Lyoto analisa resgate do Caratê, mira o topo da divisão e pede Bisping: ‘Clássico’

    Lyoto Machida desafiou Michael Bisping e afirmou que é mais um clássico pra acontecer (Foto Getty Images / UFC)

    Por Mateus Machado e Yago Rédua

    Na noite de sábado (12), no Rio de Janeiro, pelo UFC 224, Lyoto Machida colocou um ponto final na trajetória de Vitor Belfort no Ultimate com um chute à lá Anderson Silva. Com a segunda vitória seguida, o “Dragão” afirmou em coletiva de imprensa que está se “reerguendo” na carreira e aproveitou para “mirar” o topo da categoria dos pesos-médios.

    “Olha, eu sempre treinei muito sério. Tive momentos de baixa na carreira, mas estou me reerguendo de novo. Quero voltar para o topo da divisão em busca de uma vaga pelo cinturão. Mas acho que ainda é muito cedo para falar, acabei de conseguir a minha segunda vitória, preciso de mais consistência. É uma luta de cada vez. É difícil falar (se foi a maior vitória da carreira), mas cada momento é um momento. Fiz uma grande luta com o Randy Couture também, com o Thiago Silva, outras e outras lutas. Acho que eu tenho que valorizar o momento que eu estou vivendo agora”, projetou o experiente lutador.

    No chute magistral que sacramentou sua vitória sobre Belfort, Lyoto repetiu o feito que ele mesmo realizou contra Randy Couture em 2011 – que também encerrava a carreira. Ainda no octógono, o “Dragão” desafiou Michael Bisping, que segundo ele vai fazer mais um combate e também colocar um ponto final na sua trajetória dentro do MMA. O ex-campeão ainda deu detalhes da técnica aplicada e afirmou que tem dado mais ênfase ao Caratê.

    Confira abaixo a entrevista coletiva de Lyoto Machida:

    – Técnica para colocar o chute

    Acho que pelo contrário, o meu estilo é esperar o momento certo. Eu preciso de uma técnica, uma técnica bem colocada, que eu sei que posso terminar a luta. (Sobre a minha reação após o chute) na verdade, eu não corri, não fiz nada, porque eu respeito o Vitor (Belfort). Acho que a arte marcial mostra muito esse lado de respeito, que está sendo esquecida no esporte MMA. As pessoas precisam entender que viemos da arte marcial e temos que trazer esse respeito. o meu adversário é uma ferramenta para eu mostrar o meu trabalho, Por isso, tenho respeito a ele em todos os momentos, na vitória ou derrota.

    – Retorno as origens do Caratê

    Desde a luta passada, eu venho treinando bastante e buscado voltar as minhas origens. Eu nunca deixei de usar muito o Caratê, mas eu parei de dar muita ênfase. Acho que o MMA é um esporte multidisciplinar, que exige você conhecer o Boxe, Muay Thai, Judô, Jiu-Jitsu e outras modalidades, mas que você não pode esquecer a sua essência. Então, foi esse o princípio que eu usei para treinar novamente o Caratê. Eu vi a oportunidade de encaixar o golpe. É assim: na minha concepção, quando você está muito bem treinado, eu não posso me preocupar com a técnica que eu treinei. O engraçado é que foi um chute que eu não treinei tanto, não estava na minha lista de golpes para executar. Mas na hora, eu olhei e pensei: acho que esse golpe entra. A luta é muito sentir, do que você ver naquela hora.

    – Reação após o golpe aplicado

    Na hora que eu senti que o golpe encaixou, eu tive a percepção de que não precisava machucar o Vitor Belfort. Ele já estava debilitado ali, eu realmente só coloquei a mão na cintura para ver se ele ia reagir ou não. Quando eu vi que não teria mais reação, eu peguei, sai de perto e sentei. Como eu falei, é um ato da arte marcial de reverenciar o seu oponente e eu fiz isso com ele. Achei muito parecido com o golpe do Anderson Silva. Acho que o do Randy foi mais (bonito). Mais clássico (risos). É muito bom, você tem a sensação de uma vitória mais contundente como essa por nocaute. É uma sensação indescritível.

    De longe, Lyoto Machida mostra seu respeito a Vitor Belfort, após golpe aplicado (Foto Getty Images / UFC)

    – Luta contra o Michael Bisping

    Olha… (risos). Já me perguntaram isso (se deseja encerrar a carreira do Michael Bisping com um chute também). Vamos ver, né. Eu ainda não sei se essa luta vai acontecer. Mas, eu gostaria de fazer essa luta com o Michael Bisping, que é um grande nome que também já foi campeão do UFC, e é um clássico que ainda não aconteceu. Com certeza (lutar em São Paulo). Talvez, eu lute até antes (risos). Agora eu embalei. É uma luta atrás da outra.

    – Possível aposentadoria do Vitor

    Acho que sim. O Vitor está muito ligado à parte mental sobre isso. Um cara de 40 anos, 42, tá aí o Romero de 40 e poucos anos provando que, se você tem aquela vontade ainda, agora está muito ligado à cabeça. Às vezes, não é só a competição em si. É o camp, alimentação, viajar, se afastar da família… isso é cansativo. De repente isso cansa e você não quer mais competir. Então, depende muito da sua motivação. O Vitor é um cara que ainda tem muito a oferecer, depende muito da cabeça dele. Se o Vitor não voltar mais, acho que é uma decisão muito pessoal dele. Que ele possa ser feliz e fazer os projetos pessoais dele. Não sei qual é o que ele pretende fazer e que possa ter sucesso, certeza.

    RESULTADOS COMPLETOS:

    UFC 224
    Jeunesse Arena, no Rio de Janeiro (RJ)
    Sábado, 12 de maio de 2018

    Card principal
    Amanda Nunes derrotou Raquel Pennington por nocaute técnico no 5R
    Kelvin Gastelum derrotou Ronaldo Jacaré por decisão dividida dos jurados
    Mackenzie Dern finalizou Amanda Cooper com um mata-leão no 1R
    John Lineker derrotou Brian Kelleher por nocaute no 3R
    Lyoto Machida derrotou Vitor Belfort por nocaute no 2R

    Card preliminar
    Cézar Mutante finalizou Karl Roberson com um katagatame no 1R
    Alexey Oleynik finalizou Júnior Albini com um estrangulamento Ezequiel no 1R
    Davi Ramos finalizou Nick Hein com um mata-leão no 1R
    Elizeu Capoeira derrotou Sean Strickland por nocaute no 1R
    Warlley Alves derrotou Sultan Aliev por nocaute técnico no 2R
    Jack Hermansson derrotou Thales Leites por nocaute técnico no 3R
    Ramazan Emeev derrotou Alberto Miná por decisão unânime dos jurados
    Markus Maluko finalizou James Bochnovic com um mata-leão no 1R

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