De volta ao UFC após suspensão, Nicolau revela Jiu-Jitsu como ‘refúgio’ em tempo inativo: ‘Foi valioso’

    Matheus Nicolau não luta pelo UFC desde julho do ano passado, quando venceu John Moraga (Foto: Getty Images)
    Matheus Nicolau não luta pelo UFC desde julho do ano passado, quando venceu John Moraga (Foto Getty Images / UFC)

    Por Mateus Machado

    Ex-participante do TUF Brasil 4, Matheus Nicolau começou sua trajetória no Ultimate de forma promissora, com duas vitórias, sendo a última contra o experiente John Moraga, atual nono colocado no ranking peso-mosca do UFC. No entanto, quando tudo parecia fluir da melhor maneira possível para o jovem lutador de apenas 24 anos, veio à tona uma notícia impactante. Após testar positivo em um exame antidoping, Nicolau recebeu uma suspensão de um ano aplicada pela USADA (Agência Antidoping dos Estados Unidos).

    Cumprida a suspensão, Matheus está pronto para retornar ao octógono no dia 30 de dezembro, pelo UFC 219, último evento da franquia em 2017. Seu adversário será Louis Smolka, atual 13º no ranking da divisão. Em entrevista exclusiva à TATAME, Nicolau, que não luta desde julho de 2016, falou sobre o longo tempo que ficou inativo do MMA.

    “Já tive alguns períodos que fiquei um tempo maior sem lutar, por diversos motivos, e sempre consegui voltar de forma fluída, tranquila e em boa forma. Dessa vez, procurei me manter competitivo, treinando em alto nível, com grandes nomes do MMA e me testando, sobretudo, nas competições de Jiu-Jitsu, que foram importantes”, disse o jovem lutador.

    Veja outros trechos da entrevista com Matheus Nicolau:

    – Expectativa para voltar ao UFC após mais de um ano parado

    Expectativa muito positiva. Um evento muito importante, fechando o calendário do UFC em 2017. Estou muito feliz com essa oportunidade, motivado com esse desafio e com muita saudade de lutar. É subir no octógono com a mentalidade de sempre, dar o meu melhor e deixar tudo que for preciso para sair com a vitória. Esse é o meu foco no momento.

    – Competições de Jiu-Jitsu enquanto cumpria a suspensão

    Não competia em campeonatos de Jiu-Jitsu com frequência desde a faixa azul. Foi algo muito divertido e valioso. Pude evoluir meu jogo de chão, manter a minha chama competitiva acesa, além de “redescobrir” a minha paixão em ir para a academia todos os dias em busca da minha evolução como artista marcial. Foi muito importante pra mim.

    – Além das competições de Jiu-Jitsu, outros pontos de evolução

    Fiquei um período longo no primeiro semestre em Nova Jersey (EUA), treinando Wrestling. Ajudei alguns amigos em camps, como o Marlon Moraes e o Saul Almeida. Me mantive treinado, me desafiando todos os dias e evoluindo minha arte marcial. Além disso, estudei algumas coisas, li livros e pratiquei meditação, mas ainda estou ruim na meditação (risos).

    – Problemas financeiros e com patrocinadores durante suspensão

    Na realidade, a falta de patrocinadores é uma constante desde o meu primeiro dia como atleta de MMA. O esporte no Brasil, exceção feita ao futebol e bem pouco ao Vôlei, ainda carece de investidores. A questão da falta de patrocínio não é uma exclusividade minha, tampouco do MMA. Vemos diariamente pessoas talentosas em diversos esportes não podendo dar a devida atenção ao seu processo evolutivo, por ter que dividir seu tempo com outras atividades profissionais. Eu tenho algumas pessoas que estão comigo há algum tempo, como o Projeto Sabor de BH e a Predator MMA, que me ajudam bastante, além de ter muitos amigos e profissionais, que sempre buscam formas de fazer as coisas acontecerem. Mas ainda acho que é pouco para um atleta que, com apenas duas lutas, já esteve ranqueado entre os dez melhores do seu peso no maior evento do mundo.

    Nicolau vai em busca da sua terceira vitória consecutiva no Ultimate, agora contra Smolka (Foto Sherdog)

    – Segredos para não sentir a falta de ritmo de luta no UFC 219

    Já tive alguns períodos que fiquei um tempo maior sem lutar, por diversos motivos, e sempre consegui voltar de forma fluída, tranquila e em boa forma. Dessa vez, procurei me manter competitivo, treinando em alto nível, com grandes nomes do MMA e me testando, sobretudo, nas competições de Jiu-Jitsu, que foram importantes pra mim nesse tempo.

    – Próximos planos em relação a treinamentos e intercâmbios

    Me considero um peregrino. Vou em busca do melhor treino para aquele momento. E sempre deixando as portas abertas por onde tenho passado, o que é mais importante. Na luta contra o (Bruno) Korea, me preparei na Nova União, um celeiro de grandes atletas de todos os pesos e estilos possíveis. Contra o (John) Moraga, me preparei na Jackson-Wink e foi interessante para abrir minhas perspectivas. Agora, optei por fazer o camp no Demian Maia, na Vila da Luta, em São Paulo. Em São Paulo, tenho uma boa base, além de ser perto da minha cidade natal (BH). Aqui fico do lado do meu médico Dr. Felipe Pereira, especializado em medicina esportiva, e do meu treinador de Boxe Alex Cardoso. Uma galera do Rio de Janeiro tem vindo aqui me ajudar no camp, como o Pedro Falcão e o Kauê Fernandes. Em breve, o Roberto Corvo, que está junto comigo há mais de cinco anos já, chega também para auxiliar na preparação e estudos para a luta. Sem falar em todo o time da Vila da Luta e meu empresário e head coach, Eduardo Alonso, que estão comigo.

    CARD COMPLETO:

    UFC 219
    T-Mobile Arena, em Las Vegas (EUA)
    Sábado, 30 de dezembro de 2017

    Cris Cyborg x Holly Holm
    Khabib Nurmagomedov x Edson Barboza
    Jimmie Rivera x John Lineker
    Cynthia Calvillo x Carla Esparza
    Carlos Condit x Neil Magny
    Khalil Rountree x Michal Oleksiejczuk
    Myles Jury x Rick Glenn
    Louis Smolka x Matheus Nicolau
    Dan Hooker x Marc Diakiese
    Marvin Vettori x Omari Akhmedov
    Tim Elliott x Mark De La Rosa

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