Antes de ‘recomeço’, Pedrita revela que dengue quase a levou a óbito: ‘Pensei em desistir de tudo’

    Priscila Pedrita superou graves problemas e volta a lutar pelo UFC neste sábado, dia 16 (Foto divulgação)

    Por Mateus Machado

    O duro revés para Valentina Shevchenko na estreia no UFC trouxe graves consequências para Priscila “Pedrita”. Finalizada no segundo round pela lutadora do Quirguistão, que agora é a atual campeã peso-mosca, a brasileira sofreu uma grave lesão no joelho durante o combate, e como se não bastasse o difícil período de recuperação, a carioca, pouco tempo depois da cirurgia, contraiu uma dengue hemorrágica, que quase a levou a óbito.

    A derrota em sua estreia no Ultimate, somada à grave lesão e a dengue, quase fizeram Priscila deixar o MMA. Com uma vida marcada por superações, a lutadora encontrou forças em sua mãe e em seu mestre, Gilliard Paraná, para seguir fazendo o que mais ama. Agora, ela volta ao octógono no próximo sábado (16), quando enfrentará Molly McCann em Londres, na Inglaterra, em sua primeira luta fora do Brasil. Em entrevista à TATAME, Pedrita garantiu estar totalmente recuperada dos problemas que sofreu e contou o drama.

    “A recuperação da lesão no joelho, até então, estava ótima, me recuperando muito bem. Quando deu cinco meses, eu peguei uma dengue hemorrágica, aí complicou todo o meu tratamento, né? Eu quase vim a óbito, quase morri, quem pagou meu tratamento foi o UFC e isso mexeu muito com a minha cabeça, porque eu vinha lutando de três em três meses, com vitórias e mais vitórias, peguei a Valentina na minha estreia pelo UFC e tive uma derrota que foi marcante, onde não pude mostrar minha capacidade e meu talento, nem o trabalho da minha equipe. Isso mexeu tanto com a minha cabeça que eu cheguei ao ponto de querer desistir de tudo, de largar o MMA”, lembrou com emoção a atleta da PRVT Girls.

    Confira a entrevista com Priscila Pedrita na íntegra:

    – Preparação para o confronto no UFC Londres

    Logo depois que eu voltei a treinar, comecei devagarzinho, por conta da recuperação da lesão no joelho. Mas depois que marcaram a luta, tudo mudou, né? Aí eu venho treinando há uns cinco meses para essa luta, com uma estratégia bem traçada para sairmos com a vitória. Foi um camp muito bom, tranquilo e voltado para a vitória, podem ter certeza.

    – Análise de Molly McCann e promessa de nocaute

    Pude ver que ela é uma boa trocadora, mas na PRVT Girls, a gente tem meninas que também batem pra caramba e eu me saí muito bem nas sessões de sparring. Tenho certeza que quando a minha mão entrar, ela vai sentir, isso se ela não cair. A estratégia é nocauteá-la, e se ela quiser ir para o chão, estou preparada para tudo. O que ela quiser, ela vai ter, isso se ela não cair ainda no primeiro round. Estou pronta para o que vier.

    – Dengue, sofrimento e quase desistência do MMA

    A recuperação da lesão no joelho, até então, estava ótima, me recuperando muito bem. Quando deu cinco meses, eu peguei uma dengue hemorrágica, aí complicou todo o meu tratamento, né? Eu quase vim a óbito, quase morri, quem pagou meu tratamento foi o UFC e isso mexeu muito com a minha cabeça, porque eu vinha lutando de três em três meses, com vitórias e mais vitórias, peguei a Valentina na minha estreia pelo UFC e tive uma derrota que foi marcante, onde não pude mostrar minha capacidade e meu talento, nem o trabalho da minha equipe. Isso mexeu tanto com a minha cabeça que eu cheguei ao ponto de querer desistir de tudo. Eu liguei para minha mãe, liguei para o meu mestre para dizer que não fazia mais parte da equipe. Quando peguei a dengue, eu pensei que não conseguiria mais voltar a lutar por causa do joelho, que começou a doer muito de novo, a inchar novamente, como se tivesse recém-operado, então eu pensei que não conseguiria mais, porque é um processo muito doloroso. Eu disse para o meu mestre, por telefone, que não faria mais parte da equipe e depois de 1h ele estava no portão da minha mãe dizendo: ‘Eu só saio daqui com a minha Pedrita de volta’. A força para essa minha volta, primeiramente, veio de Deus, mas também do meu mestre, Gilliard Paraná, que me deu a mão e disse que seguiríamos juntos, independentemente do que acontecesse. É algo que emociona muito, porque sabemos de tudo o que passamos juntos. É mais uma superação. A minha vida é marcada por isso, né? Mas vamos seguir em frente e com muita força e fé.

    – Começo e foco para evoluir seu jogo de chão

    O meu plano é ir com calma, para evoluir bem. Eu comecei a fazer luta de chão recentemente, eu não tenho tanta experiência, porque o jogo de chão você não aprende de uma hora pra outra, se aprende com o tempo e a prática. Eu quero lutar o Mundial de Jiu-Jitsu, quero praticar e evoluir minha luta agarrada, quero minha faixa roxa também (risos). Vamos com calma, mas a estratégia é ir vencendo, subindo degraus, fazendo boas lutas, para chegar no topo e, quem sabe, pegar a Valentina Shevchenko no futuro novamente.

    Pedrita fez trabalho com hipnose durante sua preparação para duelo em Londres (Fot Getty Images)

    – Trabalho com hipnose e retorno da confiança

    Como eu disse, meu psicológico ficou muito abalado com tudo o que aconteceu. Então, a hipnose veio para me ajudar a tirar esses ‘fantasmas’ da minha cabeça e me fazer voltar a enxergar quem eu sou de verdade: uma menina que supera tudo, guerreira, que quando entra no octógono, dá a vida, e que luta por tudo desde novinha. A hipnose veio me trazer isso de volta, me trazer a estabilidade psicológica, porque eu estava perdendo isso quando pensei em desistir. A minha mente foi blindada para que nada de ruim entrasse e agora é só foco, garra e determinação para chegar lá no octógono, dar um show e sair vitoriosa.

    – Lembranças da dura derrota para Shevchenko

    Agora vai ser tudo bem pensado. A parte apressada já foi, que foi essa luta contra a Valentina, onde eu vinha de grandes vitórias, enfrentando lutadoras brasileiras de destaque, vencendo todas elas e eu via ali uma grande oportunidade (contra a Valentina), mas não contava com a lesão no meio da luta. Eu poderia, sim, perder para a Valentina, a probabilidade era grande, porque ela é mais técnica e mais experiente. Mas eu acredito que se meu joelho estivesse bom ali, na luta, seria um combate bonito de se ver. Eu estava muito bem, motivada… Eu poderia perder, mas seria uma grande luta, essa era a ideia. Mas não foi o que ocorreu, logo no início eu ‘estourei’ meu joelho e não consegui mais fazer nada. Agora vamos com calma, focar em me tornar uma lutadora completa, e isso não vai demorar, não, porque sempre tive facilidade em aprender e estou com foco total.

    CARD COMPLETO:

    UFC Fight Night 147
    The O2 Arena, em Londres (ING)

    Sábado, 16 de março de 2019

    Card principal
    Peso-meio-médio: Darren Till x Jorge Masvidal
    Peso-meio-médio: Leon Edwards x Gunnar Nelson
    Peso-meio-pesado: Volkan Oezdemir x Dominick Reyes
    Peso-galo: Nathaniel Wood x José Alberto Quiñonez
    Peso-meio-médio: Danny Roberts x Cláudio Hannibal
    Peso-médio: Jack Marshman x John Phillips

    Card preliminar
    Peso-pena: Arnold Allen x Jordan Rinaldi
    Peso-leve: Marc Diakiese x Joe Duffy
    Peso-meio-pesado: Nick Negumereanu x Saparbeg Safarov
    Peso-médio: Tom Breese x Ian Heinisch
    Peso-pena: Danny Henry x Dan Ige
    Peso-mosca: Molly McCann x Priscila Pedrita
    Peso-pena: Mike Grundy x Nad Narimani

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