Multicampeão, André Galvão encerra a carreira: ‘Não tenho mais nada a provar’

    André Galvão não vai participar do Mundial deste ano e anunciou o fim da carreira na arte suave (Foto: Reprodução)

    Por Yago Rédua

    Fora do Mundial de 2018, André Galvão, aos 35 anos, anunciou sua aposentadoria dos tatames, às vésperas do principal torneio da modalidade, que acontece nesta semana, em Long Beach, na Califórnia (EUA). O pentacampeão do mundo e dono de cinco medalhas douradas no ADCC, o maior evento de luta agarrada, conversou com a TATAME sobre o momento exato em que decidiu colocar um ponto final na carreira como atleta para seguir trilhando o caminho de treinador na Atos, uma das maiores equipes de Jiu-Jitsu.

    “Eu pensei bem antes, estou em uma ótima fase na minha carreira e vida. Tenho uma família linda, esposa que está sempre ao meu lado, uma filha que é super amiga e amorosa… Tenho uma academia e uma equipe bem-sucedida. Já faço atletas há algum tempo. Minha carreira como atleta é linda. Não tenho mais nada pra provar como lutador. Agora quero focar na minha família, no futuro da minha carreira como coach e empreendedor, quero continuar fazendo história no Jiu-Jitsu de uma outra forma. Estou me sentindo muito bem, em uma excelente forma física e muito saudável. Não tenho nenhuma lesão séria, foi uma decisão baseada em minha prioridade a partir de agora”, explicou.

    Com a superluta programada contra o último campeão absoluto Felipe Preguiça para o ADCC 2019, que será realizado nos Estados Unidos, o casca-grossa disse que esse deve ser seu último duelo, mas não descartou participar de eventos de luta casada em caso de uma boa bolsa: “Só Deus sabe o que vai acontecer depois da luta (risos). Tem muito chão ainda. Mas, meu plano é que essa (contra o Preguiça, no ADCC 2019) seja a minha última luta. Poderei abrir exceção se a proposta for muito boa para uma luta casada”, projetou.

    IBJJF: Blue Belt: 2001 Silver, 2002 Gold; Purple Belt: 2003 Double Gold (Middle & Absolute); Brown Belt: 2004 Double Gold (Middle & Absolute); Black Belt: 2005 Gold, 2006 Silver, 2007 Gold (Closed out); 2008 Gold, from 2009-2011 MMA,2012 didn’t compete to coach my team 2013 Bronze, 2014 Gold, 2015 I didn’t compete also, 2016 Gold; 2017 Gold…+ Team Title ?#11X World Champion total…#5x Black Belt World Champion || could be 6 if I counted the year I closed out ⚔ I’ve won 11 World Titles out of 12 participations. #PraiseGod #Jesus @maedabrand @choke_republic @atosjiujitsuhq ?? IBJJF: Faixa Azul: Prata 2001, Ouro 2002; Faixa Roxa: Ouro Duplo 2003 (Médio e Absoluto); Faixa Marrom: Ouro Duplo 2004 (Médio e Absoluto); Faixa Preta: Ouro 2005, Prata 2006, Ouro 2007 (fechei com parceiro de equipe); 2008 Gold, de 2009-2011 MMA, 2012 não competi para treinar minha equipe 2013 Bronze, 2014 Gold, 2015 Eu não competi também, 2016 Gold; 2017 Ouro … + Título da Equipe ? # 11X Campeão Mundial total … # 5x Campeão Mundial Black Belt || poderia ser 6 na preta se eu contasse o ano em que fechei ⚔ Ganhei 11 títulos mundiais de 12 participações. #Jesus #GloriasDeus

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    Em 13 anos de carreira, apenas como faixa-preta, André Galvão foi um colecionador de medalhas dentro dos tatames, um atleta que sempre foi visto como exemplo e ainda ajudou a produzir e moldar diversos lutadores que brilham no cenário internacional. Ao falar do seu legado, o agora ex-lutador afirmou que quer seguir inspirando as pessoas.

    “Na verdade, é muito mais do que isso… São 13 anos somente na faixa preta. Mas eu sou profissional desde a faixa-branca. Eu já era dedicado da mesma forma que sou hoje desde então. Já competia, fazia preparação física, treinava três, quatro vezes ao dia desde o início de tudo, ajudava o meu professor. São mais de 20 anos de dedicação ao esporte como atleta. Acho que conquistei muita coisa. Acho que eu inspirei muita gente, muito atleta e pessoas que não são atletas, dentro e fora dos tatames. Serei sempre um motivador de todo nosso esporte. Fiz o que ninguém fez até hoje, que foi ser campeão mundial lutando, fazendo coach e como líder. Construí uma história no esporte, me dediquei ao máximo, quero ser um exemplo para o resto da minha vida, inspirando muitas pessoas. O legado que deixo como atleta é esse: você é capaz de conquistar, acredite”, contou André.

    Em um bate-bapo, Galvão descreveu como era a rotina de lutador e treinador, além de apontar o principal momento da carreira até então. Sobre a sua divisão, a dos meio-pesados, o líder da Atos apontou dois atletas como “favoritos” a ganharem neste ano. Por fim, comentou sobre o crescimento da academia e a relação com Angelica Galvão, sua esposa e faixa-preta, que também vem brilhando nas competições, entre outros temas.

    Confira abaixo a entrevista na íntegra com André Galvão:

    – Candidato a novo rei dos meio-pesados

    Acho que meus alunos Lucas Barbosa (Hulk) e Gustavo Batista (Braguinha) estão muito bem, em uma ótima fase. Acho que eles levam essa (ouro) no Mundial deste ano.

    – Dividir o tempo de competidor e professor

    Já fazia isso há muito tempo, desde quando era faixa-marrom, eu já cuidava de um time de competição. Desde a época onde treinava com meu professor Fernando Tererê. Foram 14 anos fazendo isso, treinando, puxando o treino e olhando todo mundo. A diferença é que agora eu também faço o coach de cada atleta. Não é fácil, mas quando você acredita, tudo é possível, quando você se motiva e tem fé… Você pode! Acredito que Deus me deu forças para fazer tudo isso. O feito no Mundial do ano passado é inexplicável. É Deus!

    – Grande momento da carreira nos tatames

    O último Mundial, quando me sagrei pentacampeão como faixa-preta e liderei minha própria equipe pela primeira vez ao topo do pódio. Momento único! Tem vários momentos bons, como a minha primeira conquista no ADCC, vencendo peso e absoluto, entre outros. Porém, o feito do pentacampeonato mundial e o título por equipes marcou muito.

    – Processo de administração da Atos

    Não é uma tarefa fácil, mas estamos administrando muito bem e estamos crescendo a cada ano. Temos um time muito bom, não somente dentro do tatame, mas fora também, cuidando de tudo. A minha esposa (Angelica Galvão) é uma das principais peças da nossa equipe de administração e tem feito um trabalho excelente. Sem ela, a equipe não seria o que é hoje. Nosso principal zelo é crescer sempre com qualidade, isso é fundamental.

    Worlds 2018 || #1 – – – – – @maedabrand @choke_republic @atosjiujitsuhq

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    – Principais mudanças vividas no Jiu-Jitsu

    Acho que o nível técnico e também o nível físico dos atletas. Quando entrei, eu sempre prezei o treino técnico e a parte física, mas acho que hoje em dia todo mundo tem feito um bom trabalho nessas áreas, além de ter mais gente treinando. A organização das competições, o número de empresas dentro do Jiu-Jitsu, tudo cresceu. Está chegando a um outro nível. As premiações não são maiores, mas há mais eventos que premiam os atletas, tornando o esporte mais profissional. A mídia também está muito grande…Tudo melhorou.

    – O profissionalismo do Jiu-Jitsu atual

    Sim (é profissional). Existem dois lados. Acho que as empresas, a mídia e até os eventos são bem profissionais. Existem empresas dentro do mercado que fazem milhões de dólares somente com o Jiu-Jitsu. Os atletas ainda estão aprendendo a ser profissionais, não são todos que podem viver somente de patrocínio e lutas. Mas já existe uma pequena parte que vive somente do esporte. Acho que estamos andando no caminho certo.

    – Premiação no Mundial e exame antidoping

    Acho que os campeões merecem uma premiação. Isso tornaria o esporte 100% profissional. Acho que um dia vai ter que acontecer, o Jiu-Jitsu vai ter a premiação como as premiações do Surfe. Ser campeão mundial, ganhar uma medalha é legal, existe um prestígio muito grande. Mas, acho que uma premiação em dinheiro seria muito legal aos atletas que merecem, pois um faixa-preta campão mundial treina a mesma coisa que qualquer atleta de qualquer outro esporte profissional, ou até mais. Os atletas merecem. Eu acho válido, e acho que faz parte do progresso de profissionalização do esporte. Acho válido (exame antidoping). Isso faz parte do progresso de profissionalização do esporte.

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    – Angelica Galvão: mãe, atleta e esposa

    Sim, com certeza (dar mais atenção para a carreira dela como profissional de Jiu-Jitsu)! Ela também tem como prioridade a família, antes mesmo dos sonhos pessoais dela como atleta. E é isso que nos torna um casal bem-sucedido. Mas sempre que ela decidir competir eu estarei lá para dar todo o suporte. Assim como ela sempre fez comigo, lado a lado.

    – Crescimento do Lucas Barbosa “Hulk”

    Ele está em uma fase muito boa, com excelentes resultados na temporada. Se tornando cada vez mais um atleta maduro e experiente. Eu me sinto muito feliz e orgulhoso em participar no crescimento dele como atleta e espero que venha mais coisa boa por aí.

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