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Claudinha Gadelha adota ‘cautela’ para possível luta pelo título, mas diz: ‘O que é da Joanna está guardado’

Por Diogo Santarém e Mateus Machado

Uma “nova” Claudinha Gadelha pôde ser vista na noite do último sábado (3), no co-main event do UFC Rio, realizado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. A brasileira, que em suas últimas três vitórias, havia levado o duelo para a decisão dos jurados, finalizou Karolina Kowalkiewicz com um justo mata-leão ainda no primeiro round e voltou a vencer através de seu jogo de chão após quase sete anos, quando finalizou Kalindra Faria com um armlock em setembro de 2010.

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Com a segunda vitória consecutiva conquistada pelo Ultimate e sendo, atualmente, a primeira colocada no ranking da categoria peso-palha feminino, a pergunta que surge, automaticamente, é sobre uma trilogia com a campeã Joanna Jedrzejczyk. Todavia, em entrevista coletiva após o evento, Claudinha, apesar de deixar claro que a polonesa está em seu radar, apontou que não é o momento para uma terceira luta contra sua rival, para quem já foi derrotada em duas oportunidades.

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Claudinha Gadelha conseguiu segunda vitória seguida pelo UFC (Foto Getty Images)

“Eu precisava fazer o que eu fiz, me reinventar, para melhorar e encontrar o que estava faltando no meu jogo, que era o meu gás, meu cardio, a paciência, não deixar a adrenalina subir muito e não matar o meu corpo. Agora eu me encontrei, só que eu acredito que essa luta (contra Joanna) não faça sentido agora. A Rose (Namajunas) está dizendo que merece o título… Que ela passe na frente e dispute o cinturão com a Joanna, porque o que é da Joanna está guardado, eu estou trabalhando para ela”, disse a brasileira.

Confira a entrevista na íntegra com Claudinha Gadelha:

– Evolução após ida para os Estados Unidos

Eu me considero uma melhor lutadora na categoria, mas eu acho que estavam faltando algumas coisas que eu precisava fazer para ter uma melhor performance no octógono. Por isso eu decidi dar essa reviravolta toda na minha vida, não foi fácil e não está sendo fácil. Eu saí da minha zona de conforto após dez anos morando no Rio de Janeiro, fui lá para fora (Estados Unidos), sozinha, sem ninguém, treinando com treinadores diferentes, pessoas diferentes, isso é muito difícil. Mas eu cheguei em um ponto da minha carreira que eu senti que precisava fazer isso, para melhorar e me tornar a lutadora que eu desejo ser.

– Análise sobre Karolina e confiança na trocação

Não acho que ela (Karolina Kowalkiewicz) me subestimou, acho que ela acredita que seja melhor do que eu em pé por ela ter treinado em pé a vida inteira. Ela tem um Striking Background, tem o Jiu-Jitsu Background, então ela acredita que seja melhor do que eu em pé, mas eu me tornei uma lutadora completa já há um tempo, mas eu precisava treinar de uma forma diferente para poder mostrar isso dentro do octógono. A minha mão é muito pesada, quando bate, eu tenho certeza que elas sentem. Eu sei que minha mão é pesada e eu venho treinando muito a parte em pé, porque só ter mão pesada não vai fazer você ganhar a luta. É inteligência, estratégia, então é isso que eu venho trabalhando bastante ultimamente.

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Claudinha finalizou Karolina com um mata-leão ainda no primeiro round (Foto Getty Images)

– Indefinição dentro da categoria, trilogia com Joanna e análise da polonesa

Não me incomoda nem um pouco falar sobre isso (situação dentro da categoria). A gente está em um esporte em que pode perder e vencer a qualquer momento. Em relação às minhas duas derrotas para a Joanna, eu acredito que só exista uma… As duas estão ali no papel, mas se você for analisar a luta direitinho, eu não perdi a primeira luta para ela. A segunda luta eu perdi, mas se você for olhar tecnicamente, eu tenho técnicas melhores que ela no MMA, não sou melhor striker que ela, mas sou uma melhor lutadora de MMA em relação à Joanna, mas eu fiz o treinamento errado para lutar com ela. Me matei, fiz 17 semanas de camp, matando meu corpo, estava destruída, não aguentava ficar em pé, sempre dei o máximo de mim, mas às vezes o máximo não é o certo, e foi isso que aconteceu na segunda luta contra ela. Em relação à minha situação na categoria, eu acredito que sou a número 1 do ranking, a Joanna é campeã, e eu tenho todas as ferramentas para ganhar dela. Mas eu precisava fazer o que eu fiz, me reinventar, para melhorar e encontrar o que estava faltando no meu jogo, que era o meu gás, meu cardio, a paciência, não deixar a adrenalina subir muito e não matar o meu corpo. Agora eu me encontrei, só que eu acredito que essa luta (contra Joanna) não faça sentido agora. A Rose (Namajunas) está dizendo que merece o título, que ela passe na frente e dispute o cinturão com a Joanna, porque o que é da Joanna está guardado, eu estou trabalhando para ela.

– Vitória por finalização após quase sete anos

É engraçado, porque eu fiz Jiu-Jitsu a minha vida inteira, eu competi muito no Jiu-Jitsu, cheguei na faixa-preta e fui campeã mundial e brasileira, e eu cheguei no MMA fazendo Jiu-Jitsu. Quando cheguei no UFC, no nível mais alto, eu vi que estava todo mundo querendo fugir do meu Jiu-Jitsu, e eu continuei com a ideia de que era aquilo que eu tinha que fazer, não mudei, e aí eu comecei a treinar mais em pé, a mudar o meu jogo um pouco, mas eu acho que precisava fazer mudanças no meu treinamento, para que isso acontecesse. Não adiantar ficar 15 ou 25 minutos em uma luta pelo cinturão tentando finalizar alguém sem montar uma estratégia. Tem que existir o treinamento estratégico, inteligente, e foi isso que eu fiz para essa luta contra a Karolina. Eu me senti muito bem na luta em pé e eu sei que sou bem melhor que ela na luta de chão, então foi o que eu procurei fazer e deu certo.

– Trilogia com Joanna sem ‘apelo’ atualmente

Na verdade, eu acho que uma luta de novo contra a Joanna não tem apelo, porque já lutamos duas vezes. Então, eu não gosto de fazer uma luta assim. Eu quero fazer uma luta que os fãs e o UFC queiram e gostem de ver. Eu tenho certeza que agora, se o UFC me der o title shot, todo mundo vai falar: ‘Ah, já perdeu para a Joanna duas vezes’, eu não quero que isso aconteça. Eu quero me preparar e mostrar, porque o desafio é meu, de mostrar e provar que eu tenho condições de lutar com a Joanna de novo. Eu quero que todo mundo chegue para mim e fale: ‘Agora, sim, a Claudinha tem condições de ganhar da Joanna’. Por isso eu estou trabalhando nos defeitos que eu acho que tinha quando eu lutei com ela na primeira e na segunda vez.

– Futuro dentro da categoria e espera por Joanna

Agora, eu não sei realmente o que vai acontecer, porque eu estou em uma situação meio complicada na divisão. Sou a número 1 do ranking, mas eu já perdi para a campeã duas vezes, então todo mundo vai querer passar por cima de mim para lutar com a Joanna, como a Rose Namajunas, que já falou que não quer lutar comigo, e sim com a Joanna. Que ela passe e lute pelo título, que outras que não queiram lutar comigo também passem e lutem pelo título, porque eu vou estar me preparando para lutar com a Joanna e vou estar pronta para lutar com ela, eu tenho certeza disso.

– Tristeza por derrota de José Aldo

Eu vi um pouco ali no final (a luta do Aldo) e realmente é bem triste. Eu saí da Nova União, estou treinando em outro lugar, mas eu amo os caras que treinaram comigo a vida inteira. Foram dez anos ali dentro daquela casa (Nova União), e eu amo cada um, o Dedé (Pederneiras), o Aldo… Por mais que eles achem que eu tenha feito a coisa errada, eu acho que só fiz o que eu acho que é certo para a minha carreira, e realmente me machuca ver meus amigos perdendo. Mas como eu já falei, a gente está nesse esporte para perder e ganhar a qualquer momento.

RESULTADOS COMPLETOS:

UFC 212
Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro
Sábado, 3 de junho de 2017

Card Principal

Max Holloway derrotou José Aldo por nocaute técnico no 3R
Claudinha Gadelha finalizou Karolina Kowalkiewicz com um mata-leão no 1R
Vitor Belfort derrotou Nate Marquardt por decisão unânime dos jurados
Paulo Borrachinha derrotou Oluwale Bamgbose por nocaute técnico no 2R
Yancy Medeiros derrotou Erick Silva por nocaute técnico no 1R

Card Preliminar

Raphael Assunção derrotou Marlon Moraes por decisão dividida dos jurados
Antônio Cara de Sapato finalizou Eric Spicely com um mata-leão no 2R
Mathew Lopez derrotou Johnny Eduardo por nocaute técnico no 1R
Brian Kelleher finalizou Iuri Marajó com uma guilhotina no 1R
Viviane Sucuri derrotou Jamie Moyle por decisão unânime dos jurados
Luan Chagas finalizou Jim Wallhead com um mata-leão no 2R
Deiveson Alcântara derrotou Marco Beltrán por nocaute técnico no 2R

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