Bia revela diferencial para título no ADCC e sugere superluta feminina; leia

Bia Mesquita finalizou suas três lutas e mostrou o motivo de ser a campeã na Finlândia (Foto reprodução Instagram)

Por Diogo Santarém

Bia Mesquita deu show no ADCC 2017, realizado nos dias 23 e 24 de setembro, em Espoo, na Finlândia. Lutando na categoria até 60kg, a brasileira finalizou os três duelos que teve, despachando Ffion Davies, Michelle Nicolini e Bianca Basílio para ficar com o título.

A conquista, por sinal, era uma das poucas que faltavam no currículo da faixa-preta, que havia batido na trave na edição de 2015, em São Paulo. Agora, porém, Bia tem motivos de sobra para comemorar. Em entrevista exclusiva à TATAME, a lutadora analisou sua campanha no maior torneio de luta agarrada do mundo, sugeriu uma superluta entre mulheres para o futuro e ainda revelou os diferenciais para conquistar a medalha de ouro.

“A maior diferença na final foi estar bem condicionada para a luta bem pé, já que se puxar pra guarda tem pontuação negativa. Eu estava muito bem em pé e não me cansei. Acredito que isso foi muito importante. A preparação física de resistência e a cardio respiratória são essências em num campeonato como o ADCC, que pode ter lutas de até 30 minutos”.

Confira a entrevista com Bia Mesquita na íntegra:

– Sensação ao conquistar o título do ADCC

Na verdade, acho que até agora a ficha ainda não caiu (risos). Esperei tanto por esse momento que ainda nem acredito que ele finalmente chegou! Estou radiante, extremamente feliz e realizada profissionalmente, com certeza. É um grande momento.

– Peso do ADCC em relação aos outros eventos

Não foi exatamente o mais importante (título), mas foi um dos mais importantes. O grande diferencial era o fato de o ADCC ser o único título dos mais importantes que eu ainda não tinha, por isso a vitória foi tão emocionante. Além disso, pro ADCC eu preciso perder 2kg a mais do que a categoria que normalmente luto na IBJJF. Foi difícil, mas correu tudo bem.

– Corrida pelo ouro e final com a Bia Basílio

Todas as lutas foram difíceis. Só tinham atletas de alto nível. Nesse tipo de campeonato, cada luta é uma final, mas Graças a Deus eu estava muito bem treinada, focada na vitória e consegui finalizar as minhas três lutas. Na final, o maior problema é que eu estava saindo muito da área de luta. Cheguei a pegar as costas algumas vezes antes da última, quando derrubei, mas ia pra fora do tatame e voltava fora da posição. Até que, na última vez, eu coloquei pra baixo e peguei as costas. Já estava acabando o tempo e eu sabia que podia terminar a luta sem prorrogação. Consegui marcar apenas os pontos das costas, pois não mantive ela com as costas no chão tempo suficiente quando derrubei. Mas depois que eu fiz os pontos, fiquei na finalização. Se não me engano, ainda faltavam cerca de três minutos para a luta acabar, mas eu sabia que aquela posição eu não ia perder.

– Diferencial para triunfar sobre a Basílio na final

A maior diferença na final foi estar bem condicionada para a luta bem pé, já que se puxar pra guarda tem pontuação negativa. Eu estava muito bem em pé e não me cansei. Acredito que isso foi muito importante. Aquela pegada de costas também é uma posição que eu faço muito bem. Então, sabia que ela só ia sair dali depois de eu finalizar ou quando acabasse o tempo. É uma das minhas posições mais fortes, estava bem confiante e deu tudo certo.

Bia Mesquita finalizou sua luta no armock e fará semifinal contra Nicolini (Foto: FloGrappling)
Bia finalizou sua primeira luta no armock, antes de bater Nicolini e Bia Basílio (Foto reprodução FloGrappling)

– Estrutura e organização do ADCC 2017, na Finlândia

Na verdade eu espera um pouco mais da estrutura. Vi muitos atletas reclamando da madeira que cercava o tatame, que machucou alguns ao caírem fora da área de luta. Mas, mesmo assim, eu achei tudo maravilhoso. Infelizmente não deu pra conhecer nenhum lugar na Finlândia (país sede do evento), mas isso fica para uma próxima.

– Nível das disputas no masculino e no feminino

Não fiquei surpresa com os resultados. Todas as atletas participantes eram de alto nível e já era de se esperar que poderiam ter resultados inusitados. Mas, sem sombra de dúvidas, tanto as meninas como o masculino deram um show de Jiu-Jitsu. Foi bonito de assistir.

– Superluta entre mulheres no ADCC e próximos planos

Acho que deveriam pensar em fazer, sim, uma superluta feminina, principalmente entre participantes das primeiras edições. Tinham lutas alucinantes, e muitas revanches que a galera gostaria de ver, assim como eu. Sobre o meu futuro, agora vou voltar aos campeonatos de quimono, no Rio mesmo, e focar um pouco mais na faculdade também.

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