Após lesão, Satoshi revela ‘pedido’ a Deus em final do Mundial e conversa com Lucas Lepri

    Roberto Satoshi recebendo o apoio de Lucas Lepri na decisão dos leves (Foto: Reprodução/Instagram)

    Por: Yago Rédua

    O Mundial da IBJJF sempre reserva histórias marcantes de atletas em busca da glória, desta forma, na última edição, realizada no começo deste mês, Roberto Satoshi protagonizou um dos momentos mais emocionantes. O faixa-preta fez uma bela campanha até a decisão, mas acabou deslocando o ombro, no começo da final contra o casca-grossa Lucas Lepri e precisou sair da disputa pelo ouro. Em entrevista à TATAME, o lutador revelou o momento de angústia que viveu na Pirâmide, na Califórnia (EUA).

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    Satoshi recebendo o apoio de Lepri na decisão dos leves (Foto: Reprodução/Instagram)

    “A primeira coisa que pensei era em puxar meu braço para voltar logo e seguir na luta, mas quanto mais tempo demorava, e eu vi que o médico também não estava conseguindo, foi me dando uma dor muito grande, mas a dor era no meu coração, em ver que eu não iria conseguir continuar na luta. Eu lembro a hora mais difícil, foi quando eu estava tentando colocar meu ombro no lugar sozinho. Eu fechei o olho e pedi: ‘por favor, meu Deus, só faz meu braço voltar para eu poder lutar, eu não preciso ganhar a luta, só me deixe lutar a final do Mundial, por favor”. Quando abri o olho e vi que não consegui, meus irmãos estavam na minha frente e fazia uns dez minutos que eu estava tentando. Eles simplesmente me abraçaram e falaram que eu não precisava, que só estava me machucando e até piorando a lesão. Falaram que já tinham orgulho de mim por tudo que fiz. O médico queria me levar para ambulância, mas eu falei para esperar, porque iria voltar para o tatame, que meu sonho era disputar aquela final. Eu ia ficar até levantar o braço do meu adversário, eu ia pegar minha medalha no pódio também, então, com um pouco de dificuldade, com ombro fora do lugar, ainda coloquei o quimono de novo. Meus irmãos amarraram minha faixa e eu fiz tudo que queria. Só a foto não ficou muito boa, porque até a hora do pódio, meu braço ainda não tinha voltado para o lugar”, relembrou Satoshi.

    Para chegar à decisão dos leves, Roberto passou por grandes nomes, como Michael Langhi e Johnny Loureiro. O lutador revelou que estava bem e sempre consciente contra os seus adversários. O casca-grossa ainda contou a conversa que teve com Lepri, que garantiu a medalha dourada, e sobre o apoio incondicional que recebeu de diversos lutadores de outras equipes.

    Confira a entrevista completa com Michael Langui
    – Campanha contundente até a decisão dos leves
    Realmente, a categoria dos leves é cheia de grandes nomes, mas esse ano eu estava me sentindo bem, sem pressão e estava confiante também. Consegui finalizar as duas primeiras lutas e, nas outras duas lutas, antes da final, consegui colocar meu jogo e estratégia. Me senti bem e estava lutando sempre consciente do próximo passo, mas como sempre estudo meus adversários antes das lutas, achei todas as lutas duras, pois sabia que todos meus adversários tinham jogos perigosos.

    – Conversa com Lucas Lepri após o fim da decisão
    Falei para o (Lucas) Lepri me desculpar por não ter dado um luta boa para a nossa categoria e que, na próxima vez, prometo tentar complicar mais o caminho dele e dar o show, porque a nossa categoria merece. Ele, super gente boa como é, estava mais preocupado com meu ombro e se tinha sido ele mesmo (que causou o incidente) ou se eu já tinha o ombro ruim (risos).

    – Apoio dos amigos e de outras academias no Mundial
    Isso é uma coisa que não tem como explicar, sabe? Eu fiquei muito triste de não ter lutado, mas o apoio que eu recebi da nossa comunidade do Jiu-Jitsu mundial foi maravilhoso. Falei para o meu irmão algo que me deixou muito feliz na final foi que, em nenhum momento, depois que me machuquei, a luta parou. Ninguém falou para acabar a luta para já dar a vitória para o meu adversário, todos estavam esperando, tanto meu adversário, como a torcida dele, todo mundo… Simplesmente esperaram e era no domingo a final, com o ginásio lotado. Só fiquei triste de não ter conseguido voltar, mas quando subi no tatame, só para levantar o braço dele, ouvi a galera aplaudindo. Quando eu subi as escadas, voltando para arquibancada, via as pessoas de várias academias adversárias, vindo só para me dar um abraço, uma mensagem de incentivo. Isso foi simplesmente maravilhoso. Tenho muito a agradecer a todos por tudo, de verdade mesmo. Espero um dia poder retribuir esse carinho da nossa comunidade do Jiu-Jitsu.

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