Jiu-Jitsu Submission

Nathiely Jesus exalta liderança no ranking da UAEJJF e projeta Mundial: ‘Muito ansiosa’

Com apenas 21 anos, Nathiely Jesus vem encerrando sua primeira temporada na faixa-preta em alta. Pela UAEJJF, a pupila de Cícero Costha terminou como líder no ranking feminino faixa-preta após se destacar com a conquista de diversos Grand Slams e com o ouro que faturou em sua categoria no Abu Dhabi World Pro, considerado o maior torneio da Federação. Na IBJJF, a paulista terá seu grande desafio no Mundial, que será realizado entre os dias 31 e maio e 4 de junho, na Califórnia, Estados Unidos.

Ciente de que terá pela frente as melhores lutadoras do mundo em sua categoria e também na disputa do absoluto, Nathiely se mostra animada para disputar seu primeiro Mundial como faixa-preta. Em entrevista exclusiva à TATAME, a lutadora falou sobre o foco para o torneio da IBJJF e a vontade de garantir a medalha de ouro.

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Nathiely Jesus brilhou na temporada 2016/2017 da UAEJJF e terminou como líder (Foto UAEJJF)

“O Mundial está chegando e eu estou muito, muito ansiosa. Vai ser meu primeiro Mundial como faixa-preta e eu estou bem confiante, treinando bastante. Não mudei nada no meu treino, estou mantendo dessa forma desde o começo do ano. Já que ele está dando resultado, não tem motivo para mudar, né? (risos) Estou bem focada nessa competição, acho que vão ter muitas lutas duras, mas eu vou estar preparada, sem dúvida, e em busca da medalha de ouro, sem dúvida”, disse a faixa-preta.

Confira a entrevista com Nathiely Jesus na íntegra:

– Liderança no ranking da UAEJJF na faixa-preta e dificuldades na temporada

A sensação de terminar o ranking da UAEJJF como a número 1 na faixa-preta foi incrível para mim. Foi minha primeira temporada pela UAEJJF lutando como faixa-preta e tendo o resultado que eu tive, sendo campeã em todos os Grand Slams que disputei, além do ouro em Abu Dhabi, foi muito importante para a minha carreira, um passo muito grande que eu dei. Em meio a tantas atletas de alto nível competindo, eu chegar lá foi excelente. A maior dificuldade em todo esse período foi a viagem para Tóquio, que eu comprei minha passagem e, quando eu cheguei no aeroporto, meu bilhete não tinha sido emitido, daí eu estava sem passagem, eu pensei que ia viajar e não fui. Eu ia desistir de viajar, mas eu acabei comprando a passagem no dia seguinte, cheguei bem em cima da hora, mas deu tudo certo no final. Outro fato também aconteceu quando eu fui lutar no Grand Slam do Rio de Janeiro, que eu acabei lutando machucada e fiquei sem saber se eu ia lutar bem, se eu ia conseguir até mesmo lutar, porque eu tinha acabado de vir do Mundial No-Gi e me machuquei lá. Fui para lá com essa incerteza, mas no fim das contas, deu tudo muito certo.

– Avaliação sobre desempenho no World Pro

Como eu era a mais ranqueada da minha categoria entre as brasileiras, eu não precisei lutar a seletiva, então, para mim, foi muito bom, porque eu precisei somente estar focada no campeonato em si e não precisei passar por essa fase. A Talita (Treta) é uma atleta muito experiente, muito dura, a gente já lutou algumas vezes e a luta é sempre muito difícil, mas eu estava muito bem preparada, com a cabeça muito boa e eu queria muito aquele título de campeã, para fechar bem o ranking, com todas as medalhas de ouro. Todas as minhas lutas foram muito duras, lutei com atletas que eu já havia lutado anteriormente. A primeira luta foi muito difícil, onde ganhei por vantagem… As outras duas eu consegui finalizar e a final com a Treta foi um lutão também, onde consegui ganhar por pontos. Acredito que meu desempenho foi muito bom, porque acho que consegui impor o meu jogo em todas as lutas e dei o meu melhor.

Novas regras da UAEJJF e fim do absoluto

Na questão da nova regra, é algo diferente, não é da forma que a gente está acostumado a lutar… Eu não acho certo, mas também não acho errado, porque geralmente apenas a maioria dos brasileiros vão para a final, então eu achei muito interessante essa ideia de ter um representante de cada país na final, acho que dá uma visibilidade maior para os outros países, então achei algo muito bacana. Na questão do fim do absoluto, eu não achei certo ter tirado, porque acho que o legal dos campeonatos são os absolutos. Se já colocou limite de peso tanto para o masculino quanto para o feminino, não tinha motivo para tirar o absoluto, né? Já que eles falam, assim, das pessoas serem mais pesadas… Se já colocou um limite de peso, eu acho que o absoluto deveria ter continuado, sim, mas fazer o quê, né?

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Nathiely agora vai em busca do ouro na disputa do Mundial da IBJJF (Foto UAEJJF)

– Fato de ter ficado doente antes do Brasileiro e decisão de lutar na categoria

Realmente, dois dias antes de eu lutar, eu fiquei doente, muito debilitada. Até então, a minha decisão era de não lutar, até fiz um post nas minhas redes sociais sobre isso, que eu não iria lutar porque eu não estava nada bem. Só que chegou o domingo, no dia da minha luta, eu acordei achando que estava um pouco melhor e fui tentar lutar assim mesmo, porque, na minha cabeça eu pensei que não tinha nada a perder, que todo campeonato é um aprendizado. Então, decidi lutar de última hora, mesmo com muitas pessoas falando para eu não lutar, eu fiquei com vontade, quis ir e acabei lutando, mesmo doente. Na hora, quando acabei perdendo, bateu um arrependimento na hora, que eu não deveria ter lutado, mas depois, quando já tinha passado o campeonato, eu vi que foi o melhor mesmo a fazer, porque se eu não tivesse lutado com vontade de estar lá lutando, eu iria me arrepender de uma coisa que eu não fiz. Então, não tenho arrependimento nenhum, eu fiz o que eu amo, mesmo sem estar 100%… Foi a decisão que eu tomei, então, não tenho do que me arrepender.

– Derrota na final da categoria para Cláudia do Val no Brasileiro

A Cláudia é uma atleta muito dura, que está vindo com tudo na faixa-preta, ganhando tudo. Eu queria muito ter lutado com ela estando melhor, porque acredito que seria uma luta mais justa para ambas as partes, mas eu não tenho nada para eu falar, ela realmente me venceu. Mesmo eu não estando 100%, eu acho que isso não é uma desculpa, porque eu eu estava ali, estava com vontade e eu queria ganhar, e naquele momento, foi o que eu pude fazer de melhor. Então, eu realmente acredito que esse negócio de ficar dando desculpa não é legal, e nem ficar tirando o mérito de outro atleta. Então, é o que eu sempre falo: ‘Perdeu, perdeu, sem história triste’, então, realmente, eu perdi. A gente até fala que essa é a ‘lei do bronx’ (risos), perdeu, perdeu, não adianta vir com ‘mimimi’ (risos).

– Expectativa para o Mundial da IBJJF, o primeiro na faixa-preta

O Mundial está chegando e eu estou muito, muito ansiosa. Vai ser meu primeiro Mundial como faixa-preta e eu estou bem confiante, treinando bastante. Não mudei nada no meu treino, estou mantendo dessa forma desde o começo do ano. Já que ele está dando resultado, não tem motivo para mudar, né? (risos) Estou bem focada nessa competição, acho que vão ter muitas lutas duras, mas eu vou estar preparada, sem dúvida, e em busca da medalha de ouro, sem dúvida.

– Análise do absoluto e divisão de peso no Mundial

Do absoluto é até difícil falar de quais atletas ou lutas serão as mais duras, porque eu acho que não vai ter luta fácil, é melhor nem dar a minha opinião (risos). Na minha categoria, tem a Jéssica Oliveira, que ganhou o Pan-Americano na minha categoria, é uma atleta bem forte, bem dura. Tem também a Andresa (Correa), que é a atual campeã mundial. Então, acho que as lutas mais duras na minha divisão de peso serão contra elas.

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