Coluna Jiu-Jitsu

Coluna da Arte Suave: ‘A prática e a repetição levam à perfeição’; veja o artigo e deixe sua opinião

Que a prática leva à perfeição, todos sabem ou já ouviram essa máxima algumas vezes. Mas poucos a entendem e a praticam consciente de seus resultados quando se trata de repetir as posições para treinar o golpe, e assim podem tornar o golpe mais “justo” ou para que a movimentação possa sair mais “fluída”. Repetir o golpe sistematicamente não significa, que não sabe fazê-lo.

Durante os treinos, muitos lutadores querem apenas lutar, lutar e lutar, mas quando se fala em repetir os golpes ou movimentos específicos como parte do treinamento durante as aulas, muitos alunos não percebem a importância desta parte do “estudo” da arte marcial, e reagem algumas vezes até com má vontade. Não percebem que, através desse estudo, pode-se descobrir outras variações do golpe e testar sua real eficiência no momento de aperfeiçoar a posição, lapidar determinado movimento e executá-lo de uma maneira tal de fluidez, que o leva a um nível inconsciente, o lutador executa o golpe sem pensar, o faz por puro instinto. Todos os golpes são bons, ou pegam, mas o único caminho que leva a execução de qualquer golpe para um grau de eficiência, rapidez e qualidade técnica é a prática constante.

Só com a prática constante, no “rever” das técnicas, é que o lutador aumenta seu arsenal de golpes e impõe a sua técnica em um combate. Esse princípio é percebido quando um lutador é elogiado pela sua técnica ou criticado com frases do tipo: “ele só sabe dar aquele golpe!” ou “para anular o jogo dele é só fazer isso ou aquilo”. Quanto maior o repertório técnico do lutador, melhor para ele. Sua mente se sentirá mais tranquila, porque ele sabe que tem várias opções surgindo em sua mente, à medida em que o treino acontece.

Independentemente se os movimentos são ofensivos ou defensivos, ele sabe que tem uma saída e, assim, poupa o seu fôlego para os momentos certos do combate, tornando cada vez mais eficiente seus ataques e com menos consumo de seu potencial aeróbico, principalmente os competidores que, em um curto espaço de tempo, fazem diversas lutas, sendo então, o gás fundamental para um resultado expressivo em um campeonato ou mesmo em um treino na academia.

O lutador precisa estar com a mente alerta e segura. O seu saber e agir devem ser um pensamento único. A mente deve estar focada ao momento presente da luta, alheio ao placar, ao público, se tem alguém olhando o treino ou ao próprio pensamento pessoal, quando a raiva atrapalha e ofusca o pensamento. Por outro lado, à medida em que o lutador não sabe o que fazer no momento da luta, sua mente para, e consequentemente suas ações também. Isso pode significar o fim de sua luta, sofrendo uma derrota por pontos ou uma finalização.

Para concluir esse texto, repito as palavras do mestre Daisetsu Suzuki, com a seguinte frase: “O conhecimento técnico não basta. É preciso transcender a técnica para que a arte se converta numa arte sem arte, brotando do inconsciente.” OSS!

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