Aldo analisa ‘caminho’ ao título, mas diz: ‘Não pretendo renovar com o UFC’; saiba

    Aldo disse que vai esperar a recuperação de Holloway, para saber o futuro da divisão (Foto Getty Images / UFC)

    Por Mateus Machado

    Após as duas derrotas para o atual campeão Max Holloway, sendo a última em dezembro do ano passado, José Aldo retorna ao Ultimate neste sábado (28), pelo UFC Calgary, para reiniciar a caminhada em busca do seu grande objetivo no momento: reconquistar o título peso-pena da organização. Pela frente, o ex-campeão terá o americano Jeremy Stephens, que vem embalado por três vitórias consecutivas na franquia e também busca uma vaga pelo title shot na divisão.

    O lutador da Nova União sabe que uma nova disputa de título não será fácil, no entanto, o caminho pode ser “facilitado” com a ausência justamente de Holloway, que se viu obrigado a deixar suas últimas três lutas, a última, contra Brian Ortega, por sentir sintomas de concussão dias antes do confronto. Em entrevista aos jornalistas durante conferência na última quarta-feira (21), Aldo falou sobre o fato.

    “Acho que, primeiramente, eu tenho que vencer no sábado (contra Jeremy Stephens). A gente vencendo, aí sim, eu acho que tenho uma grande oportunidade de, quem sabe, no futuro, fazer esse cinturão interino com o Ortega. Mas é uma situação bem delicada, pelo fato do Holloway estar passando por esse problema e a gente não saber quando ele vai voltar. O caminho pode estar mais fácil (pelo afastamento do Holloway), mas o primeiro passo é vencer no próximo sábado”, afirmou o manauara.

    Confira outros trechos da entrevista com José Aldo: 

    – O fã de MMA pode esperar mais chutes na luta contra o Stephens?

    O Max Holloway, nas duas lutas que tivemos, fez um jogo que não deixou eu chutar, mas eu acho que agora a gente vem com novas táticas que vão fazer com que a gente chute mais.

    – Com os problemas recentes do Holloway, caso vença sábado, acredita que pode disputar o título interino com o Ortega?

    Acho que, primeiramente, eu tenho que vencer no sábado. A gente vencendo, aí sim, eu acho que tenho uma grande oportunidade de, quem sabe, no futuro, fazer esse cinturão interino com o Ortega. Mas é uma situação bem delicada, pelo fato do Holloway estar passando por esse problema e a gente não saber quando ele vai voltar.

    – Possibilidade de renovar com o UFC ‘descartada’ e caminho mais fácil com afastamento de Holloway

    Não (planejo renovar meu contrato, que atualmente é de quatro lutas). O caminho pode estar mais fácil (pelo afastamento do Holloway), mas o primeiro passo é vencer no próximo sábado. Mas não passa pela cabeça renovar meu contrato com o UFC quando ele terminar.

    – Problemas de concussão de Holloway com apenas 26 anos fazem com que você tema pela sua saúde no futuro?

    Então, por isso que eu acho que o momento certo de parar é agora. A gente faz o contrato (de quatro lutas) valer, a gente tem o objetivo de reconquistar o cinturão e depois vamos nos planejando, mas lógico que, não só eu, mas todos os atletas temem por isso. Tomamos todas as medidas possíveis para nada de grave acontecer.

    – Como espera ser lembrado quando se aposentar?

    Acho que quero ser lembrado como um cara que tinha um sonho e conseguiu vencer suas batalhas. Espero que minha história possa incentivar novos atletas e pessoas normais também. Que possam trabalhar bastante, sem passar por cima de ninguém e vencer na vida.

    – Questão psicológica

    Eu acho que a gente treina bastante, o meu lado psicológico é esse, treinar bastante e focar naquilo que a gente tem em mente fazer na luta. Fixar exaustivamente, até memorizar, acho que esse é o meu lado psicológico. Tivemos uma luta no Rio de Janeiro e não fui muito bem, logo em seguida fizemos a revanche e aconteceu o mesmo. Agora eu procurei estar treinando, vendo onde a gente errou para não cair no mesmo erro. Acho que agora a gente está fazendo uma luta nova, uma luta bem diferente daquilo que a gente estava acostumado, então é uma nova história. Para mim, o certo é voltar para a academia, treinar cada vez mais e conversar com meus treinadores, e assim chegar em um patamar excelente.

    – Diferença de uma luta de cinco rounds para uma de três

    Acho que a diferença, não que a gente treine menos, mas a gente se programa para fazer bem menos, porque diminuem dois rounds, são 10 minutos a menos de luta. Mas a preparação sempre vai ser a mesma, eu tento me preparar sempre da melhor maneira possível, fazendo os melhores treinamentos. Não muda muita coisa, eu sempre venho pronto para uma guerra. Não tem como treinar menos, só muda na questão de sparring, questão de tempo. Mas o resto segue da mesma maneira.

    – Ajuda de BJ Penn na semana da luta

    O BJ (Penn) é praticamente uma cria nossa na Nova União, ele estava fazendo um seminário aqui no Canadá. É um cara com uma energia muito boa, positivo pra caramba, uma pessoa que nos ajuda bastante. Fala sobre treino, posições, brinca bastante com a gente e, com certeza, é uma pessoa que agrega bastante para todos nós aqui.

    – Como é estar um ano sem o cinturão? Te fez refletir?

    Nem eu sabia disso (risos). Para mim, lógico que disputar o cinturão é algo que faz diferença, mas nem passou pela minha cabeça isso. O que passa é voltar a vencer e, assim, retomar o caminho das vitórias para que a gente tenha uma nova disputa de cinturão pela frente. Mas, para mim, não mudou nada, continua normal. O carinho dos fãs só aumentou, então não tem uma diferença se já tem um ano que estou sem o cinturão ou sei lá quanto tempo vou ficar.

    – É difícil se manter motivado quando se tem um contrato a cumprir?

    Acho que é mais fácil ainda, porque você sabe que está chegando perto do fim, então você tem que dar de tudo, porque você não vai querer sair por baixo, vai querer sair por cima. Eu continuo do mesmo jeito, sonho em sair como campeão novamente, acho que essa é minha maior motivação.

    José Aldo retorna ao Ultimate neste sábado (28), contra Jeremy Stephens (Foto: Getty Images)

    – ‘Ausência’ de campeões brasileiros no UFC nos dias atuais

    Eu acho que, para mim, isso é normal, faz parte da transição. Quando eu cheguei, só tinha o Anderson Silva como campeão, depois disso, veio o Cigano, eu mesmo, o Shogun, o Barão, então é uma transição, novas gerações estão surgindo. O Borrachinha está chegando próximo de uma disputa, além de outros atletas bem promissores. Isso faz parte.

    – Caso você não reconquiste o cinturão, sai de cabeça erguida pela sua carreira?

    Eu estou treinando bastante, cada vez mais, porque eu quero conquistar isso (cinturão). Mas se não for o caso de conquistar o cinturão novamente, eu acredito que saio de cabeça erguida, sim, com um legado bom para novos atletas que vão chegar. Eu fico bem feliz quanto a isso, porque eu vejo que muitos atletas se espelham na minha história.

    CARD COMPLETO:

    UFC on Fox 30
    Sábado, 28 de julho de 2018
    Calgary, no Canadá

    Card principal

    Eddie Alvarez x Dustin Poirier
    José Aldo x Jeremy Stephens
    Joanna Jedrzjeczyk x Tecia Torres
    Alex Hernandez x Olivier Aubin-Mercier

    Card preliminar

    Jordan Mein x Alex Morono
    Hakeem Dawodu x Austin Arnett
    Kajan Johnson x Islam Makhachev
    Gadzhimurad Antigulov x Ion Cutelaba
    John Makdessi x Ross Pearson
    Alexis Davis x Katlyn Chookagian
    Dustin Ortiz x Matheus Nicolau
    Randa Markos x Nina Ansaroff
    Devin Powell x Alvaro Herrera

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