Dedé Pederneiras ironiza declarações de Holloway: ‘Não sei o que passa na cabeça desse garoto’; veja

João Carlos Cavalcanti

24/02/2017 04:15

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Dedé Pederneiras acredita que o Ultimate deve ter uma postura mais firme (Foto Alexandre Loureiro/Inovafoto)

José Aldo vai pôr o seu cinturão linear dos peso-penas em jogo novamente, contra Max Holloway, pelo UFC 212, marcado para acontecer no Rio de Janeiro, no dia 3 de junho. Para essa luta, muitas provocações e alfinetadas foram feitas antes do combate ser finalmente confirmado. Técnico do brasileiro, Dedé Pederneiras comentou sobre as declarações do havaiano, além de explicar o porquê Aldo ficou um tempo sem lutar.

A última vez que o manauara foi visto dentro do octógono foi pelo histórico UFC 200, que aconteceu em julho, no qual o brasileiro bateu Frankie Edgar por decisão unânime dos jurados. Depois disso, Dedé e Aldo tentaram marcar confrontos contra Khabib Nurmagomedov e Tony Ferguson, entretanto, não foi possível.

Em entrevista para exclusiva à TATAME, feita no hospital INTO, localizado no Rio de Janeiro, que realiza um projeto para fazer cirurgias em atletas de graça, Dedé foi um dos idealizadores e também conversou sobre outros assuntos.

"Sinceramente eu não sei o que passa na cabeça do rapaz (Holloway). O que está acontecendo atualmente com o UFC está deixando a gente bastante chateado, você vê o Hollaway. Aceitou a luta com o Pettis, os dois sabiam que a próxima luta estaria marcada para o dia 11 de fevereiro. Eles aceitaram fazer aquela a luta. Aí ele sai falando que ia lutar (contra o Aldo), depois passam um, dois dias, ele diz que está lesionado do pé, tem que levar o filho dele na Disney e a academia dele fechou. Quer dizer, ele deu três desculpas alguns dias depois. Foi so ponto de eu chegar a conversar com Sean Shelby e ele me dizer que não sabe mais o que falar para mim. Porque complica. Aí a gente toma decisão de subir de categoria e enfrentar o Khabib para poder chegar ao lado do McGregor e ele ter que falar: “Não tem mais como fugir de vocês”, porque as palavras do Dana White, ele (Khabib) não quis aceitar a luta. O Dana chegou e falou: “Não posso botar uma arma na cabeça do cara e fazê-lo aceitar”. Aí existe uma negativa por parte do pai do russo, entendo a parte do pai dele, ele é o treinador, talvez o momento não fosse lutar com o Aldo agora, não vejo como medo, sinceramente. A gente vai para o segundo ranking (Ferguson) que havia feito o desafio para o Aldo e até mesmo disse que poderia descer de categoria para enfrentá-lo. A gente aceita, porém terá que ser na dos leves, daí ele também não aceita. Eu liguei para Matchmaker e perguntei: “O que está acontecendo?” e ele me responde: “O que os caras falam na frente das câmeras não são o que eles falam atrás dos bastidores”. Quer dizer, na hora do “vamos ver”, o cara só fala. O Conor a gente não consegue fazê-lo lutar, beleza ele não quer descer? A gente faz o Aldo subir e luta com ele, mas aí o Conor não quer. Tem muita gente mandando e você não sabe para onde vai", comentou o treinador.

Confira a entrevista completa com Dedé Pederneiras abaixo: 

- Projeto para os atletas no INTO

Para mim é sensacional, o Flavio que foi uma atleta da academia, na verdade a família dele toda treinou e antes dele fazer o que ele fez pelo Aldo, quem fazia é o pai dele. Quem me salvava realmente dessas situações de garotos lesionados e quando eu não tinha poder aquisitivo para tratar, o pai do Flavio, Adalto que me ajudava. Ele também é ortopedista. Então quando o Flavio se formou eu pensei: ‘Opa mais um’ (risos). Mas isso aqui é um sonho, pelo menos para mim, eu já perdi atletas por conta de lesões ele não terem como se recuperar e nem fazer a cirurgia. Eu tive um atleta que era um garoto com muito potencial, ele quebrou a clavícula e não tinha plano de saúde aqui no Rio, voltou para o Sul, mas não conseguiu fazer. Demorou tanto que quando ele foi no médico dois meses depois, ele falou: ‘Não tenho mais como operar, é melhor você deixar do jeito que está’, e o cara nunca mais voltou a treinar. Ele era um garoto que tinha muito potencial. Então entre outras histórias, com isso aqui é sensacional.

- Oportunidade para atletas iniciantes 

Quando você pensa num atleta consolidado, já tem o rendimento financeiro que já dá para pagar um plano de saúde, fica mais tranquilo. De qualquer forma, acho que mesmo esses grandes atletas a minha primeira opção será mandá-los aqui para o Into, até pelas pessoas que tem aqui atendendo. Será a minha primeira opção, mesmo com o plano de saúde, lógico que se a gente tiver como fazer de uma forma onde ele não possa ocupar o lugar de uma pessoa que tenha reais necessidades e não tenha como fazer fora, a gente vai fazer em outro lugar, mas será avaliado aqui.

- Postura mais firme do UFC

Acho que tem que dar uma postura mais firme sim, eles ofereceram uma luta sem pé nem cabeça contra o Cub Swanson. Eles ofereceram caso o Aldo não queira ficar parado, e eu falei “Vai fazer o que com o Cub Swanson?”. Eles estão dando um cara da categoria qualquer para fazer luta.

- Garbrandt vs Aldo 

Acho que o garoto tem muito potencial, mas não está na hora dele pedir esse tipo de luta. O Aldo foi campeão cinco anos seguidos e ele pegou o título agora. Me parece muito mais um medo de pegar o TJ Dillashaw porque tomava pau na academia, como o próprio TJ falou, do que realmente querer fazer essa luta com o Aldo. Ele quer se manter com o cinturão e fazer uma luta onde não perca o cinturão. Essa é minha opinião, pode ser que eu esteja totalmente errado, mas o que me pareceu foi justamente isso. A gente está esperando, se não for no pena, será no leve. Alguém terá que aceitar essa luta.