‘Dr. faixa-preta’: Rogério Padovan cita desafios em conciliar rotinas de médico e lutador; confira

    Rogério Padovan realiza trabalho com feras do MMA, como Johny Eduardo, lutador do UFC (Foto reprodução)

    Por Mateus Machado

    Conciliar a rotina de uma profissão com a prática de esportes, seja de forma amadora ou profissional, não é uma tarefa fácil. No entanto, apesar do cenário desafiador, existem casos de sucesso, como o de Rogério Padovan. Com uma trajetória consolidada na Medicina, com diversos projetos já realizados, incluindo o “Núcleo Padovan”, que envolve a medicina especializada, o paulista é um verdadeiro amante das artes marciais, sendo faixa-preta de Caratê, faixa-azul de Jiu-Jitsu e também praticante da nobre arte do Boxe.

    Na opinião de Rogério, a luta atua como uma “terapia” e auxilia na sua verdadeira paixão, que é a Medicina. Com um trabalho bem estruturado em seu núcleo na luta contra a obesidade, na busca pelo bem-estar, Padovan falou dos principais desafios em conciliar suas funções como médico e atleta, já que também compete, atualmente no Jiu-Jitsu.

    “Uma coisa que eu falo e é muito interessante: eu já vivi do esporte, e hoje eu vivo para o esporte. Não é fácil você ser médico, bater peso, cuidar de pessoas com obesidade, pessoas que estão doentes e que precisam de suas necessidades, e você também estar do outro lado da cadeira, passando seu conhecimento, mas também tendo que agir da mesma forma para ter resultado, e isso me ajuda muito na medicina, porque eu não falo apenas como médico, eu falo como atleta de alto rendimento, que tem esse objetivo de cuidar das pessoas que necessitam, e também me preocupar em cuidar de mim”, disse Rogério.

    Confira a entrevista completa com Rogério Padovan:

    – Trajetória na Medicina até os dias atuais

    Eu me formei em Medicina em 2001, pela Universidade do Oeste Paulista e eu tinha um grande sonho na minha vida, de ser da Força Aérea Brasileira. Eu acabei prestando residência médica para cirurgia geral e prestei para as Forças Armadas, e acabei sendo aprovado nas duas instituições. Eu tranquei a residência de cirurgia geral, fui para Manaus e lá eu me tornei militar. Hoje, eu sou segundo tenente da Força Aérea Médica, me formei e foi uma das melhores experiências da minha vida, ser médico oficial da Força Aérea. Depois disso, fiz mais três anos de residência – cirurgia geral na Santa Casa, de Ribeirão Preto, e em 2005 eu fiz Nutrologia na USP. Depois, eu vim fazendo diversos cursos, graduações, fiz novamente Nutrologia pela Santa Casa de São Paulo, em 2013 e em 2015, eu fiz pós-graduação em Nutrologia Esportiva e em 2014, eu fiz outra pós-graduação, de medicina do esporte. Hoje, eu atuo como médico na área esportiva e de emagrecimento.

    – Como conciliar a luta com a rotina de médico

    Uma coisa que eu falo e é muito interessante: eu já vivi do esporte, e hoje eu vivo para o esporte. Sou faixa-preta 1º Dan pela Confederação Brasileira, pela Federação Paulista e pelo Estilo. Fui cinco vezes Campeão Brasileiro de Caratê, 8 vezes Campeão Regional, disputei jogos regionais, abertos, disputei seletivas para Mundiais e eu amo o que faço. Eu disputei Caratê até o sexto ano de Medicina. Fui para Ribeirão Preto, comecei o Boxe e lutei a Forja de Campeões, que é o maior campeonato amador de Boxe e sempre fui da luta em pé. Comecei no Jiu-Jitsu com o professor Tony Maneiro, na Checkmat, e em 2016, pela Black, fui campeão paulista de Jiu-Jitsu e em 2018 campeão paulista pelo Grand Slam de Abu Dhabi. Estou na faixa-azul 4º Grau e me considero um bom lutador (risos). Não é fácil você ser médico, bater peso, cuidar de pessoas com obesidade, pessoas que estão doentes e que precisam de suas necessidades, e você também estar do outro lado da cadeira, passando seu conhecimento, mas também tendo que agir da mesma forma para ter resultado, e isso me ajuda muito na medicina, porque eu não falo apenas como médico, eu falo como atleta de alto rendimento, que tem esse objetivo de cuidar das pessoas que necessitam. Mas eu sei também, na prática, o que é bater um peso, o que é se dedicar numa alimentação, o que é alto rendimento. Na prática, a teoria é outra, então você precisa saber que cada metabolismo e pessoa respondem de uma certa forma.

    Rogério Padovan é médico e concilia sua profissão com a paixão pelas artes marciais (Foto reprodução)

    – Núcleo Padovan de medicina especializada

    O Núcleo Padovan é um sonho realizado e está na Zona Norte de São Paulo, na frente do Campo de Marte. É um núcleo em que temos uma medicina especializada. Nós temos profissionais da nutrição, educadores físicos, fisiologistas, que trabalham no condicionamento, na alimentação, em todo esse aspecto para o paciente, tanto para atletas de alto rendimento, principalmente para pacientes obesos, que emagrecem, ou pacientes que querem entrar em emagrecimento e, posteriormente, virar um atleta amador. Essa é a grande paixão da minha vida. Hoje em dia, eu tenho muitos atletas de ponta… Atletas olímpicos, do UFC, mas a minha grande paixão é o emagrecimento, é o paciente que busca um sonho de emagrecer e, posteriormente, começa a praticar esportes. Isso é uma coisa que estamos fazendo muito bem aqui no consultório. O núcleo, hoje, tem uma série de funções cardio-pulmonar, nessa parte de treinos, emagrecimento. É bem avançado.

    – Artes marciais na luta contra a obesidade

    Meu trabalho hoje envolve muito essa luta contra a obesidade, e o que as artes marciais podem ajudar nesse sentido? Quando eu falo em alto rendimento na hora do emagrecimento, eu não quero que um paciente meu corra 100 metros em 9 segundos. Quando eu falo em emagrecimento, é periodizar o treinamento e otimizar a alimentação do paciente, e há luta, sim… O paciente nunca fez nada, tem o estresse do dia a dia, de uma cidade grande, então a luta acaba sendo uma terapia para o nosso cliente, então a luta acaba sendo uma terapia com objetivo de emagrecimento. O paciente nunca praticou uma luta, me diz que nunca fez nada, então eu falo para ele fazer um Boxe duas vezes por semana, começar a ter uma atividade física. Se não quer fazer uma luta, então faz uma caminhada. Acredito que o mais importante, em tudo, é fazer o que gosta, mas a luta, em si, ajuda muito. Tanto a luta funcional quanto a luta em alto rendimento. O Muay Thai, Jiu-Jitsu e Boxe são muito importantes para a perda de peso do paciente, com certeza.

    – Trabalho realizado com atletas de ponta

    Em relação aos atletas de ponta, eu fiquei muito feliz que em 2016, nas Olimpíadas, eu tive o 4×100, o Gustavo Araújo é meu paciente e fomos campeões paralímpicos. O Éder Santos, nas Olimpíadas, foi semifinalista. Atualmente, no UFC, eu tenho o Johnny Eduardo, no Bellator, eu tenho a Talita Treta, que vai disputar o cinturão. Tenho muitos amigos que passaram comigo, amigos pessoais de treino, como o Fábio Maldonado, o Rogério Minotouro, Rick Monstro, Elias Silvério, entre outros, fora no MMA amador, o Edelson, no Boxe. Além de ser um médico, eu gosto muito, saio na mão com esses caras (risos), faço frente com eles. Para mim, a medicina é o meu amor e a luta é minha terapia.

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