Coluna da Team Nogueira: ritual do corredor polonês, certo ou errado? Minotouro opina sobre

    Nesta coluna, Minotouro opinou sobre o corredor polonês, polêmica presente em algumas artes marciais (Foto divulgação)

    Motivado pelo questionamento do grande professor Fabio Gurgel, um dos líderes da Alliance, ao final do seu texto, em seu blog, em que ele fala sobre a tradição do corredor polonês nas graduações de Jiu-Jitsu, onde ele pergunta como as academias de artes marciais funcionam atualmente, se tem ou não tem este tipo de rito de passagem, resolvi criar esta artigo para falar como funcionam as graduações dentro da Team Nogueira.

    Este texto não poderia ser mais pertinente, uma vez que nossa unidade do Recreio, que aliás é a nossa matriz, nossa primeira academia da rede Team Nogueira, estará em festa celebrando mais uma graduação de Jiu-Jitsu e Muay Thai no próximo dia 2 de dezembro.

    O fato é que nos tempos de hoje não podemos fazer mais isso. Este ritual de corredor polonês não trás reconhecimento para ninguém, não passa de uma agressão. A Team Nogueira é contra esse tipo de ritual e a graduação do Jiu-Jitsu é um rito de passagem que deve ser levado a sério e com muito orgulho. Todos os grandes eventos da vida tem uma cerimônia, essa é uma grande confraternização deveras importante entre os alunos.

    É lá que os alunos terão o reconhecimento por parte de instrutores, demais alunos, familiares, etc. Representa o simbolismo de que agora o aluno deu um passo adiante no seu nível de evolução dentro do grupo. Aprender vai além das técnicas vistas na academia. Disciplina, pontualidade, ética, psicologia de combate, todas essas características não fazem parte da técnica adquirida, mas certamente um mestre de lutas e artes marciais as possui. Um mestre busca sempre obter impacto positivo na vida das pessoas, sejam elas participantes de lutas ou não. É uma filosofia de vida, sempre passada aos alunos.

    Por isso, como mestre, acho desnecessário a utilização do ritual do corredor polonês, pois o mais importante o aluno já fez, que foi cumprir a jornada. Ele treinou duro por meses e meses, até mesmo passando por todas as dificuldades do dia a dia e superando todas elas.

    Pedimos aos professores das nossas academias que não pratiquem esse ritual. O propósito do exame de graduação é ranquear o nível técnico de cada aluno, criando metas, avaliando com mais critério o desenvolvimento de cada um. Seja com faixa ou prajieds (kruangs), o sistema de classificação ajuda a mensurar o nível de dedicação e aptidão que cada aluno.

    Manter nosso aluno motivado a aprender e executar movimentos aos quais não estão acostumados, tirando da zona de conforto, com metas de chegar à conquista da próxima graduação. O exame é a melhor ferramenta para organizar a academia e mensurar os resultados obtidos. Funciona como forma de testar nível técnico e, em alguns casos, físico.

    Os praticantes de lutas e artes marciais, de um modo geral, tendem a se prender em técnicas e exercícios nos quais executam com maior facilidade, dificultando o aprendizado de novos movimentos, golpes e exercícios. Mas quando o aluno tem que prestar um exame contendo novas técnicas nas quais ele não possui um bom conhecimento ou domínio, o instrutor força a busca desse novo conhecimento, aumentando assim seu aprendizado.

    O instrutor deverá sempre avaliar os alunos e mostrar a seus alunos os aspectos positivos na realização dos exames de graduação. Por fim, deixo com vocês a reflexão do Dr. em Ed. Física, Jorge Felipe Columá, que é o criador da metodologia de ensino Team Nogueira.

    Confira abaixo:

    “Os ritos de iniciação e de passagem na Team Nogueira são realizados em cerimoniais que remetem a busca do caminho, cristalizado, sobretudo, na expressão oriental DÔ, vindo a significar o caminho do bem agir, do conviver, enfim, uma metáfora do sagrado, a partir das boas condutas e tomadas de atitude do praticante de lutas e artes marciais. A iniciação ou primeira graduação em alguma modalidade de luta inaugura um pacto, compromisso do praticante com a modalidade e em consequência com a Team Nogueira. Ao receber sua primeira graduação o praticante passa a fazer parte de um novo grupo, assumir uma nova identidade que pode retê-lo na turma e consequentemente na Team Nogueira. Os rituais, além de apontar os iniciados e diferenciar os alunos dentro das modalidades, são, sobretudo, de caráter formativo, afinal, assim como nossas aulas e eventos, as cerimônias possuem aspectos educacionais previstos em nossa metodologia. A Team Nogueira deve significar para seus praticantes uma instituição formadora de valores ligados à saúde, educação, disciplina e cidadania. Um local seguro e convidativo, uma verdadeira família”.

    21 COMENTÁRIOS

    1. Já no terceiro paragrafo começa o choro do politicamente correto. Pra mim é simples, se o aluno quiser participar vai lá e faz, se não quer é só ficar quietinho na dele; como pode um cara casca grossa desses virar um molenga pra agradar o que esta na moda?

        • Ricardo, talvez eu tenha me expressado mal, talvez vc não tenha compreendido o que quis dizer: o molenga a quem me refiro é ao Minotouro, pois acredito que ele esteja entrando na moda do politicamente correto ao dizer que essa tradição é uma agressão; e creio que ele faça isso para levantar e passar uma imagem positiva e agradável da marca dele….o que, na minha opinião, faz dele um molenga.
          Quanto as pessoas que passam por essa tradição, todos tem meu respeito.
          Abraços.

      • Concordo, o titulo da matéria já quer criar essa distinção entre certo e errado. Não explora toda a questão na minha opinião.

    2. Sou totalmente contra o corredor polonês, não prova nada e não acrescenta nada para o aluno.
      Só prejudica a imagem do BJJ

    3. Na academia pit bull e tradição mas so pra adultos de roxa pra cima. Não vejo problema algum passar por corredor mas também é importante o exame pra que o aluno continue sua evolução.

    4. A questão é quem passa no corredor, com certeza já formou o corredor.. da branca a preta.. Se isso é uma tradição da academia fica quem quer.. Meu Mestre diz o seguinte: ” a porta de entrada é a mesma de saída…então aguenta quem pode”…

    5. Fábio Gurgel, Minotouro, Sylvio Behring, grandes nomes das antigas do Jiu Jitsu que ja se posicionaram ser contra o corredor polonês, daí vem um monte de zé ninguém querer pagar de machão, como se esse tipo de prática tivesse alguma função real na qualidade do Jiu Jitsu de seus alunos. MAIS TÉCNICA, MENOS AGRESSIVIDADE!

      • Esses nomes citados hoje são empresários e estão corretos em banir esse rito, eles ganham concorrência pra que insiste em manter a tradição.

    6. A importância de uma tradição é muitas vezes esquecida. O rito do “corredor” não tem o objetivo de punição, agressão, domínio ou humilhação. Todo guerreiro que trilha o caminho suave enfrenta dificuldades e dor ao longo desse percurso. Quem nega esse fato está mentindo para si mesmo ou ludibriando futuros parceiros de treino. A tradição do corredor representa esse momento: ao passar pelo “corredor” o lutador deve se lembrar que toda a dor é passageira e faz parte do caminho; que aqueles que levantam a mão para golpeá-lo são, muitas das vezes, aqueles que o querem bem e o auxiliam no seu crescimento; que as dificuldades ficam pelo caminho e que no final de toda dor a glória apresentar um sabor mais apurado. É a conquista!
      Treino com homens, mulheres e crianças que já passaram por esse rito, alguns até resistiram em não querer participar, mas não assisti em nenhuma vez que participei um guerreiro sair dessa tradição uma pessoa pior do que antes. Pelo contrário, sempre saem com um sorriso no rosto e olhar reflexivo.
      Das vezes que participei sempre pude observar que o grupo sempre pesou a mão de acordo com o “couro” do lutador. Crianças e mulheres não tiveram a mesma mão que suportei e não vi injustiça nesse fato, percebi que o peso que esperam que eu suporte é proporcional as expectativas que depositaram em mim.
      Espero não decepcioná-los!

      • Rafael, parabéns … é exatamente isso! Obrigado pela sua contribuição. Acho que pouca gente entende esse simbolismo, e acrescentando a sua excelente explicação. A vida vai te bater muitas vezes, mas depende de vc seguir em frente e não desistir da sua evolução. Oss

      • Boa, concordo! Vc sintetizou o que sinto a respeito dessa tradição. Cria-se um sentimento de unidade!
        Abraços

    7. Aqui em Uberlândia-MG na Academia que eu treino, só apoiam esse corredor, os “Samurais que ganham mesada”. Os juvenis, trabalhadores, pais de família e lutadores que almejam viver de jiu jitsu repudiam. Mas tem uns caras de meia idade que não trabalham, que adoram rituais de subordinação no tatame. Eu tenho é dó. Pedem dinheiro para o papai para passear com as namoradas.

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