Faixa-marrom e líder de academia, Pipo fala sobre o Jiu-Jitsu no Chile: ‘Processo de evolução enorme’

Publicado em 20/07/2018 por: Mateus Machado
Faixa-marrom e líder de academia, Pipo fala sobre o Jiu-Jitsu no Chile: ‘Processo de evolução enorme’ Pierpaolo Chiappe é faixa-marrom e tem sua própria academia no Chile (Foto Diego Soto)

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Com a chegada de brasileiros nos últimos anos, o Jiu-Jitsu foi se tornando cada vez mais praticado no Chile, e pode-se dizer que nos dias atuais o esporte só fica mais popular no país. Prova disso é o crescimento da modalidade, surgimento de diversas academias e atletas, que aos poucos, vêm conquistando resultados expressivos em alguns torneios.

No último mês de maio, a TATAME esteve presente no Chile para a etapa do Jiu-Jitsu Experience, organizado pela Prime Esportes, e nossa equipe procurou saber de forma mais aprofundada sobre o esporte no país. Em uma das visitas, conhecemos o faixa-marrom Pierpaolo Chiappe, mais conhecido como Pipo, de 29 anos. O atleta, atualmente, tem sua própria academia, a “Equipo Cohab”, e falou da sua paixão pela arte suave.

“Eu quero o Jiu-Jitsu por toda a minha vida, e quero tornar o esporte profissional aqui no Chile. Trabalhamos de forma muito forte para isso. A arte suave está cada vez mais forte aqui no país, muitos atletas começaram a fazer. É uma evolução enorme”, disse o lutador.

Confira a entrevista completa com Pierpaolo Chiappe:

– Início no Jiu-Jitsu e crescimento no Chile

Eu comecei a fazer Jiu-Jitsu em 2010, quando eu tinha 20 anos. O Jiu-Jitsu não era conhecido no Chile… Não tinham muitas academias, não tinha tanto trabalho profissional, não tinha acesso fácil na internet para comprar quimonos, roupas de Jiu-Jitsu, e também não tinha muitos torneios. Com o tempo, eu fui curtindo mais o Jiu-Jitsu, comecei a viajar para a Argentina, Peru, Brasil, Abu Dhabi, Estados Unidos, e fui começando a gostar cada vez mais, foi cada vez mais fazendo parte da minha vida. Quando iniciei no Jiu-Jitsu, eu fazia faculdade de Jornalismo, e quando eu terminei a faculdade, tive que decidir: ou seguia minha vida como jornalista ou com o Jiu-Jitsu, isso por volta de 2014. Eu gosto muito do Jiu-Jitsu, da minha academia, do meu professor, e nós dois juramos que íamos viver do Jiu-Jitsu. As pessoas começaram a dizer que estávamos loucos, porque é uma arte marcial que ninguém conhece no Chile, mas eu acreditei no meu coração e na minha vontade. Eu quero o Jiu-Jitsu por toda a minha vida, e quero tornar o esporte profissional aqui no Chile. Trabalhamos de forma muito forte para isso. A arte suave está cada vez mais forte aqui no país, muitos atletas daqui começaram a fazer. É uma evolução enorme.

– Ida ao Brasil para se aprofundar na arte

A primeira vez que fui ao Brasil foi no começo de 2012. Eu ainda era faixa-branca e fiquei na Zona Leste de São Paulo, em Itaquera. Foi quando eu comecei a me apaixonar ainda mais pelo Jiu-Jitsu, porque eu vi outra forma de treinar, de viver o Jiu-Jitsu, de forma mais profissional. Foi quando eu vi que as pessoas treinavam todos os dias, viviam o esporte de forma intensa, isso foi o que mais gostei. Foi quando abri meus olhos e comecei a querer tudo com o Jiu-Jitsu, a disputar muitos campeonatos. Depois disso, normalmente fico 4 meses no Brasil por ano. Intercalo entre o Chile, Brasil e Estados Unidos. Estou sempre aprendendo e observando a evolução. O Jiu-Jitsu não tem bandeira, estamos todos juntos.

– Início de sua academia no Chile e evolução

Eu comecei a abrir minha academia em 2013, quando eu tinha dois graus na minha faixa-azul. Aqui, ser faixa-azul já era um feito enorme (risos), assim como um faixa-roxa já era quase um faixa-preta, porque era raro. Eu não me sentia preparado para fazer isso, mas o meu professor dizia para abrir a Cohab, que iria me ajudar a fazer um trabalho certo, que Santiago (capital do Chile) é muito grande e que eu poderia fazer um trabalho para o futuro também. Comecei a fazer como um hobby, só fazíamos três aulas de Jiu-Jitsu por dia. Depois, em 2014, eu peguei a faixa-roxa e em 2015 foi que começamos a fazer um trabalho mais profissional. Hoje em dia já temos oito aulas por dia, só fazendo Jiu-Jitsu. A academia abre 7h e fecha 00h, todos os dias. Completamos cinco anos agora. Começamos em um lugar muito pequeno, mas hoje já temos uma boa estrutura, fruto dessa evolução.

– Principais dificuldades do Jiu-Jitsu no Chile

Acho que não temos muitas dificuldades, o que acontece é que muitas pessoas ainda não conhecem o Jiu-Jitsu. O mais difícil é dar aulas para crianças, porque crianças de menos de 15 anos tem seus pais como responsáveis. Como você vai falar para uma mãe levar seu filho ao Jiu-Jitsu? Ela vai dizer: ‘o que é Jiu-Jitsu?’ Mas se falar para levar ao Judô, ao Taekwondo, elas sabem o que é, porque são artes mais conhecidas aqui. Temos trabalho com crianças em nossa academia, mas são poucas crianças. É algo mais difícil ainda.

Academia de Pipo conta com uma boa estrutura e com atletas promissores no esporte (Foto Diego Soto)

– Viver no Chile trabalhando com o Jiu-Jitsu

Eu sempre falo que querer é poder, que quem quer, pode fazer tudo. Minha mãe é doutora, meu pai tem uma loja de carros e sempre disseram que eu estava louco em querer viver do Jiu-Jitsu, que eu deveria fazer apenas como esporte, um hobby. Eu comecei a acreditar, e se eu quero, eu posso. Aqui temos horários certos, temos academias e o esporte está se profissionalizando mais, com professores, campeonatos… Está tudo bem melhor (risos).

– Situação do nível técnico dos lutadores

É lógico que ainda não está como no Brasil, nos Estados Unidos… Está longe, muito longe. Mas é um trabalho que queremos fazer e igualar. Eu sempre fui muito competitivo e sempre determinado a fazer o meu melhor. E assim começamos a ganhar na Argentina, no Brasil, nos Estados Unidos. Isso é querer. Lógico que é difícil, mas já temos uma grande base de competidores na faixa-branca e na faixa-azul, já temos atletas sinistros, mas não temos ainda muitos faixas-marrom e preta. É um trabalho a longo prazo, que precisamos acreditar mais e correr atrás também, e com certeza vamos atrás dessa evolução.

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