Tayane Porfírio celebra ano glorioso em estreia na faixa preta e diz: ‘Quero entrar para a história’; saiba mais

    Tayane Porfírio (Foto: Reprodução)

    Por Diogo Santarém e Yago Rédua

    Ouro duplo em todo Grand Slam da IBJJF (Europeu, Pan-Americano, Brasileiro e Mundial), a faixa-preta Tayane Porfírio foi o grande nome do Jiu-Jitsu feminino na última temporada (2016/17). O encerramento veio com chave de ouro, no último mês de junho, quando a jovem lutadora da Alliance conquistou peso e absoluto no Mundial, realizado na Califórnia, Estados Unidos.

    As conquistas, porém, não vieram de forma fácil para Tayane. Apesar do grande domínio sobre as adversárias, a faixa-preta precisou conviver com críticas, o “afastamento” das competições da UAEJJF, além de outros desafios, como entrar no tatame para enfrentar uma amiga.

    Tayane conquistou o ouro duplo no seu primeiro Mundial como faixa-preta (Foto reprodução)

    “Lutar com a Nath sempre é bem complicado, ela tem uma guarda insuportável (risos). Acho que consegui manter bem a cabeça durante a luta, procurei errar o menos possível e, com certeza, foi uma das vitórias mais importante para mim… não é muito legal lutar contra uma pessoa que você já dividiu cama, comida, treinos e compartilhou momentos especiais da sua vida particular. Mas prezo pelo respeito que prevalece, porque assim como eu já ganhei dela, ela também já me derrotou, então isso é essencial para que continuemos amigas independente das lutas”, afirmou Tayane sobre o seu duelo contra Nathiely Jesus, na final do absoluto.

    Confira o restante da entrevista com a fera Tayane Porfírio:

    – Qual é a sensação de conquistar logo dois títulos mundiais na sua estreia na faixa-preta?

    Sensação de dever cumprido, acho que não tem como eu explicar a sensação… São anos pensando quando que a faixa preta iria chegar, aí ela chegou! E a primeira coisa que você pensa é: será que irei honrar ela? Eu estou extremamente feliz e sem palavras com todo esse momento.

    – Conte um pouco mais sobre a sua trajetória. Como foi a final contra a Vanla Luukkonen?

    Na minha final com a Venla eu fiquei um tempo em pé, pensando se deveria puxar ou tentar colocar para baixo, só que eu odeio ficar muito tempo em cima, então chamei pra guarda fechada. Ela estava defendendo a laçada, eu fiquei procurando um espaço para tentar raspar, e então tive a oportunidade de finalizar. Eu faço bastante essa posição nos treinos, tento raspar ou pegar.

    – Na final do absoluto você encarou a Nathiely Jesus, em grande luta. Como foi esse momento para você? Foi o seu combate mais difícil no Mundial deste ano?

    Fiquei feliz por ela ter chegado na final, eu e a Nath lutamos uma contra a outra desde a faixa roxa, então fiquei feliz em ver ela ali em uma final, e mais feliz ainda por ser comigo, ela merece. Lutar com a Nath sempre é bem complicado, ela tem uma guarda insuportável (risos). Acho que consegui manter bem a cabeça durante a luta, procurei errar o menos possível e, com certeza, foi uma das vitórias mais importante para mim, era uma final de absoluto do Mundial.

    – Pelo fato de vocês serem de certa forma amigas, isso dificulta alguma coisa?

    Sim, não é muito legal lutar contra uma pessoa que você já dividiu cama, comida, treinos e compartilhou momentos especiais da sua vida particular. Mas prezo pelo respeito que prevalece, porque assim como eu já ganhei dela, ela também já me derrotou, então isso é essencial para que continuemos amigas independente das lutas, somos profissionais e precisamos diferenciar isso.

    Tayane Porfírio está na final do absoluto e luta neste domingo (23) (Foto: Carlos Arthur Jr)
    Tayane também brilhou no Gracie Pro, no Rio, onde somou novo título (Foto Carlos Arthur Jr)

    – O que acha que fez a diferença para a sua vitória? Como analisa o seu jogo na decisão?

    Acho que a minha mente foi fundamental nessa competição. Comecei a blindar minha mente contra todos aqueles que poderiam tentar me criticar, acho que a mente é bem importante na vontade de vencer, e eu estava com muita vontade, além da parte física em dia para lutar.

    – Primeiro Mundial, dois ouros e uma temporada repleta de títulos: Tayane Porfírio chegou para ficar? Já se vê como o principal nome do Jiu-Jisu feminino na atualidade?

    Cheguei para ficar, mas não me vejo como principal nome do Jiu-Jitsu feminino. Vou conquistar meu espaço até onde puder, quero apenas colecionar medalhas, acho que é importante saber o que Deus coloca em nossas vidas. Ele não quer que eu seja a melhor para o mundo, ele quer que eu seja a melhor para mim mesma, e eu sei que posso ser boa em tudo que eu fizer, basta eu querer.

    – Como foi, para você, conquistar o Grand Slam da IBJJF (Europeu, Pan, Brasileiro e Mundial), um dos maiores feitos do Jiu-Jitsu, no seu primeiro ano como faixa-preta?

    Eu venho me preparando bastante, e vim de uma derrota ano passado do Mundial. Foi onde eu consegui focar mais e colocar em primeiro lugar o meu objetivo que era ser campeã peso e absoluto de todos os campeonatos. Eu coloquei uma meta na minha vida de entrar para a história do Jiu-Jitsu e acho que consegui fazendo o meu primeiro Grand Slam, no meu primeiro ano de faixa preta. A tendência é só melhorar, vou tentar ser bicampeã peso e absoluto em todos os campeonatos para acabar com esse bafafá. Porque como dizem, “só ganho porque sou pesada”, mas venho mostrando que não é só o peso que ganha. Eu tenho bastante técnica e não tenho que provar isso só para mim, mas para as pessoas ao meu redor. Para o restante, as pessoas que falam mal, eu não estou nem aí.

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