Artigo: os altos e baixos na carreira de um atleta de alta performance e a importância da autoconfiança

    Ex-lutador do UFC, Luiz Besouro passou a se consultar com Renata Carvalho (Foto reprodução)

    * Esforço físico, dor e repetição; dedicação extrema, pressão psicológica, frustração. O cotidiano de um atleta de alto rendimento está longe de se resumir às glórias do lugar mais alto do pódio. O caminho entre a descoberta e o prazer da prática esportiva e a conquista de medalhas, cinturões e troféus é para poucos e exige uma rotina exaustiva de treinamentos, lesões e tratamentos, que nem sempre garantem recompensa para quem nele se aventura. A carreira de um atleta de alta performance é quase sempre curta, desgasta corpo e mente e é preciso muita resiliência para continuar seguindo em frente.

    No caso de atletas de MMA, estes altos e baixos ficam ainda mais evidentes devido a intensidade da preparação que envolve as diversas modalidades de luta que o atleta pode utilizar em uma competição como Judô, Wrestling, Muy Thai, Luta Livre, entre outras. Isso sem contar nas dietas restritivas e a pressão psicológica que aumentam nas últimas horas antes da luta. Além disso, muitos atletas precisam conciliar a rotina de treinos pesados com alguma outra função de trabalho, já que na maioria das vezes, não possuem patrocinadores ou algum tipo de renda fixa. Lutadores de MMA apresentam um elevado nível de estresse e muitas vezes esse estresse leva ao “overtraining” e ao surgimento de lesões, tamanha é a pressão que os atletas vivenciam em suas respectivas carreiras.

    Além disso, após um longo período de invencibilidade, costuma ocorrer uma queda no rendimento nos combates seguintes, e aí que surge a dificuldade em reconstruir o caminho com a mesma eficiência e brilhantismo. Isto ocorreu com Luiz Besouro, atleta profissional de MMA participante do TUF Brasil 2. Após participar no programa, Luiz viu sua carreira deslanchar, assinou contrato com o UFC, onde teve uma luta em que foi desclassificado, depois uma derrota e acabou sendo demitido. Posteriormente, em decorrência de uma lesão, ficou parado por um ano. Com tantos obstáculos, seu psicológico foi muito abalado. Entretanto, após algum tempo, Besouro retornou ao cage e venceu uma luta importante no Shooto Brasil. Logo em seguida, ganhou uma luta no Pancrease e, de “bônus”, teve seu duelo eleito o melhor da noite. Após três meses, foi lutar na China, mas acabou perdendo por nocaute técnico quando literalmente “apagou”, o que o deixou muito abalado e gerou a uma queda no seu rendimento tanto no aspecto físico, mas principalmente no aspecto emocional. Desde então, apresentou algumas dificuldades para retornar sua rotina de treinos, tendo que conciliar a carreira de atleta com alguma outra atividade profissional.

    Entretanto, de uns meses para cá, Besouro e sua equipe traçaram um plano de ação com metas de curto e médio prazo para seu retorno aos cages. O lutador retomou sua intensa rotina de treinos com as equipes RFT (Renovação Fight Team) e CMT (Careca MMA Team), passou a investir mais na preparação física, tem acompanhamento médico e de nutricionista. E para sua preparação mental focando na volta aos combates, começou a participar das sessões de coach esportivo, já que não luta desde novembro de 2017.

    Quando o atleta de alta performance passa por queda no rendimento, apresentando resultados negativos, sua confiança é abalada e se isto não for logo tratado, o atleta entra em um ciclo “vicioso” de derrotaqueda de confiança – nova derrota – desmotivação – frustração e novamente queda de confiança. Sabemos que existem muitos fatores e características de personalidade que constroem um atleta de alta performance, mas existe um que se destaca de todos os outros e que estabelece uma forte relação com a motivação, que é a confiança. Quando o atleta tem um forte sentimento de confiança, emerge uma forte motivação. A motivação (emoção + ação) garante o combustível para a preparação, e a boa preparação torna-se elemento fundamental para a confiança. Este é o ciclo “vicioso” da vitória, bem diferente do que foi citado anteriormente, o das derrotas.

    Deste modo, o fator mais importante para o atleta se manter no topo ou retornar ao topo é, sem dúvida, a sua autoconfiança. Esta confiança funciona como um gatilho que permite potencializar e aumentar a eficácia de outros fatores, tais como: motivação, capacidade de lidar com a pressão ou estresse, capacidade de foco e a habilidade de lidar com as emoções e performar com excelência, independentemente da emoção que esteja sentindo. Os melhores atletas conseguem agregar estas competências e, assim, se colocam em uma posição de vantagem competitiva sobre os demais. Mas sabemos que o atleta pode agregar várias competências, ter à sua volta os melhores treinadores e a melhor infraestrutura, porém, se não conseguir recuperar sua autoconfiança e fortalecer sua capacidade mental de lidar com as adversidades e as derrotas, dificilmente chegará ao topo ou retornará a ele.

    E você, atleta de alta performance, já passou por algo semelhante? Precisou refazer seu caminho para o topo? Conte-me sua experiência me enviando um e-mail através de (psiespinola@gmail.com) ou um direct no meu Instagram (@renatacarvalho_ coach).

    * Renata Carvalho é Psicóloga clínica, Coach Esportiva de alta performance, Consultora da Academia CT Brasil e da CMT

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