Gabi Garcia fala de ‘desafios’ das adversárias e afirma: ‘Aceito lutar, mas não sou dona do evento’; veja

    Gabi Garcia retorna ao MMA no dia 30, pelo Rizin, contra a russa Oksana Gagloeva (Foto Getty Images)
    Gabi Garcia retorna ao MMA no dia 30, pelo Rizin, contra a russa Oksana Gagloeva (Foto Getty Images)

    Por: Mateus Machado

    Sem lutar pelo Rizin Fighting Federation desde dezembro do ano passado, quando derrotou Yumiko Hotta por nocaute técnico ainda no primeiro round, Gabi Garcia terá dois desafios no mês de julho para voltar com tudo ao mundo das lutas. Primeiro, na próxima sexta-feira (7), a multicampeã no Jiu-Jitsu vai lutar pelo evento japonês Shoot Boxing Girls S-Cup, onde terá pela frente a japonesa Megumi Yabushita. O torneio se caracteriza pelas regras na luta em pé, em que as quedas são válidas, no entanto, a luta no solo não é permitida, como os golpes no ground and pound e finalizações.

    Logo depois, no dia 30, Gabi retorna ao Rizin. Invicta em sua carreira no MMA profissional, com quatro vitórias, a brasileira vai encarar a russa Oksana Gagloeva, de 23 anos, que fará sua estreia na modalidade, mas é bicampeã russa no Boxe, três vezes campeã no grappling e também bicampeã russa no Armwrestling.

    Em entrevista exclusiva à TATAME, Gabi Garcia falou sobre os motivos de ter ficado quase sete meses sem lutar, comentou sobre os desafios de diversas lutadoras que recebeu nos últimos meses e fez projeções para a sua carreira no MMA.

    Gabi Garcia retorna ao MMA no dia 30, pelo Rizin, contra a russa Oksana Gagloeva (Foto Getty Images)
    Gabi retorna ao MMA no dia 30, pelo Rizin, contra a russa Oksana Gagloeva (Foto Getty Images)

    Confira a entrevista completa com Gabi Garcia:

    – Quase sete meses sem lutar e atual rotina de treinos

    Eu lutei no final do ano e o que aconteceu foi que eu lutei quatro vezes no ano passado. Eu tive um intervalo de três meses a cada luta, eu lutei em todos os shows do Rizin e, na verdade, foi tudo muito corrido para mim… Aprender um outro esporte, treinar Wrestling, Boxe, Muay Thai, e nisso vieram algumas lesões, porque não é só a luta em si, é o camp para a luta. Então, eu precisava de um tempo para descansar o meu corpo. Eu queria muito lutar em abril, mas aconteceu de eu não lutar, porque foram mais os japoneses que lutaram. Foi bom até para mim, mas eu mantive os treinos normalmente, e isso me fez progredir bastante. Eu continuei meus treinos e foi bom, porque eu aprendi coisas que eu precisava, como o Wrestling, a parte de chão do MMA, então eu continuei treinando e aprimorando o meu Muay Thai. Foi um tempo de muito aprendizado, nesse tempo que estive ‘parada’. Estou com algumas lesões ainda, mas eu estou muito feliz de poder lutar agora em julho.

    – Luta no dia 30 de julho, pelo Rizin

    Na verdade, eu sou contratada do Rizin, tenho mais quatro anos de contrato, mas eu vou fechando de três em três lutas, ou de quatro em quatro, quem vê isso é o meu manager, eu só digo sim ou não (risos). Não importa adversária para mim, eu luto contra quem o meu chefe pedir, todos já sabem disso. Eu vou lutar MMA no dia 30 de julho e pode ser que eu lute depois também, não tem nada certo ainda. Estou treinando bastante e no dia 30 eu volto para a minha ‘casa’, que eu costumo falar que é o Saitama Arena, no Japão, que é um lugar onde eu gosto de lutar, que eu me sinto bem. Foi bom esse tempo parada também para eu ter vontade de subir no ringue. Eu estou com vontade de lutar, de ouvir minha música tocando, estou com muita vontade de sair na mão.

    – Como lidar com os recentes desafios e provocações de outras lutadoras?

    Essa pergunta é fácil de responder, porque eu fui uma pessoa que conseguiu se manter no topo do Jiu-Jitsu por muito tempo, então eu fui de uma pessoa que muitos não gostavam para uma pessoa querida, conquistei uma legião de fãs e, aos 29 anos, decidi mudar de carreira, mudar de país, morar sozinha, aprender outras coisas e tem que ter uma coragem para fazer isso, né? Então, a minha vida sempre foi de superação e de tentar coisas novas. Essas provocações, que já tinham no Jiu-Jitsu e hoje têm no MMA, são de meninas que gostariam de estar onde eu estou, e eu entendo isso. Mas as pessoas querem estar no meu lugar, mas não fazem por merecer isso, porque eu treino muito, treino com dor, treino todos os dias. Desafiar é fácil, agora as meninas desafiam, e quando é para lutar, ou pedem muito dinheiro, ou pedem oito meses para lutar, então aí fica complicado. Mas eu fico feliz, porque a categoria está crescendo, então elas estão me desafiando, passando do limite, mas elas se esquecem que um dia a gente se encontra nas quatro linhas, né? (risos). Então, é isso que me deixa tranquila… Eu respondo algumas, outras não respondo, mas dentro do ringue, não tem quem elas chamarem. Fico feliz que têm muitas meninas da categoria meio-pesado, onde eu sou a número 1, fiquei feliz também de ter sido indicada para o MMA Awards, então fico feliz de estar chamando a atenção, por bem ou por mal, no cenário do MMA. Mas eu não ligo para provocações, porque elas querem fazer o nome em cima do nome que eu tenho (risos). Eu estou incomodando, né? Eu acho que vou começar a me preocupar quando pararem de falar de mim, enquanto estiverem falando, tá bom (risos).

    – Questionamentos que recebe por não ‘aceitar’ os desafios

    Quantos aos desafios que eu recebo, as pessoas precisam entender que eu não sou a responsável por isso, eu não sou matchmaker, não sou dona do Rizin, não sou a responsável por casar as lutas. Publicamente, eu aceito qualquer luta, eu luto contra qualquer pessoa, mas eu não sou a dona do evento. Se a pessoa quer lutar comigo, entra em contato com o evento. Eu tenho um chefe e eu nunca disse não para ele, então não vai ser eu que vai pedir para a menina lutar contra mim, porque aí já é demais (risos). Mas eu aceito lutar contra qualquer menina que me desafie, eu estou treinando para isso, para enfrentar as melhores.

    Lutando profissionalmente desde 2015, Gabi está invicta no MMA, com quatro vitórias (Foto Getty Images)
    Lutando profissionalmente desde 2015, Gabi está invicta, com quatro vitórias (Foto Getty Images)

    – Objetivos e planos na carreira no MMA

    Eu estou invicta no MMA, estou com quatro vitórias, é legal isso. Meu plano de vida sempre foi ser campeã mundial de Jiu-Jitsu, e eu fui nove vezes campeã mundial, oito vezes do World Pro, tenho o ADCC, sempre quis esses títulos e eu fui ganhando mais e mais por gostar do que eu faço. Meu plano é continuar treinando, que é o que eu mais gosto de fazer, fazer essas lutas que tenho no meu contrato esse ano e espero que no ano que vem venha um GP feminino aí e eu ganhe o cinturão, essa é a minha meta. E eu vou lutar até quando o meu corpo aguentar, a minha mente também, mas eu tenho um contrato ainda para cumprir e eu estou muito feliz lutando no Rizin, eu amo lutar no Japão, o público japonês, eu amo o meu patrão e as pessoas que trabalham com ele, é uma ‘vibe’ muito legal. Estou gostando de lutar o MMA, tem pessoas que migram e não gostam, ou vão por dinheiro. Eu não fui por dinheiro para o MMA, fui pelo desafio pessoal, porque no Jiu-Jitsu eu já me cobrava muito, e se eu perdesse, as pessoas ficariam falando: ‘Ah, a Gabi perdeu’, e se eu ganhasse por pontos seria: ‘Ah, por que ganhou por pontos e não finalizou?’. Então, era um desafio pessoal na minha vida e agora eu quero fazer as minhas lutas sem cobranças. Lógico que eu quero, tecnicamente, ser melhor, mas eu não penso em ser a melhor lutadora do mundo. Quero seguir a minha carreira, melhorando a cada dia.

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