Gezary Matuda aponta preparação na ATT como fator para conquistas: 'Uma fábrica de campeões'

Yago Rédua

01/07/2016 10:25

Gezary Matuda vem tendo uma temporada de 2016 beirando à perfeição. A lutadora da American Top Team conquistou o Pan-Americano, em janeiro e, no começo do mês de junho, chegou ao tricampeonato na faixa preta do Mundial da IBJJF, na categoria peso-pluma, ao vencer Kristina Barlaan na grande decisão. Em entrevista à TATAME, a lutadora contou que, apesar das duas medalhas de ouro, ainda pretende conquistar o Polaris Pro, evento de lutas casadas que, por pouco, ela não conseguiu no começo deste ano.

"Pretendo lutar o Polaris novamente no final do ano, esse evento na Europa é de altíssimo nivel, super bem organizado. Eles valorizam o Jiu-Jitsu e tratam os atletas com muito respeito, isso não deveria ser diferente no nosso esporte, mas receber um tratamento em um show que valoriza os atletas ainda me surpreende. Acredito que shows como Polaris serão o futuro para o Jiu-Jitsu", disse Gezary, esposa do casca-grossa Katel Kubis.

* Faixas-preta dão show no tatame, e campeões por peso são definidos no Mundial de Jiu-Jitsu; veja
* Com várias estrelas da arte suave, Jiu-Jitsu invade circuito de férias de milionários na Europa; veja

A multicampeã disse ainda como foi a preparação para mais uma conquista do Mundial, o crescimento do Jiu-Jitsu entre as mulheres e sobre uma possível mudança para o MMA, algo cada vez mais comuns nos atletas.

Confira a entrevista com a fera Gezary Matuda na íntrega:

- Preparação e maiores desafios no Mundial de 2016

Eu estou vindo de uma preparação forte desde janeiro, aonde me preparei para lutar o Polaris, que são 15 minutos de luta e só ganha quem finalizar. Eu estava me sentindo tão bem que resolvi lutar o Pan-Americano, onde finalizei todas as minhas três lutas. Logo depois do Pan, lutei o Polaris, o resultado foi considerado empate por não ter obtido a finalização, voltei para os treinos mais forte do que antes. Esse resultado não era o que eu esperava e só me deu mais experiência e vontade para conquistar o Mundial da IBJJF neste ano.

- Crescimento do Jiu-Jitsu feminino pelo mundo

Sem dúvidas, tanto o nível técnico quanto o número de atletas inscritas é surpreendente. Antigamente, eu lutava campeonato de faixa marrom e preta junto por não terem tantas meninas inscritas. Hoje em dia, não tem categoria fácil, o Jiu-Jitsu não para de evoluir e felizmente está crescendo a cada dia mais entre as mulheres.

650x433
Gezary Matuda sagrou-se tricampeã mundial ao levar o ouro no início de junho (Foto Eduardo Ferreira)


- Tipo de atletas que a inspiram na arte suave

Eu gosto de quem joga para frente, quem solta o jogo e busca a finalização o tempo todo. Eu me inspiro nas pessoas que estão comigo no meu dia a dia, meus professores e parceiros de treino. Vejo o quanto eles trabalham duro e isso me inspira a tentar sempre fazer o meu melhor. E acredito que não esquecer da onde eu vim e saber aonde eu quero chegar ajuda bastante também para que as coisas aconteçam.

- Preparação na American Top Team (ATT)

Eu treino em uma fábrica de campeões, e sim, os treinos são duros e pesados. Meu treino é feito com pessoas que estão em busca do mesmo objetivo que o meu, então não tem treino leve, ninguém está de brincadeira e ninguém me alivia porque eu sou mulher. A preparação é intensa e fundamental para o meu sucesso.

- Espaço para o Jiu-Jitsu feminino e masculino

Hoje em dia, o Jiu-Jitsu feminino está em outro nível. Acredito que nós, mulheres, estamos conquistando cada vez mais nosso espaço, estamos no caminho certo, mostrando o nosso valor. A diferença ainda existe, estamos trabalhando duro agora para deixar um futuro melhor para as próximas gerações de mulheres que praticam Jiu-Jitsu. Quero fazer minha parte e contribuir com esse crescimento deixando meu legado, mostrando que o Jiu-Jitsu é para todos e sem perder a essência, que pra mim é sempre buscar a finalização.

- Possível mudança para o MMA em breve

Essa mudança está tão próxima e ao mesmo tempo distante. Treino na ATT, que é uma academia top no MMA, com diversos campeões em todos os principais eventos. Na minha rotina eu treino com mais de 5 lutadoras do UFC (Amanda Nunes, Nina Ansaroff, Jessica Aguilar, Tecia Torres e Valerie Letourneau). Meu marido é o headcoach de Muay Thai e responsável pela maioria dos lutadores do UFC (Katel Kubis), então, tenho todo o suporte necessário, mas ao mesmo tempo, me dedico muito à minha paixão, que é o Jiu Jitsu, então vamos ver o que o futuro reserva para mim. Eu não tenho pressa para tomar essa decisão.