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Cara de Sapato vibra com boa fase e mira novos alvos: ‘Vencedor de Weidman x Gastelum’; opine

Por Diogo Santarém e Mateus Machado

O UFC Rio, realizado no último sábado (3), na Barra da Tijuca, serviu para comprovar a boa fase de Antônio Cara de Sapato no Ultimate. No evento em questão, o brasileiro teve uma boa atuação e finalizou o duro Eric Spicely com um mata-leão no segundo round da luta. Desta forma, o atleta, que já vinha de resultado positivo contra Leonardo Guimarães e Marvin Vettori, respectivamente, emplacou sua terceira vitória consecutiva dentro da maior organização de MMA do mundo.

Vencedor da terceira edição do TUF Brasil, Cara de Sapato vive seu melhor momento dentro da franquia. Mais amadurecido, o lutador se vê prestes a entrar no Top 15 do ranking da categoria dos médios e, desta forma, já começa a traçar planos mais ousados dentro do Ultimate. Em entrevista aos jornalistas após o evento, Antônio declarou que se vê pronto para encarar os principais lutadores da divisão, e citou nomes que gostaria de enfrentar em um futuro próximo.

Antônio Cara de Sapato emplacou sua terceira vitória consecutiva pelo Ultimate (Foto Getty Images)

“Eu acho que seria interessante enfrentar o vencedor da luta entre o Daniel Kelly contra o Derek Brunson, seria uma excelente luta para mim, com todo o respeito pelos dois. Pode ser também o vencedor da luta do Chris Weidman contra o Kelvin Gastelum”, revelou o  faixa-preta brasileiro.

Confira a entrevista completa com Cara de Sapato:

– Vitória no Brasil e análise da luta

Feliz demais! Estar no Rio lutando, foi um duelo duro, com um cara que tem o Jiu-Jitsu muito bom, eu já vinha estudando o jogo dele e a estratégia era exatamente aquela, defender a queda dele, fazer ele ficar por baixo, porque a gente sabe que, por melhor que seja o nosso Jiu-Jitsu, a posição mais favorável é quando a gente está por cima, então foi isso que eu procurei fazer. No primeiro round, ele terminou me dando uma queda, me surpreendeu, caí por baixo, mas consegui reverter na chave de calcanhar, ficamos um tempo na 50-50, mas depois eu subi. Como ele tinha me dado a queda, não sabia como estava o round, então precisei buscar uma queda também, fui para as costas, mas não consegui a finalização. No segundo round, eu busquei também, porque eu sabia que ele iria tentar me colocar por baixo, é o jogo dele, eu estudei isso, mas eu consegui defender, joguei ele para baixo novamente, girei para as costas e consegui a finalização, na especialidade da casa. Foi incrível.

– Amadurecimento e sequência de vitórias

Na verdade, eu já tinha certeza (que seria a melhor apresentação da carreira), mas eu precisava mostrar para a galera acreditar nisso também. Já é a minha terceira vitória seguida, a segunda finalização, e eu já amadureci o que tinha que amadurecer. Como eu falei, eu sou ‘cria’ do UFC, antes do TUF eu só tinha três lutas na carreira. Consegui vencer um grande desafio, que foi o The Ultimate Fighter, no peso-pesado ainda, e eu aprendi como perder peso, aprendi como lutar, como fazer as coisas, e hoje eu sou um lutador amadurecido no MMA e no UFC. Foi difícil amadurecer aqui dentro, porque os melhores do mundo estão aqui. Então, as derrotas também me ensinaram bastante, e eu tenho certeza que estou pronto para enfrentar qualquer um da categoria, e eu sei que no meu melhor dia eu posso ganhar de qualquer um, confio no meu potencial.

Cara de Sapato finalizou Eric Spicely com um mata-leão no segundo round (Foto Getty Images)
Cara de Sapato finalizou o duro Eric Spicely com um mata-leão no segundo round (Foto Getty Images)

– Gratidão à Nova União e evolução na ATT

Eu tenho muito a agradecer à galera da Nova União, o Dedé Pederneiras e todo o pessoal, que me ajudaram muito, tenho muito respeito por eles. Mas, realmente, na American Top Team eu me encontrei. Tem muito lutador lá na ATT, muito lutador do UFC e de outros lugares, então eu acho que eles me passaram muita experiência de treino e de luta, e era isso que eu precisava. Lá (na ATT), eu consegui adaptar bem o meu jogo, o meu Wrestling, a minha trocação, o Jiu-Jitsu, que é minha especialidade. É uma grande equipe, que tem me dado todo o suporte que eu preciso.

– Análise da categoria e dos prováveis adversários

Só tem pedreira (na categoria dos médios), não tem luta fácil no UFC, é muito cara duro. Acho que tem muitos lutadores fora do ranking que são muito duros, então não vejo diferença de lutar com atletas ranqueados ou não. Eu quero lutar com a galera ranqueada na categoria porque eu quero chegar no título. Eu acho que seria interessante enfrentar o vencedor da luta entre o Daniel Kelly contra o Derek Brunson, seria uma excelente luta para mim, com todo o respeito pelos dois. Pode ser também o vencedor da luta do Chris Weidman contra o Kelvin Gastelum. Como eu falei, não tem luta fácil, mas eu sei que no meu melhor dia eu posso vencer qualquer um desses caras.

– Evolução desde a conquista do TUF Brasil

Cada passo é importante. Como eu falei, eu era um lutador muito imaturo no MMA, e eu já comecei lutando no UFC. Eu tinha apenas três lutas, entrei no UFC, fiz a final do TUF, e nessa final, eu tinha apenas dez meses da minha primeira luta de MMA, então foi tudo muito rápido. Eu tinha apenas seis meses de MMA, então eu era muito imaturo ainda, precisava aprender muitas coisas, e eu aprendi com as vitórias e as derrotas. Hoje, eu acho que sou um lutador bem estabelecido, e tenho certeza que o UFC vai me dar grandes oportunidades para eu mostrar o meu trabalho. Como já falei, cada passo que eu dei, cada experiência foi importante. Não tive derrotas, tive lições, e estou muito feliz.

– Treinos adequados e qualidade da American Top Team

A gente vai tentando trabalhar, tanto nas coisas boas que eu tenho, como também nos pequenos defeitos e nas coisas que eu preciso consertar. Eu conto com uma galera muito boa na American Top Team, são grandes nomes. Eu tenho me estabelecido, encontrei a melhor forma de treinar, me encaixando no treino certo, o tipo de treinamento mais adequado para mim. Eu estava muito confiante nessa luta, tanto em cima, na trocação, como na luta de chão. Acho que isso se deve muito à toda minha equipe, que faz um grande trabalho para que eu pudesse sair vencedor.

– Evolução na trocação desde a ida para o MMA

Eu acho que sou um cara top da categoria também (risos). Acredito que eu mostrei isso (bom nível na trocação) no TUF, com dois nocautes sobre caras muito duros. Na verdade, eu passei a minha vida treinando muito mais com trocadores e lutando com trocadores. Se você lembrar da luta contra o Vitor Miranda, que é um cara trocador nato, uma pedreira, eu me dei muito bem, dominei os três rounds e saí vitorioso, e essa luta foi no começo da minha carreira. Agora, eu acho que estou ainda mais amadurecido, tem grandes trocadores lá na American Top Team. Acho que já me testei o bastante na trocação. Venho me sentindo à vontade e cada vez mais preparado na luta em pé.

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