Mackenzie detalha problema no corte de peso e desabafa após vitória: ‘Eu tentei’

    Mackenzie Dern contou à imprensa detalhes do problema no corte de peso para o UFC 224 (Foto Getty Images / UFC)

    Por Mateus Machado e Yago Rédua

    Quando tudo parecia ser favorável para Mackenzie Dern no UFC 224, realizado no último sábado (12), no Rio de Janeiro, sua luta ganhou contornos de drama na sexta-feira (11). A lutadora não bateu o peso e registrou 3,2kg acima do limite da categoria dos palhas. Amanda Cooper aceitou enfrentá-la mesmo assim e ficou com 30% da bolsa da adversária. No confronto, a campeã mundial de Jiu-Jitsu finalizou “ABC” no primeiro round e, em entrevista coletiva, comentou sobre o problema que a impossibilitou de bater o peso.

    “Todo mundo me pergunta o que aconteceu no corte de peso. Eu posso falar aqui para vocês, dez mil desculpas. Realmente, o que aconteceu com o peso foi um problema lá atrás, desde a minha última luta. Acho que é a dieta, preciso acertar a deita. O fato de eu ter conseguido antes, eu achei que sabia o que estava fazendo. Muitas coisas vêm acontecendo, não que sejam desculpas, mas eu perdi voo. Várias coisas aconteceram. Foi indo, indo… O UFC, desde o dia que cheguei (no Rio), estava em cima de mim, querendo me ajudar. E eu falava: ‘Não, eu vou conseguir’. Chegou sexta-feira, 9h da manhã, não estava saindo mais nada. Eu estava lá na sauna, não estava saindo mais água nenhuma. Eu estava suando, não estava conseguindo andar e a Comissão (CABMMA) disse que eu não podia continuar (o corte de peso). Graças a Deus, a Amanda (Cooper) aceitou a luta. É uma coisa que eu tenho vergonha, lógico que eu não quero que isso aconteça de novo. Pra mim isso foi um erro. O UFC está investindo em mim, eu vou para Vegas (EUA), trabalhar com eles no instituto de atletas, para isso nunca mais acontecer”, apontou Mackenzie.

    A norte-americana com origem brasileira seguiu dando detalhes do problema no corte de peso e revelou uma conversa com o UFC para trabalhar em conjunto no Instituto da organização em Las Vegas (EUA), referente as questões do peso. Dern disse ainda que a comemoração no fim foi um desabafo após todas as dificuldades durante o camp, como a saída da MMA Lab, há cerca de quatro semanas para a luta no card do Rio de Janeiro.

    Confira abaixo a entrevista coletiva de Mackenzie Dern:

    – Análise da vitória sobre Cooper

    Muitas pessoas estavam reclamando, falando que o meu Wrestling não estava bom e eu não estava conseguindo quedar. Eu, então, trabalhei muito isso e achei que nessa luta eu fosse conseguir uma queda, mas eu estava treinando lá na Califórnia (EUA) e meu treinador falou sobre a minha mão direita, que era para eu jogar. O que deu mais certo nesta luta foi eu não entrar 100%, mexendo a cabeça, ficar olhando. Isso foi uma coisa que treinamos muito nesse camp. De não sair 100% nos primeiros minutos e depois, com o tempo, iria encaixar. Quando eu vi que o soco acertou, eu: “caraca, é muito sinistro”.

    – Passo a passo do corte de peso

    Quando eu cheguei (no Rio de Janeiro), cheguei pesada. Só que eu havia perdido o meu voo, então demorei mais um pouquinho. Quando eu cheguei, o UFC me pesou, como faz com os atletas, e disse que estava pesada. Eles falaram: “Olha, você está pesada. É preciso que baixe o peso amanhã”. Eu cheguei do voo, comecei o trabalho e consegui atingir aquela marca. Na quarta-feira, eu continuei confiante, estava descendo, havia perdido 4kg em um dia. Na quinta a noite, eu estava um pouco nervosa. Falei com o meu empresário, assessor e disse que estava difícil. Não sei como vai ser, vamos lá amanhã. Na sexta-feira, acordei 6h da manhã, fomos para a sauna, tentando, tentando, a cabeça estava boa, estava consciente e tudo. Mas, chegou uma hora que não estava saindo. A Comissão estava lá também, estava olhando. Chegou 9h, a pesagem foi de 9h às 11h, eu fiquei duas horas na sauna e perdi 500g. E falei: “Não vou bater”. Eles falaram que iam correr atrás para ver se ela (Amanda Cooper) aceitava lutar mesmo assim. Mas eu tentei. Fiz o máximo, não foi minha escolha de não tentar. A Comissão (CABMMA) e o meu empresário falaram que não ia bater mais (o peso), então foi uma decisão de todos.

    – Conversa com o UFC sobre o peso

    Meu empresário disse que talvez o UFC queira que eu suba de peso (mosca). Acredito que não. Porque no mesmo dia, na sexta-feira (dia da pesagem), eles me ligaram e falaram: “Olha, temos um instituto aqui em Las Vegas, nós vamos investir (em você). Queremos você aqui, para trabalhar conosco”. Eu disse que estava bom, que ia trabalhar com eles. Eu não posso perder essa oportunidade de receber ajuda de uma organização tão grande, que vai me ajudar a bater esse peso. Já me falaram, que mesmo sem lutar, daqui a uns dois meses, eu tenho que bater 52kg (peso da divisão dos palhas). Eu acredito no que eles estão me oferecendo. Vou aproveitar essa ajuda deles para me concentrar nesse objetivo.

    – Lutar no Brasil pesou na vitória

    Acho que foi experiência de competidora (lidar com as críticas). Sempre na minha vida inteira no Jiu-Jitsu tiveram pessoas que cobravam muita coisa de mim, porque meu pai é uma lenda do esporte. “Ah, é a filha do Megaton, tem que ser boa de Jiu-Jitsu”. Tinham pessoas me cobrando e outras falando que, mesmo se eu ganhasse, seria por causa do peso, porque eu estava pesando mais. Eu não pensei muito. A única coisa que eu pensei foi em chegar lá e fazer o meu trabalho, mas o que realmente mais ajudou foi o fato de eu estar aqui no Brasil. Se eu tivesse lutado em Las Vegas ou em outro lugar, teria sentido um pouco mais. Eu sabia que lutando aqui no Brasil, representando o Brasil, sei como os brasileiros apoiam os atletas deles. Independente de qualquer coisa, se algo ruim tivesse que acontecer, ainda bem que aconteceu aqui, porque sei que a galera iria me apoiar de qualquer jeito. O fato de lutar aqui no Brasil, me deu a motivação que eu precisava.

    Dern contou sobre o contato com Cooper após as provocações da rival antes da luta (Foto Getty Images / UFC)

    – Lutar diante do pai pela primeira vez

    Pra mim foi muito tranquilo, antes da luta eu estava bem e relaxada. Eu vi o meu pai no hotel, ele veio para o evento sozinho, com uma amiga minha. Queria ter visto a cara dele quando eu ganhei (risos), não conseguia ver. Depois, vi na TV ele gritando e fiquei muito feliz. Eu sou muito competitiva, faço isso a minha vida inteira. Na hora que eu entrei no octógono, minha cabeça era lá na luta e a parte do peso já era passado. Já foi, não posso mais fazer nada com isso. É uma vergonha para mim, não quero mais não bater o peso. Ela (Cooper) aceitou a luta, fui lá, fiz o melhor e não posso deixar isso acontecer de novo.

    – Saída da equipe e provocações da rival

    A comemoração não tinha nada a ver com o peso, na minha cabeça eu já tinha deixado para trás. Era muito mais por tudo que eu passei no meu camp, que até tentamos deixar isso bem quieto, mas foi uma coisa inesperada, realmente. A minha antiga equipe (MMA Lab) me expulsou da academia, faltando quatro semanas para essa luta. Foi correria, eu na Califórnia (EUA) tentando arrumar pessoas pra fazer um time. O meu treinador de striking não podia viajar para o Brasil comigo. A maioria das pessoas iriam pedir para parar, esperar a luta para uma outra hora. Com a vitória, por finalização, mais essa emoção que eu tinha… A Amanda ela deu a mão pra mim, mas eu abracei. Sou um pouco assim (risos).

    RESULTADOS COMPLETOS:

    UFC 224
    Jeunesse Arena, no Rio de Janeiro (RJ)
    Sábado, 12 de maio de 2018

    Card principal
    Amanda Nunes derrotou Raquel Pennington por nocaute técnico no 5R
    Kelvin Gastelum derrotou Ronaldo Jacaré por decisão dividida dos jurados
    Mackenzie Dern finalizou Amanda Cooper com um mata-leão no 1R
    John Lineker derrotou Brian Kelleher por nocaute no 3R
    Lyoto Machida derrotou Vitor Belfort por nocaute no 2R

    Card preliminar
    Cézar Mutante finalizou Karl Roberson com um katagatame no 1R
    Alexey Oleynik finalizou Júnior Albini com um estrangulamento Ezequiel no 1R
    Davi Ramos finalizou Nick Hein com um mata-leão no 1R
    Elizeu Capoeira derrotou Sean Strickland por nocaute no 1R
    Warlley Alves derrotou Sultan Aliev por nocaute técnico no 2R
    Jack Hermansson derrotou Thales Leites por nocaute técnico no 3R
    Ramazan Emeev derrotou Alberto Miná por decisão unânime dos jurados
    Markus Maluko finalizou James Bochnovic com um mata-leão no 1R

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