Universitária, Juliane Wiggers superou doença autoimune para conquistar ouro mundial e a faixa preta; veja

    Juliane Wiggers foi campeão mundial na faixa-marrom e recebeu a faixa-preta ainda no pódio (Foto: Reprodução)

    Por Yago Rédua

    Campeã mundial na faixa-marrom, no começo do mês de junho, na Califórnia (EUA), Juliane Wiggers foi promovida à faixa-preta, ainda no pódio, pelo treinador Mário Reis. Além do ouro e da promoção, a lutadora teve que superar a doença artrite psoriática, que causa inflamação nas articulações e a atrapalhou durante o camp. À TATAME, a atleta comentou o sentimento de felicidade e superação após o Mundial.

    “Vejo como uma recompensa. Não foi um caminho fácil até o título e a faixa (preta), mas eu nem gostaria que fosse, eu gosto de me superar e é isso que me move. Eu trabalhei duro pra tudo isso, passei por lesões, estou aprendendo a lidar com uma questão de saúde que eu fui acometida. No ano passado, descobri uma doença autoimune inflamatória, artrite psoriática, que acaba me afetando nos treinamentos, mas encaro isso da melhor forma, adaptei meus treinos desde então e luto contra isso todos os dias. Tô muito satisfeita com o título na faixa-marrom, assim como nas outras faixas, o que me levou para tão cobiçada faixa-preta. Fiquei muito feliz e sei que isso não me torna melhor que ninguém, somente me faz querer ser alguém melhor”, disse a campeã mundial.

    Além disso, faixa-preta comentou sobre os primeiros desafios na nova graduação, o trabalho com Mário Reis na Alliance e como faz para conciliar a faculdade de Nutrição com os treinos para os campeonatos. A lutadora passou para a Faculdade Federal do Rio Grande do Sul e projetou que vai tentar se esforçar ao máximo para seguir nas competições.

    Confira abaixo a entrevista na íntegra com Juliane Wiggers:

    – Primeiros objetivos como faixa-preta

    Eu estou muito feliz com tudo que está acontecendo e animada pra poder estrear na faixa-preta e me manter no mesmo ritmo. Mas, estou tranquila pra encarar os desafios que eu tiver que passar. No momento, preciso dar atenção aos meus estudos e a minha saúde, que é o mais importante agora. Mas, logo já quero estar lutando, pretendo lutar no próximo semestre, se não puder, pretendo com certeza estar no Brasileiro.

    – Trabalho e apoio de Mário Reis

    O Mário (Reis) trabalha de uma forma diferente com os seus alunos, ele conversa muito com o grupo e, realmente, faz o papel de coaching. Faz pouco tempo que ele parou de lutar e vem se dedicando bastante a isso, o que contribui muito pra nós. Ele fala o que precisamos ouvir e, particularmente, ele me motivou bastante pra continuar treinando e ir lutar os campeonatos nos momentos em que eu estava passando por alguns problemas como a lesão, por exemplo.

    – Conciliar treinos com a faculdade

    Essa é uma das partes que mais tenho que refletir diariamente, por que meus estudos têm um grau de importância enorme na minha vida. Já fiz um ano de Nutrição ano passado em uma instituição privada e consegui conciliar com os meus treinos. Não foi fácil, mas nada impossível. Esse ano, passei na federal daqui (Porto Alegre-RS) e a carga de conteúdos aumenta e muito. Por enquanto, estou conseguindo conciliar, mas confesso que não sei como será nos próximos anos, pois o turno é integral e tem cerca de dez disciplinas por semestre. Mas pra quem também estuda e quer muito se dedicar ao Jiu-Jitsu, o meu conselho é que faça o seu melhor com as opções que tiver, não ponha obstáculos, procure soluções, quando a gente quer, conseguimos. Eu quero muito lutar o Mundial de 2019, dessa forma, vou fazer o possível para conseguir também ano que vem.

    – Importância de fazer faculdade

    O Jiu-Jitsu ainda não é muito valorizado e muitos de nós atletas temos que estudar e trabalhar para nos sustentarmos e ter uma segurança em nossas vidas. A nossa vontade é viver só disso claro, mas pra maioria não é possível. Acredito que quando passamos por isso, acabamos nos superando ainda mais e isso soma demais, faz você ter mais vontade de vencer na hora da luta, pois só você sabe o quanto é árduo estar ali e conciliar o trabalho e estudo. Não quero dizer que quem não trabalha e não estuda não vai dar seu melhor, mas por experiência própria, posso dizer que o que chega fácil, vai fácil também. O que nos torna samurai é a batalha diária até chegar ao nosso objetivo.

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