Galvão analisa título mundial, 'polêmica' na final e chance de voltar ao MMA: 'Aberto para propostas'

Mateus Machado

11/07/2016 05:00

Com um extenso currículo de títulos em sua carreira, André Galvão colecionou mais uma grande conquista no início de junho, quando levou o ouro na categoria dos pesados no Mundial de Jiu-Jitsu 2016, organizado pela IBJJF. O líder da equipe Atos derrotou, na final, Jackson Sousa na decisão dos árbitros, e sagrou-se tetracampeão mundial. O duelo entre Galvão e Jackson foi bem disputado, mas terminou de forma polêmica. Isto porque Jackson, que realizou grande campanha na competição, reclamou do julgamento dos árbitros. Em entrevista exclusiva à TATAME, André Galvão explicou o caso, elogiou seu oponente, mas ressaltou que assumiu riscos ao buscar mais a luta ao levá-la para o chão, e por isso acredita, sim, que mereceu o triunfo.

* Relembre: faixas-preta dão show no tatame, e campeões por peso são definidos no Mundial; veja

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André Galvão garantiu mais um título mundial para a sua carreira (Foto reprodução Instagram)


"Ninguém gosta de perder. Acho que ele (Jackson Sousa) ficou insatisfeito pelo fato de perder a luta. Isso é normal. Agora é aprender com o resultado. Eu não queria que a luta fosse travada, porém, busquei a luta. Ele não quis puxar para a guarda, eu também não queria, mas tomei a decisão de levar a luta para o chão assumindo riscos, pois poderíamos ser desclassificados, tomei a atitude e isso fez a diferença. No momento em que saímos, e aí ele veio chegando do meu lado, o juiz já havia mandado parar muito antes, e ele continuou para fazer aquela 'catimba'... O ginásio estava gritando e ninguém ouviu o juiz mandar parar, a não ser a gente ali dentro da área. A mesa central viu que o juiz havia mandado parar muito antes e por isso não valeu a vantagem. O Jackson é um atleta que respeito, ele é duro e fez uma ótima campanha este ano, ele está de parabéns. Graças a Deus, saí de braço erguido, conquistando mais um título mundial", declarou.

Ainda na entrevista, o experiente lutador falou sobre o que mudou desde a sua primeira conquista no Mundial até a mais recente, citou as motivações para seguir lutando em alto nível, analisou o que pode ser mudado na arbitragem para as próximas competições, além de seus futuros planos na arte suave e também no MMA.

Confira a entrevista completa com André Galvão:

- O que mudou desde a primeira conquista do Mundial até a última

Experiência. Tenho mais experiência hoje do que o primeiro Mundial, com toda a certeza. Isso em outras coisas a gente só adquire com o tempo, depois de uma longa estrada dentro do Jiu-Jitsu, como a minha.

- Motivações para seguir lutando em alto nível após tanto tempo

Eu gosto de lutar. Gosto de aprender, gosto de treinar. O que me deixa motivado é isso. Eu gosto do que eu faço, agradeço muito a Deus por me dar esta oportunidade. Não é nada fácil, mas quando há motivação e pessoas que ajudam em torno da gente, fica bem mais fácil. Minha esposa, minha família e meus alunos sempre me ajudam muito e me motivam. Faço tudo de exemplo a eles e a todos que curtem a arte suave.

- Título no Mundial 2016 e insatisfação de Jackson após resultado final

Ninguém gosta de perder. Acho que ele (Jackson Sousa) ficou insatisfeito pelo fato de perder a luta. Isso é normal. Agora é aprender com o resultado. Eu não queria que a luta fosse travada, porém, busquei a luta. Ele não quis puxar para a guarda, eu também não queria, mas tomei a decisão de levar a luta para o chão assumindo riscos, pois poderíamos ser desclassificados, tomei a atitude e isso fez a diferença. No momento em que saímos, e aí ele veio chegando do meu lado, o juiz já havia mandado parar muito antes, e ele continuou para fazer aquela "catimba"... O ginásio estava gritando e ninguém ouviu o juiz mandar parar, a não ser a gente ali dentro da área. A mesa central viu que o juiz havia mandado parar muito antes e por isso não valeu a vantagem. O Jackson é um atleta que respeito, ele é duro e fez uma ótima campanha este ano, ele está de parabéns. Graças a Deus, saí de braço erguido, conquistando mais um título mundial na faixa preta.

- O que mudou, em sentido geral, desde o primeiro Mundial disputado

São mais de 10 anos de diferença. No primeiro, eu tinha mais de 10 anos de diferença para esse. Com certeza, a idade ajuda - fator negativo, mas a experiência foi o fator positivo para esta conquista. Há uma diferença enorme no sentido geral... O primeiro foi no Tijuca (no Rio de Janeiro), em uma estrutura completamente precária, e este último em uma estrutura muito melhor. Antes não havia nem internet, nesse aqui tem até pay-per-view online. O campeonato em si está bem mais estruturado em todos os sentidos. Ainda não há uma premiação em dinheiro, mas sempre houve o prestígio de ser campeão mundial. Também, eu tenho melhores patrocinadores do que em 2005. Em 2005, eu finalizei todas as lutas e neste último Mundial, somente uma. Mas o que importa é que somos campeões e graças a Deus eu ainda continuo no topo.

- O que pode ser mudado na arbitragem das competições de Jiu-Jitsu

Acho que colocando três árbitros em todas as lutas e em todas as áreas de competições, ajudaria bastante, em todas as lutas. Acho que vantagem não deveria existir no Jiu-Jitsu. O que é vantagem? Não é ponto, não é acumulativa, não vira ponto nunca. Você pode fazer 30 vantagens, e aí se o cara te raspa, ele te ganha... Vantagem é vantagem, poxa. Mas na minha opinião isso, ok? Sei que muita gente não concorda com o que estou falando aqui. É claro que se continuar com vantagem, lutaremos de acordo com as regras, mas tenho certeza que a vantagem atrapalha o Jiu-Jitsu. Acho que invés de vantagem, deveria ser 1 ponto. No fator tecnológico, acho que a mesa de replay deve ser um pouco mais rápida, ou deveria parar a luta caso haja uma análise a ser feita, pois muitas vezes demora um pouco, e isso pode afetar muitas vezes na forma que o atleta imprime o ritmo da luta. Quando o resultado muda, pode ser tarde demais. Mas estamos caminhando nisso.

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O líder da Atos ainda falou de seus próximos planos no Jiu-Jitsu e MMA (Foto reprodução / Instagram)


- Próximos planos dentro do Jiu-Jitsu e chance de voltar ao MMA

Estou negociando com eventos para realizar superlutas, mas nada ainda 100%. Agora, meu foco principal é a disputa do ADCC 2017, lá na Finlândia. (Sobre o MMA)... Eu estou aberto para propostas. Existem eventos falando com meu manager, interessados, mas nada confirmado ainda. Eu estou bem tranquilo, pois estou feliz e bem no que estou fazendo. Mas, se surgir uma oportunidade boa, eu caio dentro, isso com certeza.

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