Coluna Treinamento Desportivo: saiba mais sobre o aumento do poder de nocaute através da preparação física

Publicado em 22/03/2019 por: Nilmon

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Os atletas normalmente se beneficiam, quando além dos fatores técnicos de seu esporte, realizam uma preparação física de maneira adequada. Quando as capacidades físicas do organismo são melhoradas, o desempenho atlético aumenta. O treinamento, tanto do componente técnico do esporte, quanto da parte física, provoca aumentos na capacidade de trabalho e nas habilidades esportivas, tornando o atleta pronto para competição [2].

Os esportes de combate são intervalados ou intermitentes, o que significa que há períodos de intensidade muito alta e outros de baixa intensidade, com um período de descanso designado entre os rounds. Isso nos informa que diferentes sistemas energéticos estão sendo usados e devem ser estimulados por meio de treinamento específico. Força e potência, além da capacidade cardiorrespiratória e flexibilidade, são todos requisitos dos esportes de combate e devem ser considerados como componentes necessários do regime de treinamento do atleta [1]. Tudor Bompa afirma que, com a preparação física específica para cada esporte, a força absoluta e relativa são melhoradas, assim como aumenta a massa muscular e a elasticidade muscular quando um atleta participa de um programa individualizado. Atributos específicos como potência ou força também são melhorados [2].

Pesquisa recente mostrou que existe uma correlação direta entre um alto nível de força e potência e um maior poder de nocaute em movimentos de trocação como: Boxe e Muay Thai. Os atletas mais fortes e potentes tiveram melhor desempenho durante a pesquisa, que buscou medir a eficácia da força de socos jabs e diretos em uma plataforma de força fixada na parede juntamente com um alvo [4]. Vale ressaltar que, devido à prática de corte de peso (perda rápida realizada na maioria das categorias de peso), os grandes ganhos de hipertrofia podem ser prejudiciais à saúde do atleta e este fator precisa ser considerado pelos treinadores ao programar o treino [4]. Toda atenção aos detalhes é necessária.

O treinamento físico específico prepara o atleta fisiologicamente, usando movimentos encontrados no esporte específico [2]. Quando um atleta é preparado fisiologicamente – tanto muscularmente quanto metabolicamente –, ele se recupera mais rapidamente e apresenta melhor desempenho [2]. Além disso, as ações técnicas devem ser realizadas corretamente, utilizando os movimentos mais eficientes, com velocidades elevadas [2].

Dependendo do esporte, os golpes podem ser executados não apenas com as mãos, mas pés, canelas, joelhos e cotovelos. No entanto, existem alguns fatores muito específicos para golpes realizados com a parte superior do corpo. Enquanto os membros inferiores estão em velocidade zero, os atletas iniciam a força contra o solo e aceleram seu corpo após superar a inércia, e a extensão final do braço acontece em uma velocidade muito alta. Portanto, as características cinéticas e cinemáticas dos movimentos que resultarão no golpe devem ser consideradas no treinamento [3]. Durante a pesquisa sobre boxeadores, um impacto maior foi alcançado quando o atleta foi autorizado a dar um passo em direção ao alvo, a posição auto-selecionada (distância escolhida pelo atleta), em oposição a uma posição estática pré-designada (distância escolhida pelo pesquisador), produziu melhores resultados [4], mas quando consideramos atletas de MMA, temos que lembrar de socos e outros golpes que ocorrem, tanto em pé e no chão, o que criam demandas físicas únicas.

Ao analisar dados estatísticos de pugilistas amadores, percebemos que estes apresentam uma média de 1,4 ação/segundo durante a competição [4], então podemos entender o quão importante é o treinamento específico para o esporte. Não só o Boxe, mas em geral.

Conclusão:

Em esportes que envolvem trocação como Boxe ou Muay Thai especificamente, o atleta deve ser capaz de produzir uma força elevada em alta velocidade. Este é um fato específico do esporte que justifica o treinamento de potência (força x velocidade = potência) [4]. É necessário que os treinadores também desenvolvam a parte técnica dos movimentos em suas sessões de treinamento para otimizar a força e a potência na eficácia de golpes (ou ataques) possibilitando ao atleta escolher qual a melhor distância para realizar esses ataques [4], distância esta que é diretamente proporcional à força resultante com que será atingido o ponto alvo ao final do golpe.

Os métodos que produzem os melhores resultados no aumento do poder de nocaute, são aqueles orientados para o desenvolvimento da potência e devem utilizar cargas leves ou moderadas em alta velocidade [4]. Como esses golpes são rápidos e com curta duração de tempo, ou seja, com aumento na aceleração, o atleta deve tentar melhorar a potência anaeróbica além de desenvolver força nos membros superiores e inferiores visto que existe uma correlação significativa (por volta de 82%) entre a potência de membros inferiores e a habilidade de produzir potência com os membros superiores [4].

Como exemplo prático podemos sugerir a execução de 5 series de 5 repetições com máxima velocidade com um intervalo relativamente longo de 3-5 minutos entre as séries.

Observação:

Recomendamos a ajuda de um profissional de educação física registrado no – CREF para desenvolver um programa individualizado.

Na elaboração deste artigo tivemos a participação de Rokaya Mikhailenko, ACSM-CPT.

Agradecemos também a colaboração do Atleta da American Top Team – Natan “Russo” Schulte, bem como seus treinadores e Mestres de Muay Thai – Luciano “Macarrão” Santos e Katel Kubis; o preparador físico – Everton Bittar; o treinador de BJJ – Marcos Parrumpinha e o Head Coach da ATT – Conan Silveira.

Referências:

  1. Andrade, A., Flores, M., Andreato, L., Coimbra, D. (2019) Physical and Training Characteristics of mixed martial arts athletes: systematic review. Strength and Conditioning Journal 41(1): 51-63.
  2. Bompa, T. (1999) Periodization; Theory and Methodology of Training 4th ed. Champaigne, IL: Human Kinetics.
  3. Chaabène HTabben, M., Mkaouer, B., Franchini N. Y., Hammami, M., Chaabène, RBHachana, Y. (2015) Amateur boxing: physical and physiological attributes. Sports Med. 45(3):337-52. doi: 10.1007/s40279-014-0274-7.
  4. Loturco, I., Nakamura, F., Artioli, G., Kobal, R., Kitamura, K., Cal Abad., C… (2016) Strength and power Qualities are highly associated with punching impact in elite amateur boxers. Journal of Strength and Conditioning Research, 30(1)/109-116.

Stéfane Dias: PhD em Treinamento Desportivo – Rússia e Professor da Keiser University – USA/ e-mail: mestraoatt@hotmail.com/ Instagram: https://www.instagram.com/dr.stefanedias/

 

 

Fábio Vieira: PhD em Ciências do Movimento Humano e Professor do Centro Universitário UNIVAG – e-mail: fabio.vieira@hotmail.com – Instagram: https://www.instagram.com/fabiosfvieira/

 

 

Diego Lacerda: Mestre em Treinamento Desportivo – Rússia – e-mail: diegocslacerda@gmail.com – Instagram: https://www.instagram.com/diegolacerdatkd/

 

 

Pavel Pashkin: Mestre em Treinamento Desportivo e Treinador Profissional de Sambo – Rússia – e-mail: fitsambo@yandex.ru – Instagram: https://www.instagram.com/pashkinpavel 

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