). Será muito mais prazeroso, totalmente especifico e o resultado será melhor ainda.

Sempre costumo organizar os camps para o Pan e Mundial de algumas grandes equipes de Jiu-Jitsu (CTA, Ares, Brasa), e todo o camp é organizado dividindo as sessões de treinos com treinos intervalados: sessões de drill com treinos que duram ate 45 segundos, sessões de treinos específicos com treinos de 45 segundos até 2 minutos e sessões de rola em si, com treinos que duram exatamente o tempo de acordo com a faixa dos atletas (6 minutos na azul, 7 minutos na roxa, 8 minutos na marrom e 10 minutos na preta).

Organizar e sempre trabalhar de forma especifica é o que faz a diferença no rendimento. Você não precisa sair da sessão de treinos exaurido para achar que o treino foi bom, produtivo. Sair exausto não significa que o treino foi bom, e sair inteiro não significa que você treinou pouco. O treino deve ser na medida certa para aquele sistema energético que se pretende trabalhar! Como sempre digo: “Deixar cansado é mole, quero ver deixar treinado!”

Alguma dúvida? Pergunte enviando e-mail para itallovilardo@yahoo.com.br ou acesse www.itallovilardo.com