Vitor Belfort destaca ‘paciência’ no seu desempenho e ressalta mudanças de regras no MMA; confira

    Vitor Belfort vem de vitória no UFC 212, no Rio de Janeiro, realizado em junho deste ano (Foto Getty Images / UFC)

    Por Diogo Santarém e Mateus Machado

    Depois de passar por uma fase complicada nos últimos três combates, Vitor Belfort reencontrou o caminho da vitória na noite do último sábado (3), pelo UFC Rio. O brasileiro bateu Nate Marquardt por decisão unânime dos jurados. Com isso, além de afastar os comentários sobre aposentadoria, o carioca destacou um novo “Belfort” no seu desempenho.

    Na coletiva de imprensa pós-luta, Belfort afirmou que a paciência foi algo que o dominou durante a luta contra Marquardt. O veterano também revelou que teve vontade de partir para cima do americano, contudo, teve que segurar o seu ímpeto para não fugir da sua estratégia e acabar acarretando em algum erro.

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    “A palavra que o Firas Zahabi (técnico da academia Tristar) falou comigo foi ‘paciência’. O objetivo era deixar o ‘Fenômeno’ lutar e o Vitor Belfort ficar assistindo, e foi mais ou menos isso que aconteceu. A torcida ficou gritando e fiquei assim: ‘Nossa, agora vou para cima’. E ao mesmo tempo falava: ‘Não, é tudo que ele quer’. Tive calma, paciência, curti, e é engraçado que, no início da minha carreira, as lutas duravam muito pouco, e quando dura muito as pessoas não ficavam felizes. Estão acostumadas a ver o Vitor nocauteando. A torcida viu que em vários momentos eu quase nocauteei, no segundo e terceiro assaltos, mas acho que o mais importante foi que consegui, literalmente, mudar certas coisas no meu jogo. Ele tentou bastante coisa e não fiquei parado, não confiei só no meu olho, confiei nos meus movimentos. Ele é um lutador muito forte, duro, tomou muitos golpes, mas tive paciência. Acho que tem muita coisa para a gente ajustar ainda. Mas não podia perder essa festa”, declarou.

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    Belfort teve uma estratégia muito mais cautelosa e venceu Marquardt (Foto: Getty Images)

    Confira a entrevista de Belfort abaixo:

    – Crescimento do MMA

    Tenho o desejo muito grande de ajudar esse esporte no crescimento dele. A gente é muito pequeno ainda, perto do que podemos ser. Eu vejo que tem muita coisa para mudar, as regras por exemplo, o ‘safety’ (a segurança), os lutadores não tem ideia do que é ‘concussion’ (o abalo). É uma coisa, um tema que vocês não fazem ideia o que é isso ainda. Os lutadores novos fazem sparring três vezes por semana, eles não fazem ideia do que vai acontecer quando eles tiverem 60 anos de idade. Em todo esporte, o atleta ganha por treinar, a gente não. Então quero muito poder ajudar a crescer.

    – Planos

    Eu pretendo lutar, ganhar muito dinheiro, o que for melhor. Tenho uma equipe para isso. Eu tenho que cuidar do meu treinamento, na próxima luta estar mais preparado. Isso que estou pensando agora. A gente estava no vestiário conversando sobre fazer algumas coisas que deixamos de fazer nesse camp, agora é continuar trabalhando. Sou um grande empreendedor, para quem não sabe, eu estou lançando algo muito bacana, que é o ‘Belfort Fitness Life Style’, que é algo para os fãs, pessoas comuns. É um sistema de fitness que vamos mudar o estilo de vida das pessoas. Todo dia é algo diferente. Se Deus quiser, vai ser um sucesso.

    – Desempenho na luta

    Todos nós temos um trabalho muito grande. Estou e fiz algo melhor, evoluí e cresci.  A gente fala muito do nosso umbigo, o atleta tem que ser um pouco egoísta, mas acho que o grande atleta tem uma boa equipe. E não somente das pessoas que estão com você, falo também da minha família. Eles sentaram comigo e falaram: ‘Papai, você precisa ganhar e para isso você precisa se dedicar’, e a gente conversou. E todos da Tristar (equipe do Canadá) me receberam de braços abertos. Todo mundo já acabou fracassando, o fracasso é um passo para vitória. Mas infelizmente todo mundo está acostumado com algo rápido, e isso não acontece como nas redes sociais, isso requer tempo.

    – Equipe Tristar e GSP

    Na Tristar, todos me ajudaram, não somente o Georges (St-Pierre), mas sim todos que estavam lá. Ele é um cara que estava lá e é um cara muito simples, dando aula, ensinando, dividindo, aprendendo. Mas lá só tem cara fera e aprendi muito com eles. Tenho que agradecer a toda equipe da Tristar. A Zênia (cadela trazida por Belfort ao Brasil) é a mascote da equipe agora, ficou me acompanhando. É muito bom ter um cachorro treinado, de serviço, me ajudando no dia-a-dia na companhia. Foi muito difícil ficar longe da minha família, muito tempo que não fazia isso.

    – Lutar no próximo UFC Brasil, em outubro

    Tudo é negociável, até outubro tem muita coisa para acontecer. E acho que vencer é muito bom, mas a satisfação é que estou conseguindo me reinventar, e isso é algo maravilhoso.

    RESULTADOS COMPLETOS:

    UFC 212
    Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro
    Sábado, 3 de junho de 2017

    Card Principal

    Max Holloway derrotou José Aldo por nocaute técnico no 3R
    Claudinha Gadelha finalizou Karolina Kowalkiewicz com um mata-leão no 1R
    Vitor Belfort derrotou Nate Marquardt por decisão unânime dos jurados
    Paulo Borrachinha derrotou Oluwale Bamgbose por nocaute técnico no 2R
    Yancy Medeiros derrotou Erick Silva por nocaute técnico no 1R

    Card Preliminar

    Raphael Assunção derrotou Marlon Moraes por decisão dividida dos jurados
    Antônio Cara de Sapato finalizou Eric Spicely com um mata-leão no 2R
    Mathew Lopez derrotou Johnny Eduardo por nocaute técnico no 1R
    Brian Kelleher finalizou Iuri Marajó com uma guilhotina no 1R
    Viviane Sucuri derrotou Jamie Moyle por decisão unânime dos jurados
    Luan Chagas finalizou Jim Wallhead com um mata-leão no 2R
    Deiveson Alcântara derrotou Marco Beltrán por nocaute técnico no 2R

     

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