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Após bela estreia no UFC, Junior Baby projeta futuro, mas prega cautela: ‘Seguir bem tranquilo’

Por Mateus Machado

Com apenas 26 anos, Junior “Baby” Albini recebeu a missão de estrear pelo Ultimate no último dia 22 de julho, pelo UFC on FOX 25, diante de Timothy Johnson. Com a pressão da realizar sua primeira luta dentro da maior organização de MMA do mundo, o brasileiro foi bastante acuado pelo adversário no começo do combate, mas mostrando muita calma e precisão nos golpes, reverteu a situação e, ainda no primeiro round, bateu o americano por nocaute técnico, impressionando os fãs.

Com a melhor estreia possível para um lutador dentro do UFC, Junior Baby despertou a admiração de muitos fãs de MMA por conta da sua atuação segura dentro do octógono. Apesar do desempenho convincente, o lutador de Paranaguá prega cautela em relação ao seu futuro na organização. Em entrevista exclusiva à TATAME, o peso-pesado comentou sobre como pretende lidar com uma possível pressão que possa vir de torcedores e mídia, à medida em que for crescendo na franquia.

Junior Baby pregou cautela em relação ao seu futuro dentro do Ultimate (Foto: Getty Images)
Junior Baby pregou cautela em relação ao seu futuro dentro do Ultimate (Foto Getty Images / UFC)

“Uma vitória deixa o cara lá em cima e uma derrota diminui o cara, então, para mim, não vai ter pressão nenhuma. Eu estou focado nos meus treinadores, nos meus amigos, em quem está comigo. Lógico, posso sentir um pouco mais de pressão, porque tem essa pressão de ter que fazer uma performance cada vez melhor, lutar com um cara mais duro, mostrar meu trabalho cada vez mais. Mas, de forma alguma, essa pressão vai interferir em alguma coisa. Vou continuar bem tranquilo, focando no que eu tenho de bom e trabalhando para render bons frutos”, disse o brasileiro.

Confira a entrevista completa com Junior Baby:

–  Sensação da estreia pelo Ultimate e ‘nervosismo’

A sensação foi a melhor possível. Eu me senti muito feliz no momento em que eu assinei o contrato com o UFC, mas eu precisava lutar antes, vencer e, principalmente, convencer, para sentir que realmente faço parte do Ultimate. Apesar de ter assinado o contrato, estar feliz pra caramba com o momento, eu fiquei bem focado, porque realmente, para mim, não era só aquilo ali, eu precisava lutar e vencer para realmente fazer parte do evento, mostrar para todos que eu tinha nível para estar lá. Estou muito feliz agora, realizado com a performance que eu tive, para poder provar a todos que eu mereço estar lá dentro. Na questão do nervosismo, eu acho muito possível alguém conseguir lutar lá, principalmente na questão do estresse, te deixa muito nervoso, porque a estrutura do evento, realmente, choca. A parte humana é enorme também, é muita gente trabalhando lá, muita gente envolvida. Muitas pessoas assistindo também, lógico, é o maior evento do mundo, então é um negócio que coloca pressão mesmo, fiquei bastante nervoso, mas a partir do momento que a luta começou, consegui ficar mais tranquilo e consegui lidar bem com o nervosismo para poder lutar da melhor maneira possível. Acredito que seja algo que eu vou conseguir controlar cada vez melhor.

– Pressão do adversário no começo da luta 

Aquele atropelo que ele me deu, eu já esperava que ele fosse fazer aquilo, só não esperava que ele fosse fazer tão cedo na luta, até porque é perigoso. Fazer aquilo no começo é arriscado, porque os dois tão bem ligados, nervosos, então é mais ou menos o que aconteceu com o Werdum contra o Miocic. Eu não esperava isso, esperava que ele fosse cadenciar a luta, trabalhar a mão dele, mas não do jeito que foi, então me surpreendeu um pouco. Mas deu tudo certo, acredito que depois daquele momento, teve mais um e eu consegui pegar o tempo e a velocidade dele, e a partir desse momento, ficou tudo mais tranquilo. Acredito que foi mais fácil marcar o tempo de luta dele, porque se trata de um cara que não chuta, que sai golpeando de uma forma meio irregular, atropelando e põe na grade, então foi mais fácil marcar o tempo dele. No momento que a gente saiu do clinch, eu estava mais tranquilo e iria começar a soltar mais o meu jogo, porque gosto de bater junto, de bloquear e devolver, ou bater em contra-ataque, então depois disso, deu tudo certo no combate.

– Estreia no UFC com vitória por nocaute no primeiro round

Eu estava muito confiante na vitória, até a mídia lá fora ficou meio chocada, porque eu falei que estava indo para vencer ou morrer. Isso é tudo para mim, é a minha vida, então eu realmente estava pronto para fazer isso, estava confiante demais. Mas, de forma alguma, eu esperava vencer da forma que foi. Ele é um cara muito duro, já complicou a vida de muita gente… Fez uma luta dura com o Volkov, que foi campeão do Bellator, ganhou do Tybura, que é um dos tops, então é um cara que complica muito e é difícil de lutar com ele. Ele gosta de brigar, tem esse estilo de avançar, botar bastante soco, então eu não esperava nocautear ele tão cedo. Eu estava pronto para fazer os três rounds de guerra, foi tudo baseado nisso, mas felizmente meu golpe conectou do jeito certo e ele foi à nocaute, mas não esperava terminar a luta desse jeito, mesmo que tenha sido ótimo (risos).

Junior Baby fez sua estreia pelo Ultimate com um belo nocaute sobre Tim Johnson (Foto: Getty Images)
Junior fez sua estreia pelo Ultimate com um belo nocaute sobre Johnson (Foto Getty Images / UFC)

–  Renovação na divisão dos pesos-pesados

Acredito que, de certa forma, (acontece a renovação) no geral, né? Acredito que o esporte está evoluindo muito… Há um tempo, tínhamos o Dominick Cruz como campeão absoluto, então apareceu o Garbrandt com um jogo totalmente novo, lutando de forma dominante contra ele, então é um esporte que evolui rápido demais, em um, dois anos, muita coisa pode mudar. Então, acredito que, de forma proporcional, é difícil aparecer caras mais pesados, porque é onde tem menos gente, então vejo que isso vai aparecer de uma forma natural. Eu não vejo tanto essa carência na categoria dos pesados, acredito que o Top 5, 6, 7 é bem consolidado, é bem forte, então cada um tem condição de ganhar. Trazendo para o Brasil, eu acredito ainda que o Werdum tem condição de ser campeão, o Cigano também, então não vejo essa carência. Lógico, o Werdum e o Cigano estão começando a ficar um pouco mais velhos, mas eu acredito que o Brasil tem totais condições de lançar novos lutadores.

– Calma para projetar seu futuro no UFC

Eu não tenho essa ambição ainda (de estar entre os tops da categoria), foi até uma grata surpresa ter sido colocado no ranking, em 14º, mas eu acredito que sou novo ainda. Eu quero conquistar meu espaço de forma melhor no UFC, quero trabalhar muito mais, preciso ter mais experiência dentro do octógono, estar mais tranquilo, não só com a parte da luta, mas também com todo o ambiente, com fãs, mídia, toda a estrutura, porque é algo totalmente diferente. Na minha carreira agora, acredito que o mais importante é correr atrás na parte de experiência, ter mais lutas, sentir bem o clima do octógono, para depois pensar em dar passos maiores e buscar outros objetivos.

– Planos para próximas lutas no Ultimate e sequência

Eu estou bem, não machuquei nada de forma séria, mas por uma pequena lesão, recebi uma suspensão de 30 dias. Mas estou bem, voltei a treinar algumas coisas já nesta semana, na parte física, então eu quero, com certeza, estar lutando este ano novamente. Em alguns anos, fiquei parado por algum tempo, tendo uma luta no máximo, ou duas, e isso é muito ruim para o atleta, essa falta de ritmo. Então, quero melhorar isso, fazer umas três lutas por ano, pelo menos, e acredito que neste ano eu consiga fazer mais uma luta. Quero trabalhar, estar focado, vou descansar um pouco, tirar um pouco essa pressão, mas logo estou de volta, com certeza, para dar o meu melhor.

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