Belfort revela vontade de continuar no UFC, cita ‘Liga das Lendas’, mas diz: ‘É necessária uma mudança de regras’

    Por Mateus Machado

    Desde que a luta contra Nate Marquardt, que será realizada neste sábado (3), pelo UFC Rio, foi marcada, Vitor Belfort havia deixado claro que esta seria sua última luta no contrato com o Ultimate. Todavia, recentemente, o brasileiro mudou o discurso e declarou que ainda pretende fazer novos desafios pelo Ultimate. Tal declaração vai diretamente de encontro com o pensamento do lutador em criar a “Liga das Lendas”, que reuniria atletas que fizeram história na organização.

    Na última quinta-feira (01), em conversa com a imprensa, o “Fenômeno”, que vem de duas derrotas e um “No Contest” (Luta sem Resultado), procurou desconversar sobre estar fazendo ou não a sua última luta pelo UFC. O brasileiro ressaltou estar muito feliz com o combate no Rio de Janeiro e declarou que está pegando “uma luta de cada vez”.

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    Vitor Belfort vai encarar Nate Marquardt no card principal do UFC Rio (Foto Getty Images)

    “Na realidade, essa história de ‘adeus’ é uma coisa muito triste. A gente tem que encarar o ‘hoje’ como se fosse o último dia da nossa vida. Esse é o grande problema do Brasil atualmente, a corrupção está aqui por causa disso. A gente não sabe qual vai ser o último momento. Estou pegando uma luta de cada vez, então estou muito feliz com esse combate”, declarou o carioca.

    Veja a entrevista com Vitor Belfort na íntegra:

    – Última luta da carreira?

    Prometi para os meus treinadores que, se eu sentisse motivação nesse camp (para a luta contra Nate Marquardt), eu iria estender minha carreira. Mas é uma luta de cada vez, vamos experimentando, com calma. Há muitos combates bons para nós fazermos.

    – Hora de dar adeus?

    Na realidade, essa história de ‘adeus’ é uma coisa muito triste. A gente tem que encarar o ‘hoje’ como se fosse o último dia da nossa vida. Esse é o grande problema do Brasil atualmente, a corrupção está aqui por causa disso. As pessoas estão tristes e não quero vê-las tristes para minha luta no sábado. Quero que elas venham para torcer, que tenham um momento prazeroso. A gente não sabe qual vai ser o último momento. Estou pegando uma luta de cada vez, então estou muito feliz com esse combate.

    – Trabalhar no UFC

    Eu estava desanimado, seria a minha última mesmo, mas eu me animei, o UFC sempre foi a minha casa. Hoje em dia, tenho interesse em ajudar na companhia. Se eu puder ajudar junto com esses novos donos, eu tenho muito contato com novos lutadores. Tenho muito isso, essa sabedoria de o que a gente pode unir entre eles. Sinto que há um vazio entre os lutadores e a organização, pessoas querendo criar organizações… Acho que não precisamos ter mais um terceiro ‘player’ nesse negócio, acho que essa companhia está crescendo mais do que já era para ter crescido, precisamos ter pessoas que tenham ideias. Acho que sou um cara que sempre tive essa visão. Quando tinha meus 19 anos de idade, eu falava que o UFC seria maior que o Boxe e o pessoal me chamava de louco aqui no Brasil. Muitos de vocês desacreditavam, hoje vocês presenciam isso. Muitos desses executivos nem acreditavam nesse crescimento, e eu sei o motivo disso, foi porque esses veteranos fizeram para esse esporte se transformar no que ele é hoje. Muitos deles não puderam colher o que estou colhendo, então eu tenho essa ideia de criar essa liga das lendas no UFC e tenho certeza que isso será um grande feito para a organização. Umas regras novas, trazer igualdade e até poder fazer o pessoal mais novo lutar com esses veteranos. Quem sabe? Tem milhões de opções, porque é entretenimento e esporte. Você vê isso nos outros esportes.

    – Indefinição sobre a última luta no contrato com o UFC

    Não entendo muito de contrato e nem estou muito por dentro disso. Mas foi como falei, na minha cabeça não queria mais lutar, estava querendo cuidar dos meus outros negócios. Hoje, estou lançando a ‘Belfort Fitness LifeStyle” lá na Flórida, um negócio que poderia retribuir para as pessoas normais… Qualidade de vida, um estilo de vida para as pessoas poderem ter uma saúde. Tudo aquilo que aprendi durante esses anos. Foi uma coisa que aprendi durante esses anos, então estou muito focado nos meus negócios também. Queria já continuar poder ajudar os atletas, mas estava chegando a minha hora, não estava com mais vontade de fazer isso, de responder perguntas, treinar, perder peso. Mas algo ‘acendeu’ dentro de mim, e é importante a gente escutar essa voz interior. Então, estou muito feliz pegando uma luta de cada vez, então vamos lá.

    – Liga das lendas

    Ainda não (comentei com o Dana White), mas creio que eles notoriamente já estão sabendo disso. Eu acho que pelas respostas das pessoas, o interesse do Matt Hughes de voltar a lutar, do Chuck Liddell também, pessoas querendo estar de volta. É importante a gente saber que em primeiro lugar vem a saúde. Você não pode querer criar um negócio sem pensar na saúde. Acho que adaptando algumas regras, a gente poderia ter grandes combates nessa liga das lendas. Quando acredito em alguma coisa, tenho certeza do potencial. É como se fosse a categoria das mulheres… O UFC e o Dana White eram totalmente contra e hoje ele é o cara que mais apoia. Então, acho que isso (liga das lendas) é inevitável, isso vai acontecer. Conheço muito o Dana White, essa organização e tenho certeza que só estão pensando em crescer e dar para os fãs aquilo que eles querem. Acho que os fãs gostariam disso.

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    Vitor Belfort voltou a falar sobre a criação da Liga das Lendas (Foto Getty Images)

    – Seguir no UFC

    De qualquer forma (lutando ou não), tenho muita vontade de continuar trabalhando com eles. O UFC tem hoje um escritório em Las Vegas, quem sabe minha esposa e meus filhos, a gente poderia estar voltando para lá com o intuito de ajudar e poder ser esse intermediário entre o UFC e os lutadores. Eu vejo o UFC muito pequeno perto do que ele vai ser, vejo isso nitidamente.

    – Mudança de categoria

    Quem não muda de ideia, não cresce. Na realidade, se você continuar igual como você era ontem, você está gastando seu tempo. Acho que isso é adaptação. Estou pronto para mudar, para reconhecer os meus erros, quero crescer. Esse é o meu objetivo.

    – Mudança de regras para a Liga das Lendas

    É necessária uma mudança de regras. Não posso estar aqui dando o meu ouro para os bandidos. Tenho todas as minhas regras já anotadas, conversei com médicos, são várias adaptações. Por exemplo, hoje existe uma regra que você pode arremessar o cara de cabeça no octógono… Eu acho que essa regra não poderia acontecer nem nos profissionais. Você pode bater com o cara e ele ter uma lesão cervical. Aquele ‘pisão’ que o Jon Jones gosta de dar, aquilo pode criar uma lesão. Certas regras são adaptadas até mesmo nas regras atuais. Eu também não sou a favor do cotovelo, porque não há proteção e abre cortes. Qual o único esporte que você está sangrando e continua lutando? É o MMA. Nem no Boxe você pode lutar sangrando, tem que parar para enxugar, por isso que chamam de ‘BloodSport’ (Esporte Sangrento). Acredito que no futuro vamos ver muitas mudanças, até porque se a gente quer trazer patrocinadores como ‘Rolex’, bancos, eles não querem estar associados ao “BloodSport”, que está acontecendo a luta em contato com o sangue. Isso pode ocorrer, mas acredito que muitas coisas serão mudadas e adaptadas. Isso é natural da vida. Quem deveria estar fazendo essas regras eram os atletas, porque são quem estão em contato para fazer esse esporte. Não foi nenhum executivo, dono, advogados, mas as estrelas foram os lutadores, então ninguém melhor do que eles para saberem o que é benéfico e o que não é.

    CARD COMPLETO:

    UFC 212
    Sábado, 03 de junho de 2017
    Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro

    Card Principal

    José Aldo x Max Holloway
    Claudinha Gadelha x Karolina Kowalkiewicz
    Vitor Belfort x Nate Marquardt
    Paulo Borrachinha x Oluwale Bamgbose
    Erick Silva x Yancy Medeiros

    Card Preliminar

    Raphael Assunção x Marlon Moraes
    Antônio Cara de Sapato x Eric Spicely
    Johnny Eduardo x Mathew Lopez
    Iuri Marajó x Brian Kelleher
    Viviane Sucuri x Jamie Moyle
    Luan Chagas x Jim Wallhead
    Marco Beltrán x Deiveson Alcântara

    5 COMENTÁRIOS

    1. não vale cotovelada, pisão, cabeçada …. Faça um um evento de ballet, Muay Thai possui essas técnicas e outras artes marciais … enfim uma bosta

    2. Sou seu fã, ele tem razão quando solicita a mudança de regras no UFC não temos mais como aceitar as regras inicias. Sucesso e abraço a todos.

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