Artigo preparação física: saiba mais sobre o Jejum Intermitente e confira os detalhes sobre o tema

Tatame

29/09/2016 09:18

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Saiba, no artigo, todos os detalhes sobre o Jejum Intermitente no esporte (Foto divulgação)

Meu nome é Stefane Dias, sou Doutor em Treinamento Desportivo (Rússia) e professor da Keiser University – USA nos programas de “Sports Medicine” e “Exercise Science”. Recentemente, me perguntaram sobre o vídeo de um médico do Brasil que fala sobre uma dieta que envolve jejum de 16 horas (Jejum Intermitente). Para não ficar somente baseado no meu conhecimento e em livros que ensino, liguei para meu orientador, o Fisiologista Emérito da Equipe Olímpica Russa, Victor Nikolaevich Seluianov, com mais de 35 livros publicados, incluindo dois no Brasil, com o lançamento de mais dois nos próximos 6 meses pela editora Juruá, para pedir sua opinião.

Primeiro, existe a fome, que é a sensação física que nos leva a comer; e o apetite, um desejo psicológico de consumir alimentos específicos. A fome ocorre quando nós precisamos comer fisicamente e normalmente sentimos como uma sensação desagradável e negativa pelo cérebro. Isso mesmo, não sentimos fome pelo estômago, mas nosso cérebro nos avisa que estamos com fome. Já o apetite está ligado a desejos psicológicos e estímulos ambientais pelo desejo de comidas específicas. Ele é despertado quando avistamos um bolo de chocolate, por exemplo, ou sentimos o cheiro de café – por estimular nossos sentimentos provocando emoções agradáveis e boas memórias. Quem regula todo esse processo é o hipotálamo. Ele regula tanto os sentimentos de fome como de saciedade, por integrar os sinais de 3 fontes. Confira abaixo:

- Células nervosas – enviam sinais do estômago e intestino delgado para detectar mudanças de pressão. Por exemplo, quando não nos alimentamos por algumas horas, essas células mandam sinais ao hipotálamo, que nos avisa da sensação de fome.

- Hormônios – Insulina e Glucagon têm um papel importante nesse processo. Quando ficamos algumas horas sem comer, nosso nível de glucose sanguínea cai. Essa redução faz uma alteração na concentração desses hormônios que, por sua vez, avisam ao cérebro que precisamos comer, aumentando a fome.

- Quantidade e tipo de alimento que consumimos - pesquisadores conseguiram identificar que alimentos contendo proteína apresentam o mais alto valor de saciedade. Isso significa que uma refeição com ovos e presunto vai nos deixar saciados por mais tempo que uma refeição com uma maior porção de carboidratos (panquecas com xarope), mesmo que ambas as refeições tenham exatamente o mesmo número de calorias. Outro fator que influencia a fome é o quão volumoso a refeição será composta. Isto é, a quantidade de fibras e água que está dentro da comida. Alimentos com alto teor de fibra alongam o estômago e o intestino delgado, mandando sinais ao hipotálamo de que estamos cheios (saciados) e então paramos de comer mais rápido.

Então, para reduzir a sensação de fome, devemos aumentar o número de pequenas refeições, ingerir alimentos com alta concentração de proteína e fibra e consumir carboidratos com baixo índice glicêmico para fornecer energia durante o dia. Caso contrário, podemos sentir efeitos colaterais, como a Hipoglicemia, quando o nível de glucose sanguíneo cai abaixo dos níveis normais e incluem nervosismo, tremor, ansiedade, fraqueza e batimento cardíaco irregular. Resumindo, fazer dieta por 16 horas não é saudável nem vantajoso para pessoas normais, e completamente errado para quem busca performance desportiva!

Referências:
- Seluianov, V. N.; Dias, B. C. D.; Andrade, S. L. F. Musculação: nova concepção russa de treinamento. Curitiba: Juruá, 2008.
- Hoeger W.K.; Hoeger S. A.: Principles and Labs for Fitness & Wellness, 13th Ed, 2014.
- AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. ACSM’s Resources for the Group Exercise Instructor. 1st ed. Baltimore (MD): Lippincott Williams & Wilkins; 2012.
- Thompson J., Manore M. Nutrition for Life – 3rd Edition – Pearson., 2013