Luiza Monteiro evita criticar lutadoras e indaga sobre número mínimo para pagar premiações: ‘Tiro no escuro’

    Luiza Monteiro foi campeão do Mundial da SJJIF na categoria e terceira na divisão (Foto: bjjworldphotos)

    Por Yago Rédua

    Na busca por igualdade nas premiações entre homens e mulheres nas competições de Jiu-Jitsu, Luiza Monteiro participa dos campeonatos e não deixa de lutar por essa causa. No fim de outubro, na Califórnia (EUA), a faixa-preta participou do Mundial da SJJIF – que paga premiação de US$ 15 mil, se for atingido o mínimo de 12 atletas no absoluto. Caso contrário, o valor reduz para US$ 10 mil até 11 atletas e, por fim, US$ 5 mil se tiver entre sete e quatro competidoras. Assim como em 2017, neste ano faltaram lutadoras.

    À TATAME, Luiza Monteiro, que ficou em terceiro lugar no peso-aberto, comentou sobre a ausência de competidoras: “Então, eu acho que é ruim para nós, mulheres, que batalhamos tanto pela igualdade dentro do esporte. Porém, não julgo as meninas que não apareceram. Não sei exatamente o motivo da ausência delas, eu fiz a minha parte. Lutei um fim de semana antes em Las Vegas, estava cansada, mas estava ali, não poderia deixar uma oportunidade de representar o Jiu-Jitsu feminino na causa pela igualdade passar por mim”, disse Luiza, afirmando que isso “enfraquece” a luta por igualdade de premiações.

    “Enfraquece com certeza (luta pela igualdade). Fortalece os argumentos dos organizadores de que ‘a parte deles de dar a premiação igual, eles estão fazendo e cabe a nós nos inscrevermos’, mas não é tão simples. Por um limite alto de inscritos para ter o pagamento da premiação, assusta um pouco aquele que vai se inscrever. Não só no feminino, mas no masculino também. Acho que no masculino deu dois caras a mais do que no feminino e olha que, proporcionalmente, temos muito mais homens no Jiu-Jitsu do que mulheres. Então, se fôssemos seguir a lógica, era pra ter muito mais homens lutando por aquela grande premiação, certo? O fato de você se propor a lutar um campeonato, fazer a viagem, ter as despesas, se planejar, dando um tiro no escuro, contando com a boa vontade de outros atletas se inscreverem para poder ter a premiação é complicado. Acho que é o que desmotiva um pouco a galera a se inscrever, não ter a certeza de que vai dar o número de gente que precisa pra ter o pagamento e fazer todo esse esforço em vão”, destacou.

    Confira a entrevista na íntegra com Luiza Monteiro:

    – Medalha de ouro no Mundial da SJJIF

    Foi legal (a participação)! Eu já estava treinando bastante para o Black Belt CBD, então foi uma semana depois. Só tinha menina dura, então fiquei feliz com meu desempenho.

    – Análise da organização do Black Belt CBD

    Foi um campeonato excelente, que tive o maior prazer de poder participar, mesmo não saindo com a vitória. Fomos tratados realmente como profissionais, pagaram passagem, hospedagem, premiação igual ao dos homens, sem falar do tratamento dentro e fora dos bastidores do campeonato. Eu, particularmente, amei e espero poder participar mais vezes.

    – Desempenho e vice-campeonato no Black Belt CBD

    A final contra a Ana Carolina foi um lutão: 15 minutos de guerra. Acho que a maior dificuldade pra mim foi a regra, não me favoreceu muito, porque no primeiro minuto não podia chamar pra guarda. E o que se faz contra três meninas que são excelentes em dar quedas? (risos). Foi difícil, em todos os rounds saí perdendo de início de 2 a 0, inclusive na primeira luta contra a Catherine, então minha estratégia foi buscar a finalização o tempo todo. Contra a Catherine deu certo, com a Ana Carolina eu consegui encaixar um leg lock forte no último round, mas como ela ganhou os dois primeiros por pontos, imaginei mesmo que ela resistiria pra ganhar mais o terceiro e ficar com a vitória. Então, agora é treinar mais queda e defesa de queda, já estou trabalhando nisso (risos).

    – Recuperar corpo e começar o ano forte

    Minha meta é cuidar das lesões, tive um ano difícil em relação a isso. Senti que estava na minha melhor fase, mas acho que foi o ano em que mais tive lesões que me limitaram. O foco agora é parar um pouco, cuidar das lesões pra chegar em 2019 com tudo!

    1 COMENTÁRIO

    1. Sim a organização está correta , para receber prêmios iguais as mulheres tem que ser vendáveis assim como os homens em todos esportes ,precisam chamar audiência como os homens. Rsrsrs a 10 anos atras não havia premiação em dinheiro em campeonato nenhum para ninguém . Meninas continuem trabalhando forte que vocês chegam lá.

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