Arte suave para mulheres: meu companheiro não me deixa treinar Jiu-Jitsu, e agora? Leia e opine

    Jiu-Jitsu vem quebrando barreiras e hoje é praticado por muitas mulheres nos Emirados Árabes (Foto Kenny Jewel / IBJJF)

    Por Carolina Lopes

    Já ouviu essas frases? “Meu namorado não me deixa treinar” ou “meu marido não gosta que eu treine com homens”. No texto desta terça-feira (11), vamos falar sobre esse problema e acabar com alguns estereótipos que ainda dão para o Jiu-Jitsu.

    As mulheres estão cada vez mais presentes nos tatames. Porém, enquanto existem academias com times femininos de peso, em outras algumas meninas contam que são as únicas em meio aos homens. Se já somos minoria no esporte, não precisamos de alguém de fora nos limitando, certo? Pode ser por ciúmes, por falta de informação ou conhecimento, mas de nenhum jeito alguém pode te dizer o que você deve (ou não) fazer.

    Jiu-Jitsu é agarração?

    Muitas pessoas ainda têm essa ideia do Jiu-Jitsu. “Nossa, você vai para o tatame pra ficar se agarrando com os outros?”. O que elas não sabem é que estão falando uma besteira sem tamanho. Por causa dessa visão ultrapassada, alguns homens podem não gostar muito da ideia de ver sua namorada/esposa treinando com outros homens.

    É normal que seja estranho para alguém de fora. Entretanto, o problema está em não abrir a cabeça e, ainda por cima, querer proibir a companheira de continuar treinando. Ninguém é obrigado a ir treinar junto, mas se é algo que incomoda tanto, no mínimo deve ir conhecer o esporte para que o preconceito a respeito acabe.

    Quem diz que Jiu-Jitsu é “agarra-agarra” mal sabe o esforço que fazemos para treinar, os roxos espalhados pelo nosso corpo, a dificuldade de treinar com alguém muito mais pesado, as inúmeras vezes que precisamos repetir as posições para aprender, os 1001 detalhes que existem em uma única posição. Não é nada fácil, muito menos “agarração”.

    ‘Mulher minha não vai’

    Vamos começar esclarecendo que a mulher não é propriedade de ninguém e não existe essa de “mulher minha não”. Algo do tipo: legal as mulheres lutando, mas mulher minha não. Não existe “mulher sua” ou “homem seu”. Um relacionamento não pode ser baseado em um ser propriedade do outro. Ninguém tem que deixar nada, e sim, estabelecer uma relação de confiança, parceria. Um ao lado do outro, e nunca um acima do outro.

    Se ela está treinando Jiu-Jitsu (ou qualquer outro tipo de luta e/ou esporte), é porque gosta. Então essa fala, no mínimo, vai fazer com que ela fique muito chateada com você. Reveja seus conceitos, tenha empatia e a cabeça aberta para novas experiências.

    Abaixo, veja alguns depoimentos de mulheres sobre essa situação:

    -Denise, faixa marrom

    “Meu ex-marido na época treinava comigo, mas começou a querer controlar quando eu iria competir e treinar. Falei que iria competir de qualquer jeito, quando quisesse. Pra eu não treinar, se negava me levar na academia com nosso carro, sugeri que me deixasse e buscasse, que eu fosse de carro sozinha, ou até que fosse e ficasse lá vendo eu treinar já que não queria. Ele escondia a chave do carro e trancava a garagem. Após 18 anos sem pegar ônibus, fui pra academia de ônibus, andava uma parte que era perigosa e chegava meia-noite em casa, de alma lavada, me sentindo revoltada, mas livre. Depois de alguns meses falou que eu estava louca, só pensava em Jiu-Jitsu. Separei e ele disse que foi isso. Falei que o Jiu-Jitsu fez meu casamento durar mais e ele perder o domínio sobre mim”.

    -Amanda, faixa-azul

    “Na época eu estava começando e ele ficou meio chateado porque eu não estava mais disponível todos os dias. Ainda teve que ir falar para os amigos que tínhamos que eu só tinha tempo para o Jiu-Jitsu e que não saia mais com ele. Foi quando eu decidi minha vida e hoje ele virou ex! Ele queria que escolhesse entre ele e o Jiu-Jitsu, e fiz a escolha certa”.

    -Andreia, faixa-azul

    “Sempre me relacionei com pessoas que achavam o máximo eu treinar. Porém, como adoro competir, quando tinha final de semana que iria lutar a pessoa já dizia ‘de novo vai competir?’. Ou assistia ao meu treino e falava ‘precisa treinar com homem?’. Depois de um tempo este relacionamento curto não ia adiante. Complicado. Até me relacionei com alguém do esporte, mas também dizia ‘precisa treinar com homem?’, fazia uma cara de quem não gostava. Tem muito homem que até acha legal você treinar Jiu-Jitsu, mas aí vem o ‘minha ‘mina’ não’ ou ‘não quero que treine com homens’, e isso não dá”.

    -Miriam, faixa-branca

    “Meu filho treinava, mas sempre acabava se afastando. Na verdade ele não gostava muito, quem gostava era eu. Tentava me realizar nele, mas decidi que não adiantava, falei: ‘Eu vou procurar a arte marcial’. Meu ex-marido não aceitava de jeito nenhum. Fiquei doida para procurar uma equipe feminina e não achava. Falei para ele ‘vou treinar normal então e só treino com mulheres’, mas raramente encontrava mulheres no tatame. Ele não aceitava, não queria que eu fosse nem em uma academia que tivesse homens, até a professora teria que ser mulher. Eu ficava naquela angústia. Um dia eu achei e iniciamos um grupo de quatro meninas, outra moça também tinha o mesmo problema que eu. Ele aparecia lá de repente, para ver se eu não estava treinando com homens. Meu filho ia junto às vezes e ficava para treinar com os meninos, ele aparecia para ver se eu também não estava treinando com eles. Mudei para outra equipe e treino com meninas e meninos. Hoje sou totalmente feliz, realizada. Acabei me separando, não pelo Jiu-Jitsu, e sim por uma traição dele. Fez um ano que treino com homens também, minha evolução foi muito grande. Vi que o respeito é muito grande, não tem isso que ele falava de agarra-agarra. Meu filho é faixa-azul, mas hoje me realizo por mim. Não tenho mais impedimento, ninguém para falar o que eu devo ou não fazer. Sou muito respeitada pelos meninos da minha equipe. O tatame vale muito mais do que qualquer relacionamento”.

    Não permaneça onde você não se sente bem

    Você não deve abrir mão do que ama porque seu namorado/marido “não deixa”. Esse pensamento reforça um preconceito e falta de conhecimento sobre o Jiu-Jitsu, além de uma ideia de que a mulher é propriedade, que o homem pode definir o que ela faz ou não.

    Não permaneça com alguém que não te faz bem, que não te aceita por completo. Isso vale para relacionamentos (namoro, amizade, etc) e também lugares. Se você estiver passando por uma situação de abuso, disque 180 ou fale com alguém que possa te ajudar. Oss!

    4 COMENTÁRIOS

    1. Eu sou praticante do esporte , faço jiu-jitsu a um bom tempo e hoje em dia tenho minha mulher , ela não gostava muito ACHAVA UM ESPORTE MUITO BRUTO , hoje em dia ela ama , alem de gosta muito passou a fazer tbm , eu super recomendo e a paio #oss

    2. Tenho quinze anos de jiu jitsu e já vi muita esposa controlar ou tentar impedir o marido de treinar, algumas são tão ciumentas q os caras evitam sair nas fotos junto com as meninas que lutam. Eu já falei pra eles “não parem de treinar por causa das esposas elas que se virem o treino é sagrado”.minha esposa quis dar piti quando viu eu no treino de sub com uma mulher, falei pra ela “vc quer separar?,pode ir!”concordo com a Carolina Lopes ninguém é de ninguém…osssss .

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