Criadora da Buffalo Girls quer valorizar o Muay Thai feminino no país e diz: ‘Transformar em profissão’

    Paola quer romper também a barreira do machismo e preconceito do Muay Thai feminino (Foto reprodução)

    Por QST Sport

    Entusiasta do Muay Thai feminino no Brasil, Paola Luzzato, que vive exclusivamente da modalidade, resolveu incentivar mais meninas a seguirem o mesmo caminho das artes marciais. Desta forma, resolveu criar uma página no Facebook, a Buffalo Girls, voltada para as mulheres. Em conversa à TATAME, Paola contou como surgiu a ideia da criação.

    “A ideia veio de uma conversa que eu tive com um menino que luta muito bem aqui no Rio Grande do Sul. Ele comentou comigo ‘luta de mulher é muito chata, não tem graça’. Eu fiquei com aquilo na cabeça, perguntando se ele não conhecia alguns nomes, tantas mulheres que estão no circuito internacional e dão show, mas ele não conhecia essas mulheres. Eu fiquei pensando, ‘nossa, mas se ele não conhece as grandes estrelas femininas do Muay Thai, como é que vai conhecer as meninas que estão começando agora aqui no Brasil?’. São meninas que estão lutando bem e fazendo um padrão legal no esporte profissional do Muay Thai. E aí, me surgiu essa ideia no fim do ano passado de criar a página Buffalo Girls. Mas, não consegui atualizar a página, porque estava terminando o meu trabalho de conclusão da faculdade. Deixei o projeto em stand-by”, contou Paola.

    “Neste ano, firmei um acordo com uma agência aqui de Porto Alegre e fui convidada a participar do MMA Experience, fazendo as entrevistas com os convidados e com os lutadores do evento. Aquela função do Joe Rogan no UFC, é exercida por mim no MMA Experience. Foi muito bem aceito esse meu trabalho, as pessoas me elogiaram bastante e falaram que era uma oportunidade que eu tinha de trabalhar com a luta e eu fiquei com isso na cabeça. Teve um outro projeto, que começou a ser trabalhado aqui no Rio Grande do Sul, que foi o Sul Thai News, que é para falar dos eventos, dos atletas e passar informações de pessoas envolvidas no Muay Thai. Eles estavam precisando de mais uma pessoa para colaborar com as postagens no canal e me fizeram o convite para participar com eles. Como já tinha falado sobre o projeto do Buffalo Girls, precisava botar em prática e passei a madrugada do dia 20 de julho, que foi o meu aniversário, trabalhando na página para colocá-la no ar, após bastante trabalho realizado”, relembrou ela.

    Atualmente, a fã page registra quase 1.500 curtidas e ajuda na divulgação de lutadoras de Muay Thai que são profissionais e outras que estão começando ainda como amadoras. Com isso, Paola participa da cobertura de eventos, coloca resultados, realiza transmissões ao vivo, tudo em busca de uma propagação da modalidade. A professora de Mauy Thai ainda contou sobre o preconceito encontrado na modalidade com o público feminino e disse que planeja mudar isso com um trabalho a longo prazo, mas que já foi iniciado.

    “Desde as primeiras postagens, eu vi que já tinha bastante interesse das pessoas que estavam seguindo. Eu notei que teve uma boa receptividade. Para mim ainda está sendo um aprendizado na parte de administração, como a transmissão ao vivo, são coisas que eu ainda estou aprendendo a fazer. Como eu trabalho praticamente sozinha, eu tenho até colaboração de outras pessoas, mas o projeto é encabeçado por mim. Acredito que, a pequenos passos, vou desenvolver um trabalho bacana. Não se tem ainda muito espaço para visibilidade do Muay Thai, que é um esporte essencialmente machista. A mulher é desvalorizada no Muay Thai, como no pagamento das bolsas, divulgação. A ideia é mudar isso no cenário brasileiro. Trabalhar duro para ter a perspectiva de transformar o Muay Thai em profissão. O meu marido e eu tiramos nosso sustento exclusivamente do Muay Thai e me sinto realizada com isso, seja vendendo produtos, arbitragem, aulas. Quero ajudar outras meninas a viverem do Muay Thai também, assim como eu”, encerrou.

    1 COMENTÁRIO

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Comente
    Seu nome