‘Maior produtor de eventos de Jiu-Jitsu no Brasil’, Alê projeta: ‘Será a luta mais praticada no mundo’

Publicado em 31/08/2018 por: Mateus Machado
‘Maior produtor de eventos de Jiu-Jitsu no Brasil’, Alê projeta: ‘Será a luta mais praticada no mundo’ Carlos Alexandre, o Alê, espera produzir mais de 60 eventos até o fim do ano (Foto: Divulgação)

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Produzir um evento de luta no Brasil gera um grande desafio aos organizadores desde o seu processo inicial até a conclusão do projeto, por ser um papel que necessita de muita responsabilidade e outros inúmeros fatores para que seja considerado um sucesso. No entanto, desde 2012, Carlos Alexandre de Souza, o “Alê”, de 41 anos, encarou com naturalidade a complexa missão, e nos dias atuais, é considerado o “maior produtor de eventos de Jiu-Jitsu do Brasil”.

Apaixonado pelas artes marciais, Alê iniciou no Judô aos 8 anos, enquanto sua vida no Jiu-Jitsu teve o “pontapé inicial” apenas na época da faculdade, recebendo a faixa-preta em 2005. Dois anos depois, montou com alguns amigos sua própria equipe, e insatisfeito com algumas metodologias da arte suave em competições, passou a organizar alguns torneios internos, até chegar ao alto nível do que é produzido nos dias atuais.

“A equipe Colisão nasceu justamente de uma ideia em que nós discordávamos de algumas coisas que tinham no Jiu-Jitsu, mas eu não queria ferir o modo de conduzir a equipe do meu professor. Então, quando nós criamos a Colisão, nossa ideia era bater de frente com muita coisa errada que estava no Jiu-Jitsu. Em competição, a gente também via muita coisa que não estava legal… Se prometia muita coisa e cumpria-se pouco, nós não tínhamos uma estrutura que fosse das melhores”, disse o organizador.

Confira a entrevista completa com Alê:

– Começo no Jiu-Jitsu e criação da equipe Colisão

Comecei a treinar Judô com 8 anos e o Jiu-Jitsu surgiu na época da faculdade como uma forma de conseguir bolsa, porque o time de Judô da faculdade era espetacular, então eu comecei a treinar Jiu-Jitsu em 1998 para conseguir bolsa e foi paixão no primeiro treino. De lá para cá, treinamos durante alguns anos e em 2007, dois anos após pegar a faixa-preta, nós montamos a nossa equipe, que é a Colisão. Em 2012, nós começamos a montar os campeonatos de Jiu-Jitsu. Por conta da faculdade, nós sempre gostamos muito de competir, então nós até brincávamos que antes do Sou Competidor para facilitar a vida do atleta, nós ficávamos procurando campeonato em São Paulo, no Rio, fazíamos muitas ‘vaquinhas’ para poder descer para o Rio para lutar, quando não tinha em SP. A competição sempre foi algo muito vivo para mim e para alguns companheiros que estão comigo hoje na Colisão.

– Colisão como organizadora de campeonatos

A equipe Colisão nasceu justamente de uma ideia em que nós discordávamos de algumas coisas que tinham no Jiu-Jitsu, mas eu não queria ferir o modo de conduzir a equipe do meu professor. Então, quando nós criamos a Colisão, nossa ideia era bater de frente com muita coisa errada que estava no Jiu-Jitsu. Em competição, a gente também via muita coisa que não estava legal… Se prometia muita coisa e cumpria-se pouco, nós não tínhamos uma estrutura que fosse das melhores. A gente via muita gente colocando plaquinhas coloridas no chão para se fazer campeonato, então a gente não achava isso legal. Então, quando nós fizemos nosso primeiro campeonato (em 2012, no Clube da Polícia Militar), que diga-se de passagem, eu tenho fotos dele e quando eu olho, me dá vontade de chorar, porque foi uma coisa bem bagunçada (risos), a nossa vontade era fazer algo diferente. Era algo interno da Colisão, só que com o primeiro, segundo e terceiro campeonato interno, algumas pessoas pediram para participar, porque realmente foi bem organizado para a época, nós tivemos a ideia de começar a montar outros campeonatos, além dos internos, e convidar alguns amigos.

Com isso, nós montamos o Circuito Mairiporã, que a gente colocava como premiação passagens para o Pan-Americano, a coisa foi tomando corpo, e chegou um momento que alguns amigos, por volta de 2013/2014, que também faziam campeonatos, começaram a pedir para que nós usássemos nossa estrutura de competições internas para montar campeonatos para eles. Começamos a fazer isso em 2012, mas a partir de 2014 a coisa começou a se tornar profissional, muita gente passou a nos procurar para organizar eventos e foi o grande ‘boom’, quando a Colisão passou a ser não só uma equipe, mas também uma organizadora de campeonatos. Tudo era organizado por nós, desde a estrutura até chaveamento, arbitragem, staff, entre outras coisas.

– Crescimento no número da produção de eventos

2014/2015 não era a quantidade que nós temos hoje, mas chegávamos a fazer um evento a cada dois meses, que para a gente era bastante coisa, diferente de hoje, que temos uma média de quatro a seis eventos mensais. Então, a diferença daquela época para cá é que a estrutura que nós tínhamos era infinitamente inferior e hoje a gente consegue dois ou até três campeonatos, tanto em estrutura como em staff, tranquilamente, ao mesmo tempo. Em 2017, que foi um ano bom, nós chegamos a fazer uma média de 28/30 eventos no ano. Nesse ano, nós temos um calendário um pouco mais apertado. Um exemplo clássico é que na etapa do South America, em São Paulo, foi a mesma data que fizemos em Minas, que é um campo que trabalhamos bastante. Então, para esse ano, nós temos a expectativa de passar dos 60 eventos.

– Evolução do Jiu-Jitsu, das competições e do atleta

Eu digo que, hoje, o Jiu-Jitsu ganhou uma nova cara. Hoje você vê muito menino, menino mesmo, que está na faixa-azul, roxa, que tem conseguido, inclusive, viver do Jiu-Jitsu. Uma molecada que hoje, no final de semana, lutam e levam o dinheiro deles para casa e se seguram durante o mês com dinheiro de premiação. Isso mostra que as entidades e federações estão fortes, crescendo e também dando uma cara diferente para o Jiu-Jitsu. Você abre o site do Sou Competidor no final de semana e olhar três, quatro eventos em SP e todos eles rolando, ao mesmo tempo, e ninguém reclamando que vai precisar cancelar, é algo espetacular. O nosso esporte cresceu demais e se nós continuarmos nessa crescentes e se as federações continuarem se entendendo melhor, eu digo que o Jiu-Jitsu, em pouquíssimo tempo, será a luta mais praticada no mundo.

– Importância do atleta em competir

A competição faz o atleta crescer. O atleta que compete todo final de semana tem uma pegada diferente do atleta de academia, do ser humano normal que vai para a academia para desestressar. O professor, hoje em dia, tem o cuidado de separar os treinos, de separar quem realmente é atleta e quem é pai de família que treina para cuidar da família. Hoje nós vemos muitos moleques, faixa-azul ou roxa, que o Jiu-Jitsu é de alto nível e a diferença dele para alguns faixas-preta é o tempo que ele tem de prática de esporte. O cara compete muito e endurece, não tem como o cara não crescer no esporte. O desenvolvimento do atleta hoje é muito maior em relação há anos atrás.

– Maior dificuldade e maior gratificação em produzir eventos

Acredito que a maior dificuldade, para a gente que mora no Brasil, é toda a burocracia. Para se conseguir um ginásio, uma ambulância, um apoio, é muito complicado. Se nós tivéssemos um pouco mais de apoio, talvez nós pularíamos a fase do patrocínio, porque muitas vezes o patrocínio vem para cobrir os custos altos que temos com ginásio e outras coisas. A nossa maior dificuldade é essa, porque atletas nós temos. Hoje, empresários procurando campeonatos para expor suas marcas nós temos também. Se tivéssemos um apoio maior das autoridades, acho que seria um mundo perfeito. Agora, gratificante é você, no meio do evento, pegar seu açaí, sentar na arquibancada e ver o ginásio lotado, ver todo mundo feliz, saindo com suas medalhas, isso não tem preço que pague.

Alê é responsável pela produção de eventos espalhados por todo o Brasil (Foto: Divulgação)

– Enxerga um Jiu-Jitsu ainda mais profissional nos próximos anos?

Enxergo o Jiu-Jitsu em um caminho muito profissional e isso já está acontecendo. Infelizmente, algumas entidades ainda estão de fora, mas já percebemos que eventos como ACB e outras organizações já entenderam o valor dos nossos atletas e tem feito com que eles lutem cada vez menos e tenham, de repente, remunerações que fazem com que eles se mantenham ativos no esporte. Hoje já valorizam muito mais o atleta e essa tendência nos mostra que daqui a dois, três anos, o atleta vai ter que mostrar seu valor durante um tempo, mas depois disso, ele vai conseguir viver tranquilamente do esporte.

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