Coluna da Arte Suave: o Jiu-Jitsu como agente de humildade e respeito; confira o artigo

    Luiz Dias fala sobre a importância da humildade e respeito no Jiu-Jitsu (Foto: Ilan Pellenberg)
    Luiz Dias fala sobre a importância da humildade e respeito no Jiu-Jitsu (Foto: Ilan Pellenberg)

    Por Luiz Dias

    Nossa Arte Suave, para alguns, é somente uma arte marcial. Mas para muitos, é um caminho de autoconhecimento, aperfeiçoar a mente e cuidar do corpo também. O Jiu-Jitsu é um caminho, uma filosofia de vida já comentados por nós. Mas a nossa Arte Suave deve ser pautada numa virtude principal, a humildade.

    Creio que, ao pisarmos no dojô, temos de estar com a mente aberta e o principal, ter humildade. Todos os lutadores estão em sua caminhada no aprendizado. Então, vamos respeitar e incentivar nossos parceiros de treino, principalmente os faixas branca. Quando alguém mostrar uma posição, procure parar e olhar, estudar, pois é importante termos a mente aberta sempre para aprender.

    É um assunto que já comentei, mas sempre é atual. Não meça pela faixa ou pelo porte físico, ou por ser ou não ser competidor. Sempre tenha respeito e humildade para todos que, como você, está naquele momento de quimono buscando sua evolução. O termo “dojô” foi inspirado do budismo, local onde se caminha para a iluminação.

    Se você percebe o Jiu-Jitsu como um estilo, uma filosofia de vida, verá que o Jiu-Jitsu é um agente transformador. A cada treino, você evolui, e creio que um dos principais ensinamentos e trampolim para a evolução dentro do esporte é o respeito e a humildade em relação a um parceiro de treino menos graduado, ou a um oponente em campeonatos, mesmo que você já o tenha derrotado anteriormente.

    Não gosto quando percebo que algum aluno meu muda sua maneira de treinar, luta sem atenção ou com má vontade, por achar que o treino não lhe acrescentará nada. Todo treino é bom, mesmo que seja dar oportunidade de um menos graduado treinar com alguém mais técnico. Lembre-se: todos nós já fomos faixas branca, e quando éramos faixas branca, não era animador treinar com mais graduados? Você que é mais graduado, lembre-se sempre da sua caminhada. Você deve respeitar o seu adversário de treino ou na competição em que estiver.

    Um atleta pode ser mais forte, mas o Jiu-Jitsu está é dentro de cada um de nós. As faixas mostram o tempo que cada um treina, mas não é um marcador seguro de quem vai ganhar. Um lutador pode ser mais agressivo, outro lutador pode ser mais calado, mas é no decorrer da luta que o resultado se desenha, e muitas vezes, surpreendem a todos.

    “Se tamanho fosse documento, o elefante seria o rei da selva!”. Frase muito ouvida no Jiu-Jitsu. Já vi lutadores escolherem oponentes para treinarem achando que seria um treino fácil ou pelo menos tranquilo, e tomarem um carro, e também tem o inverso, anteverem um treino duro e não quererem lutar com medo de terem que dar os três tapinhas. Esse eu acho também uma grande perda de oportunidade de você puxar o seu nível. Quando isso acontece, muitas vezes, é por conta de uma falta de humildade, princípio básico para todos os lutadores.

    Quantos de nós já não vimos amigos perderem por soberba ou chegar cheio de marra numa luta e tomar um carro? Você sabe que ele é melhor, mas lutou tão “poderoso”, com um ar de que finaliza quando quiser, que perdeu o foco da luta, ou melhor, nem entrou na luta, enquanto que aquele outro lutador, consciente de suas limitações e ou sabedor da superioridade de seu adversário, lutou focado, respeitando seu oponente, mais atento ao momento presente da luta e percebendo a hora exata de uma raspagem ou finalização, acreditando que também poderia vencer.

    Acredito ser um fator importante a autoconfiança, mas nunca confundir com arrogância. O lutador não pode e nem deve desrespeitar seus oponentes antes, durante ou depois de uma luta de campeonato ou em treinos. Podemos até mesmo, numa luta, sabermos intimamente que temos tudo para ganhar, mas respeitar o oponente é fundamental. Ser humilde é o primeiro passo para estarmos sempre aprendendo e evoluindo na nossa Arte Suave.

    Conheço lutadores que se colocam como se não tivessem mais nada a aprender. Acredito que o aprendizado é constante. Quando você está de mente vazia, ela pode ser receptiva e aprender novas posições, drills e perceber novas possibilidades vislumbradas por outro lutador. Sempre escuto e presto atenção quando vão me mostrar posições, porque pode ser um aprendizado muito importante. Às vezes, aquele lutador mais quieto, ou que você não conhece, pode te mostrar uma excelente técnica.

    Já presenciei, em campeonatos, vitórias de atletas que nem torcida tinham. Treine sempre com respeito, ou a lição pode vir com um gosto amargo. A luta só acaba quando o árbitro sinaliza o fim do combate ou um dos lutadores dá os três tapinhas.

    Para mais informações, veja https://www.instagram.com/luizdiasbjj/ ou entre em contato pelo e-mail geracao.artesuave@yahoo.com.br. Também conheça o http://www.geracaoartesuave.com.br/. Boa semana, bons treinos e até a próxima!

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