Por Yago Rédua

Nome respeitado dentro do universo do Jiu-Jitsu, Raphael Abi-Rihan tem um importante compromisso neste domingo (30). O faixa-preta vai encarar Fernando Tererê, um dos maiores ícones do esporte, no Ginásio do Maracanãzinho, em superluta válida pelo Gracie Pro 2018. Durante Media Day do evento, realizado na quinta-feira (27), o casca-grossa contou que não se apega aos termos “azarão” e “favorito” e exaltou o seu oponente.

“Eu tento desapegar de qualquer expectativa que possa acontecer para essa luta que venha de fora. Quero focar no que está aqui dentro, no que eu tenho feito, vivenciado e estou aproveitando ao máximo essa experiência. Tem sido muito bacana essa oportunidade dada pelo Gracie Pro. Sobre a comparação, é até desonesto um lutador de Jiu-Jitsu se comparar ao Tererê. Por mais que eu esteja dentro do circuito, na categoria master… Eu faço, daqui a um mês, 38 anos. Então, são oito anos competindo no master direto. Não parei de competir. Tenho conseguido resultados bons, mas nada se compara ao que o Tererê fez na época de adulto, isso não se apaga. Eu venho competindo mais do que ele, porém o nome dele tem um peso enorme no Jiu-Jitsu. Seria muita pretensão minha querer me comparar a isso. Os dois souberam da luta há seis semanas, treinamos bastante. Não me apego as expectativas de quem é o azarão e favorito. Vamos ver que estrela brilhará”.

Durante o bate-papo, Abi-Rihan ainda fez uma projeção do confronto, afirmando que espera um duelo mais disputado em pé e explicou o motivo de não comparecer ao Mundial de Jiu-Jitsu Master deste ano. No mais, comentou sobre o fato de vir competindo, enquanto Tererê não luta há um tempo e ainda falou sobre a emoção de lutar diante da torcida.

Confira abaixo a entrevista com Abi-Rihan na íntegra:

– Projeção da luta com Fernando Tererê

Acho que uma luta como essa, você pode esperar de tudo. Os dois lados esperam uma luta disputada em pé. Pelo nosso histórico, imagino a princípio uma troca de pegadas mais forte, com os dois tentando se posicionar melhor por cima. O Tererê caindo por baixo é excelente. Sempre foi, mas eu acredito que vai ser uma luta disputada em pé. Ele tem um repertório muito grande, quedas boas. Então, a gente sempre acha que conhece o jogo do outro, mas tenho certeza que ele treinou muito para essa luta, deve ter algumas surpresas. Tem o meu jogo clássico também e algumas surpresas que eu posso tentar na hora. São oito minutos de luta, muita coisa pode acontecer. Eu tenho e ele deve ter também um plano B, C… Tem tudo para ser uma luta completa e com certeza vai ser um grande show.

– Opção de não participar do Mundial Master

Eu tinha recebido o convite para participar do Gracie Pro e eles estavam avaliando entre algumas alternativas. Diferente do Serginho Moraes, que semana passada saiu na porrada no UFC São Paulo (risos) e já tinha luta agendada para domingo, o meu corpo não suporta um treinamento tão contínuo. Depois da luta, eu preciso de um tempo para me recuperar. Eu não consigo lutar todo fim de semana como antigamente. Hoje eu tenho que lutar e preciso de um bom tempo para me recuperar. Então, o Mundial de Jiu-Jitsu Master, no meu perfil como atleta, é o maior objetivo. Eu treino muito para o Mundial Master, mas eu não conseguiria chegar no auge no campeonato e competir três ou quatro semanas depois no Gracie Pro, lutando no auge. Optei por uma competição que pra mim é inédita e, neste momento da minha carreira, é a melhor oportunidade. Não desmerecendo o Mundial Master, que é um campeonato muito importante, mas é um título que já tenho, conquistei em 2016. Não quis dividir a minha energia. Optei por ficar de fora e focar no Gracie Pro.

– Ritmo de competição como fator favorável

Teoricamente, ritmo de competição é uma coisa muito importante. Isso está diretamente relacionado a você competir direto, vivendo aquela adrenalina de forma recorrente e você treinar com pessoas que estão vivendo aquilo também. Eu tenho competido mais nos últimos anos, em relação à ele. Porém, o Tererê tem acesso aos maiores campeões, a equipe dele (Alliance) é uma das mais competitivas do mundo. Então, ele treina diariamente com caras que vivenciam isso o tempo inteiro. Não é uma coisa que eu me apegue: ‘Ah, estou em um ritmo melhor que o dele’. Para mim não tem isso. Ritmo de competição é importante, mas estamos falando de Fernando Tererê. É um cara que está nesta estrada há muito tempo, não é sempre que está competindo, mas os últimos resultados foram satisfatórios. Estou esperando o Tererê no maior ritmo de todos.

– Oportunidade de lutar no Rio de Janeiro

Não é comum, realmente, nessas três ou quatro vezes que eu luto por ano, lutar no Rio de Janeiro. Devo lutar uma vez há cada dois anos aqui no Rio. Então, sem dúvida, vai ser muito bom. Não sinto pressão por isso, me sinto prestigiado, contemplado. Não só pela minha família de sangue, minha mãe, minha esposa… Meu pai está decidindo se vai ainda (risos), há muitos anos que ele não vai. Mas estará presente toda a minha equipe, que também é a minha família. É uma energia que não estou acostumado a sentir. Estamos acostumados a lutar em uma atmosfera de 6, 8 ou 10 áreas de luta e todo o público dividido, então, a minha torcida acaba sendo dez pessoas. Só de venda de bilheteria, teve uma galera boa que comprou. Vai ser uma torcida boa para os dois lados. Vai ser uma energia diferente, conto com isso ao meu favor. Não me sinto nenhum pouco pressionado.

SERVIÇO:

Gracie Pro 2018

Data/hora: 29 e 30 de setembro, a partir das 8h
Local: Maracanãzinho – Av. Pres. Castelo Branco, Portão 3, Maracanã – Rio de Janeiro (RJ)
Ingressos: bilheteriadigital.com

Superlutas
Gilbert Durinho x Serginho Moraes
Raphael Abi-Rihan x Fernando Tererê
Tayane Porfírio x Jessica Swanson
Gustavinho Saraiva x Fernando Fernandes