Segurança, churrasqueiro, lutador e vencedor na vida: conheça Charles ‘Blackout’, estrela do WOCS 50

    Charles Blackout vai realizar a luta principal do WOCS 50, sábado (19), na Barra da Tijuca (Foto Esporte Interativo)

    Por Esporte Interativo

    ​A luta principal da edição de dez anos do Watch Out Combat Show, o WOCS 50, coloca em disputa o título vago dos pesos-moscas da organização entre Matheus “Raposinha” e o representante da Chute Boxe e Gracie Barra, Charles “Blackout”. Porém, quem assistir à transmissão deste sábado (19), a partir das 22h, no Esporte Interativo, não vai ver o passado que levou “Blackout” ao posto mais alto de um card histórico para o MMA nacional.

    Charles vem, como muitos outros lutadores – e atletas de modo geral -, de um começo complicado. Nascido em Santa Quitéria, interior de Fortaleza (CE), é irmão de quatro e desde cedo aprendeu que a maior dificuldade da vida, às vezes, é simplesmente viver.

    “Morava no interior brabo, interior onde só tinha capim e se esquentasse muito, pegava fogo. O meio de vida era muito duro. Trabalhava na agricultura e quando não tinha inverno, passava até dois anos na seca. Muitas vezes, eu acordava cedo e minha mãe me dava farinha com açúcar, que era meu café da manhã. Ou, às vezes, ela fazia um sacrifício, arrumava café e me dava café com farinha em um copo. A gente comia e ia para o colégio. Na escola até tinha um lanche, mas quando chegava em casa não tinha o que comer. Minha mãe ficava desesperada. Corria atrás de lavar roupa para alguém para ganhar um dinheiro. Carregava água na cabeça por 3 km para ganhar um quilo de farinha, um quilo de feijão, ganhar meio pacote de arroz, não era nem um quilo. Isso tudo pra gente comer”.

    Como se já não bastassem as dificuldades já empregadas pela realidade de Charles, seu pai deixou a família para trás muito cedo, ficando mais de uma década sem dar notícias.

    “Meu pai abandonou minha mãe com cinco filhos. Veio para o Rio procurar uma vida melhor e passou 12 anos sem falar com a gente. Depois desse tempo ele até apareceu, mas minha mãe já estava com outro, um cara que considero como meu pai de verdade. Ele acolheu minha mãe já com seis filhos, para trabalhar na agricultura sozinho, quebrando pedra, cortando capim para o gado dos outros – o gado não era nem dele -, recebendo 12 reais o dia. Muitas vezes ele saía sem tomar café”, relembrou o atleta da Chute Boxe.

    Mesmo com tantas complicações, o lutador garante que não tenta esquecer o passado, mas lembrar com orgulho do que viveu: “Me sinto orgulhoso, não tenho vergonha de contar o meu passado. Dei a volta por cima. Vim para o Rio e deu tudo certo, graças a Deus. Se não fosse pela luta, estaria trabalhando de carteira assinada para os outros, tomando esporro, mas não, hoje eu vivo da luta. Pretendo nunca mais trabalhar para ninguém”, disse.

    No Rio de Janeiro, Charles fez de tudo. Porém, entre tantos trabalhos, em uma churrascaria conheceu Airton Nogoceke, frequentador do restaurante e treinador da Gracie Barra (Jiu-Jitsu), que fez uma proposta que mudou a vida de Charles dali em diante.

    “Trabalhei de garçom, segurança, servente de pedreiro. Menti, não sabia fazer, mas disse que sabia emassar, peguei várias piscinas para colocar azulejos e ficava bom, eu era bom. Um dia, ele (Airton) chegou no balcão, eu estava cortando carne, e disse para eu aparecer na academia para fazer uma aula, sem compromisso. Meu sonho era botar uma luva, mas não sabia nem dar um soco, para falar a verdade (risos)”, contou o jovem Charles.

    O lutador aceitou o convite. Bem recebido, “Blackout” se tornou um “rato” de tatame e viu sua força de vontade ser retribuída pelo novo benfeitor, Airton, que desde então cuida da preparação, treinamentos, alimentação e até patrocínios do ex-campeão do WOCS.

    “Às vezes eu volto a fita e penso por tudo que passei. Já fazem dez, 12 anos que não volto lá. Mas queria ir de novo, andar em alguns lugares que sofri muito, voltar e relembrar”.

    CARD COMPLETO:

    WOCS 50
    Hotel Laghetto Stilo, na Barra da Tijuca (RJ)
    Sábado, 19 de maio de 2018

    Card principal

    Charles “Blackout” x Mateus “Raposinha”
    Oton Jasse x Alex “Mão de Alicate”
    Aloísio Dado x Antonuce Conceição
    Jamilson Daduzinho x Macksuel Laudino
    Caionã “Blade” x Junior “Espantalho”
    Alexandre Baixinho x Jorge La Terra
    Anderson “Braddock” x Julio Cesar Lima

    Card preliminar
    Vinicius Bohrer x Taffarel Brasil
    Mateus “Magriça” x Johnata Silva
    Edcarlos “Peixe” x Patrique Tavares
    Luan Juruna x Aleandro Caetano
    Fernando Colman x Pedro Farias “Esfirrão”
    Alan Lima x Francisco Xavier “Índio”

    Card amador
    Alexandre “Ja Rule” x Antônio Pitbull
    Jairo Pacheco “Mumuzinho” x Gabriel Romano
    Charles Fernandes “Tchuco” x Derick Borges

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