Tri do ADCC, Gabi revela desejo por tetra e vontade de lutar próximo Mundial; veja

    Por Mateus Machado

    Afastada das competições de Jiu-Jitsu desde que resolveu focar somente no MMA, onde luta pelo evento japonês Rizin FF e está invicta, com quatro vitórias, Gabi Garcia voltou embalada para os torneios de grappling em setembro, onde fez uma bela campanha e, depois de três lutas, conquistou o ADCC 2017, derrotando Talita Treta na grande final.

    Agora tricampeã do maior torneio de grappling do mundo, Gabi Garcia segue com desejo de conquistar mais títulos na arte suave, apesar do seu foco seguir no MMA. Em entrevista exclusiva à TATAME, a gaúcha revelou o desejo de se sagrar tetracampeã do ADCC já na próxima edição do torneio, em 2019, e também afirmou que pretende disputar o Mundial de 2018 da IBJJF.

    “Agora, é esperar 2019 para conquistar o tetracampeonato, preciso treinar muito para isso. Tem a Hannette Staack, que é uma lenda do ADCC, a Kyra Gracie, que são tricampeãs também, como eu, então quem sabe, eu faça diferente mais uma vez na história, marque o meu nome de novo. (Sobre o Mundial da IBJJF) Ano que vem eu completo 10 anos do meu primeiro título na faixa-preta, então eu vou lutar, sim, o Mundial do ano que vem, isso está confirmado já para a minha cabeça. Eu espero não ter uma luta de MMA perto, mas se tiver, eu vou tentar treinar o Jiu-Jitsu e o MMA. Mas eu vou lutar nessa comemoração de 10 anos para tentar buscar mais um peso e absoluto, quem sabe encerrar a minha carreira de quimono da melhor forma possível”, disse a lenda do Jiu-Jitsu feminino.

    Confira a entrevista completa com Gabi Garcia: 

    – Preparação para disputar o ADCC

    Eu não tinha certeza se iria para o ADCC… Estava quase tudo certo que eu não iria há alguns meses, por conta de duas lesões, na clavícula e no joelho, e isso vem me incomodando. Só que, na minha preparação para o MMA, eu treino Wrestling três vezes por semana e continuo treinando Jiu-Jitsu, mas não da mesma forma que eu treinava para as competições. Uma semana antes (do ADCC), eu fui no meu advogado e perguntei se poderia lutar, ele ficou de me dar uma resposta, e um dia antes (da viagem), me disseram que eu poderia. O Cobrinha já tinha viajado, e aí eu falei com representantes da Gracie Barra Costa Mesa, que é o lugar onde treino Wrestling com o meu coach, e perguntei se poderia fazer um treino com eles. Daí eu fiz um treino de posição, de Wrestling, umas posições de Jiu-Jitsu com eles e foi isso. Mas eu vinha fazendo o meu cardio… Eu não cheguei na minha melhor forma porque eu fiquei mais de um mês sem treinar por conta da lesão, não estava com a cabeça muito boa. Mas eu precisava lutar o ADCC, mesmo sem saber se ia vencer ou não, para fazer o que eu gosto, que é lutar Jiu-Jitsu. Eu amo o MMA, mas eu estava precisando lutar Jiu-Jitsu. Eu precisava lutar uma vez na minha vida sem a pressão de ser a favorita… Até escutei algumas meninas falando que já tinha passado a ‘Era Gabi’, que não tinham medo de lutar comigo, e na verdade, não precisam ter esse medo. E eu acho que eu fiz um dos melhores ADCCs da minha carreira, porque eu lutei com a cabeça, eu saí dos EUA sabendo que seria a campeã, com a certeza de que eu ganharia o título do ADCC. A minha cabeça mudou um pouco, tanto é que na minha primeira luta, a menina foi para uma chave de pé, depois para o leglock, aí eu rodei e, quando eu vi o pé dela sobrando, eu ataquei e acabei machucando, mas eu acho que é uma nova Gabi. Eu acho que mudei minha cabeça, estou pensando mais em mim, estou mais madura. Acho que fiz um campeonato bonito, tecnicamente, lutei muito bem.

    – Retorno a uma competição de grappling

    Foi sensacional. Eu sempre durmo no avião, e dessa vez eu não consegui, foi difícil dormir, porque eu queria chegar e lutar logo, estava numa adrenalina muito grande. Mas eu fiquei calma em todas as lutas, acredito que estou mais madura, o MMA também me trouxe isso. Eu soube controlar minha adrenalina, sabia o que ia fazer nas minhas lutas, desenhei o que ia fazer, e na minha primeira luta, a menina acelerou muito, entrou embaixo de mim bem rápido, tentou duas finalizações… Até o Fábio (Gurgel) falou pra eu ter calma, mas não fui eu que acelerei, foi ela, mas deu certo, né? Foi a finalização mais rápida do campeonato. A energia foi muito boa, o público da Finlândia me aplaudindo, foi algo surreal. Acho que o público do Jiu-Jitsu começou a mudar comigo e eu estou muito feliz. Acredito que foi um dos títulos mais importantes para mim, como competidora… Mostrar para as pessoas que eu sou a Gabi Garcia. Não falem da boca para fora, não julguem as pessoas. Quem muito julga, está aí a minha resposta para elas (risos).

    – Revanche contra Jessica Flowers e pedido por mais reconhecimento às lutadoras

    É bom deixar claro sobre a Jessica (Flowers). Eu tenho um respeito enorme por ela. Eu sabia que seria uma luta muito dura, eu perdi para ela em 2015… Eu nunca falei que achei que foi uma luta roubada, porque a Jessica lutou melhor que eu naquele ADCC (em São Paulo). Eu não estava com a minha cabeça lá, não era a Gabi naquele ADCC. A Jessica é uma menina muito dura, mas eu sabia que se eu passasse por ela, seria campeã da categoria, porque ela estava do meu lado na chave. Depois da luta, eu fui conversar com ela, e a Jessica disse: ‘Poxa, Gabi, as pessoas nem sabem que eu ganhei de você (no ADCC 2015)’. O que me deixa chateada ainda no Jiu-Jitsu ainda é a mídia. Parece que para você conseguir as coisas, você precisa ter um biotipo, as pessoas não aceitam como os outros são, não aceitam se você é magro, gordo, forte… Não aceitam nada, você tem que ser do biotipo que as pessoas acham que você deve ser. Acho que muita gente me ama por ser como eu sou, assim como muitos me odeiam pelo mesmo motivo, mas ninguém deu méritos para a Jessica quando ela ganhou de mim, mas deram méritos para a Mackenzie, que foi uma luta roubada, todo mundo viu que foi uma luta roubada. E a Mackenzie fez o nome em cima de mim. Está certo, não posso falar nada, todo mundo fala de revanche… Não existe revanche com alguém que eu já lutei mais de 15 vezes.

    Na verdade, não tenho nada contra a Mackenzie, acho que ela está fazendo o trabalho dela. Se eu tiver que lutar com ela alguma vez, por mim tudo bem, mas ela fez o nome em cima de mim, está certa, não posso reclamar, deixei na mão dos juízes e perdi a luta. Mas acho que deveriam ter dado o mérito para a Jessica também, assim como deram para a Mackenzie, mas não foi o que aconteceu. Acredito que as pessoas precisam olhar o Jiu-Jitsu de uma outra forma. O público do Jiu-Jitsu tem que mudar isso, de o biotipo ter que ser esse ou aquele para vender. É uma coisa que fica chata… Foi como aconteceu no ADCC desse ano, quando a Mackenzie perdeu no campeonato e o público do ginásio inteiro veio abaixo, e eu acho que é uma sensação ruim de sentir. Acredito que ela não gostou de sentir, assim como eu não gostava de sentir na época que eu perdi, as pessoas torcerem para você perder. Construíram em volta dela uma coisa que a deixaram em um ‘plano superior’, e que agora ela está sofrendo as consequências, e eu fico chateada até por ela, porque todo mundo perde. Mas a Jessica é uma menina muito dura, foi a minha luta mais difícil. É uma das adversárias mais difíceis que já tive, junto com a Ana Laura e a Bia Mesquita. Tenho muita admiração por ela.

    – Final contra Talita Treta no ADCC

    A final com a Treta, assim, eu postei até uma foto com ela, porque tenho uma admiração muito grande. A gente luta há muitos anos… Ela é uma amiga minha, tem uma história de vida muito bonita, é uma batalhadora. Ela vem da mesma leva de faixas-preta que eu, sempre foi muito respeitosa com as adversárias. No início da carreira, ela era um pouco doidinha, mas acho que foi amadurecendo com o tempo. A gente já se encontrou várias vezes, ela tem um jogo de meia-guarda muito difícil, mas deu tudo certo no final. A Treta está indo para a carreira dela no MMA também, ela está no Bellator e tem tudo para ter uma trajetória bonita. Tenho muito respeito, foi muito legal ter feito a final contra ela.

    – Sensação de conquistar o tricampeonato e desejo de fazer história com o tetra em 2019

    A sensação de conquistar o tricampeonato foi uma das maiores felicidades, eu estava precisando disso, dessa sensação, essa alegria. Eu passava pelo pódio e falava que precisava estar ali. Eu me enxergava com a medalha dourada, e na hora que fiz a primeira luta, vi que as pessoas estavam torcendo por mim, percebi que foi a melhor decisão que eu tomei de última hora. Eu estava muito feliz e conquistar o tricampeonato foi demais, foi uma volta às competições bem melhor do que eu pensava. Agora, é esperar 2019 para conquistar o tetracampeonato, se Deus quiser, preciso treinar muito para isso. Tem a Hannette Staack, que é uma lenda do ADCC, a Kyra Gracie, que são tricampeãs também, como eu, então quem sabe, eu faça diferente mais uma vez na história, marque o meu nome de novo. Eu acho que o ADCC é o melhor campeonato de luta agarrada do mundo e ter sido a campeã fez o meu ano mais feliz.

    – Vontade de lutar o Mundial de Jiu-Jitsu em 2018

    Eu tenho muita vontade de lutar de quimono ainda. Eu me inscrevi no Pan-Americano (desse ano), mas infelizmente não pude lutar por conta de um erro na confirmação das equipes da Alliance. Mas ano que vem eu completo 10 anos do meu primeiro título na faixa-preta, então eu vou lutar, sim, o Mundial do ano que vem, isso está confirmado já para a minha cabeça. Eu espero não ter uma luta de MMA perto, mas se tiver, eu vou tentar treinar o Jiu-Jitsu e o MMA. Mas eu vou lutar nessa comemoração de 10 anos para tentar buscar mais um peso e absoluto, quem sabe encerrar a minha carreira de quimono da melhor forma possível. Como todo mundo viu, eu lutei sem patrocinador, sem nenhuma marca no ADCC, porque eu estou me despedindo do Jiu-Jitsu, das competições. Provavelmente eu não vá me despedir do ADCC, porque eu ganhei, estou classificada (para 2019), mas a gente não sabe, tem dois anos ainda. Mas eu acho que vai dar tudo certo e ano que vem, sim, estarei confirmada para lutar o Mundial. Não sei se vai ser o meu último Mundial, não posso confirmar 100%, mas eu estou com vontade de lutar de pano e vou deixar essa vontade acumular para lutar no ano que vem o Mundial. Estou de volta.

    – Esperava voltar de uma maneira tão positiva?

    Apesar da minha cabeça estar boa, eu não esperava voltar tão bem… Eu pensei que poderia sentir um pouco do meu gás, até por não estar no ritmo por causa da lesão e do tempo parada. Mas eu não senti nada. Eu estava com tanta vontade de lutar que nada me afetou. Eu acho que fiz o melhor ADCC da minha carreira, porque eu estava feliz, bem feliz. Acho que voltei da melhor maneira possível, com todos falando bem de mim. Consegui fazer algumas técnicas que nem uso durante das lutas, mas deu tudo certo, foi um ADCC perfeito.

    Gabi Garcia faturou o tricampeonato do ADCC, ao vencer Talita Treta na final (Foto reprodução Instagram)

    – Próxima luta pelo Rizin

    Eu tenho um contrato com o Rizin e eu vou lutar no Ano Novo. O meu contrato tem algumas lutas, sou contratada deles, então eu estou confirmada para lutar no card do final de dezembro, no Ano Novo. Não sei quem é minha adversária ainda, mas eu já voltei para a minha dieta. Acho que voltei tão empolgada que já voltei até a treinar, mesmo com uma lesão no pé. Depois dessa volta ao MMA, alguns torneios de Jiu-Jitsu me contataram para eu estar fazendo algumas superlutas, então vamos ver o que vai acontecer daqui para frente. Não dá para fazer tudo também, mas o meu foco agora é o MMA, no dia 31 de dezembro, no Rizin.

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