Artigo: Jiu-Jitsu e o Autismo: como lidar com atletas autistas nas academias e a maneira de incentivá-los; veja

Publicado em 20/09/2019 por: Mateus Machado
Artigo: Jiu-Jitsu e o Autismo: como lidar com atletas autistas nas academias e a maneira de incentivá-los; veja

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* Muitas academias de artes marciais, em especial as de Jiu-Jitsu, têm recebido ou irão receber crianças ou adultos com diagnósticos de Autismo leve. Caso isso não aconteça no atual momento, as academias e centros de treinamentos devem se preparar, pois em algum momento alunos com essa condição irão surgir para prática da arte. 

E como lidar e se preparar com alunos que tenham Autismo? Os questionamentos são inúmeros, e o ponto principal é saber o que é o Autismo. 

Por ser um assunto novo inserido nas academias de artes marciais, vamos fazer uma breve introdução sobre O Autismo, do qual é de suma importância para os professores de Jiu-Jitsu, que previamente podem adquirir por esse artigo uma abertura para estudar sobre e se adaptar ao mundo do Autismo. 

O autismo compreende a observação de um conjunto de comportamentos agrupados em uma tríade principal: comprometimentos na comunicação, dificuldades de interação social e atividades restritas repetitivas. O CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) classifica o Autismo como um dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. O manual aponta, também, outros distúrbios com quadros artísticos. 

Síndrome de Asperger: difere do Autismo clássico, principalmente por não ocorrer deficiência mental, atraso cognitivo e considerável prejuízo na linguagem. Autismo Atípico: esta categoria deve ser usada quando existe um comprometimento grave e global do desenvolvimento da interação social, da comunicação verbal e não verbal. Transtorno de Rett: proveniente de causa desconhecida e com severa deficiência mental, o transtorno de Rett é relatado até o momento apenas em crianças do sexo feminino. Transtorno Desintegrativo da Infância: é muito mais raro que o autismo, com sintomas semelhantes ao de Rett, mas incidindo predominantemente em meninos, geralmente acompanhado de deficiência mental. 

As crianças diagnosticadas com Síndrome de Asperger são consideradas por muitos como autistas de alto funcionamento, às vezes chamadas de savants (sábios), ainda que alguns considerem esta síndrome como uma forma específica e diferente do autismo. Williams e Wright (2008). 

O uso atual da nomenclatura transtorno do espectro Autista possibilita a abrangência de distintos níveis do transtorno, classificando-os de leve, moderado e severo. É bem provável que, em nosso convívio, sempre existiram muitas pessoas com Autismo, mas sem o diagnóstico inclusive seu aluno de Jiu-Jitsu. 

O professor não deve esperar que o aluno com Autismo diga para ele o que está acontecendo. O entendimento preciso dos contextos comportamentais demandará permanente vigilância, sensibilidade e perseverança do professor de Jiu-Jitsu. 

Conforme a professora Camila Vicente da Silva, professora de Educação Especial (acompanhante de autista), que em séries iniciais do ensino fundamental acompanha as adaptações curriculares necessárias para os alunos, explica que a prática com autistas levou a considerar vários pontos importantes para sua trajetória como educadora, uma delas é ter certeza de que nenhuma criança ou adulto aprende (produz conhecimentos) do mesmo modo que a levou a estudar as conexões cerebrais que levam a esta aprendizagem, sendo assim, ela se aperfeiçoou em vários cursos de capacitação em métodos totalmente diferenciados para, então, iniciar os atendimentos com crianças e adultos autistas. 

Porém, ao se dedicar a este assunto, conseguiu observar a cada momento o quanto o afeto é primordial para o desenvolvimento dos mesmos. Dentro da modalidade Jiu-Jitsu, entre crianças e adultos autistas praticantes, podemos observar o avanço na área motora e psicomotora e também na interação social. Um avanço enorme e considerável, conclui a especialista. 

Já a professora Ana Paula dos Santos (Paulinha) conta que há um ano foi procurada pela mãe Kátia Valéria de Sousa dos Santos, de uma criança com Autismo Lucas Theodoro de Lima, que pedia ajuda para desenvolver o convívio do seu filho em meio ao esporte na academia que Ana ministra aulas de Jiu-Jitsu. 

“Ela chegou até mim meio que receosa, me falando que seu filho tinha algumas dificuldades, tendo um pequeno grau de autismo. Ela me olhou e me perguntou se tinha algum problema dele treinar em meio aos demais alunos e em eu dar aulas a ele”, relata a professora. 

“Eu disse que não teria problema, que ele não era problema e que seria tratado igualmente como os demais alunos. E que iríamos aprender muito com ele e ele conosco. Assim, olhei para o então aluno com autismo e perguntei por que ele queria fazer Jiu-Jitsu? Ele me disse: ‘porque é uma ótima defesa pessoal”, conta Ana Paula. 

“Ainda perguntei qual era o intuito dele no Jiu-Jitsu. Ele não me respondeu, mas respeitei o seu momento e não perguntei mais nada. Fizemos as primeiras aulas, e como sua mãe já tinha me relatado o Autismo, fui procurar entender mais sobre o assunto…

O professor ou os pais devem colaborar para que não haja sentimentos de fracasso e frustração. “É fundamental importância e o trabalho conjunto entre família e profissionais, e também haverá sempre necessidade que essa família esteja presente em todos os momentos. A presença dela ajudará e muito na progressão, pois muitas vezes a família é o gancho que o profissional preciso para começar e poder terminar”, afirma Fátima Alves.

Aos professores de Jiu-Jitsu, faço um pedido para que cada um de vocês possam abrir portas em suas academias para essas pessoas, sejam crianças ou adultos do qual necessita de novas aprendizagens, pois o aprendizado será coletivo a todos da academia, e para uma vida toda. 

“Podemos dizer que todo conhecimento que vem pelo amor possui a excelência da perfeição. Acima de tudo, quem aprende e quem ensina precisa antes do amor. Na verdade, todo conhecimento possui também a culminância da distinção quando se designa ao amor. O amor é a sublimação do saber.” (Cunha, extraída do livro “Afetividade na prática pedagógica”). 

Referências:

  • CUNHA, Eugênio. Autismo e Inclusão, psicopedagogia e praticas educativas na escola e na família, 7 ed.- Rio de Janeiro: Wak Ed., 2017, 140p.: 21cm
  • SILVA, Camila Vicente. Iniciou o atendimento na educação especial no ano de 2015 como Diretora da APAE, hoje atua como professora na cidade de Cosmópolis SP. Especialista em Autismo com método TEACCH e ABA e adaptações curriculares. Instagram: @milavsf12 
  • Imagens autorizadas pelas mães: Kátia Valeria de Souza dos Santos mãe do Lucas Theodoro de Lima (Autista). Ana Luiza Marche mãe da Gabriela Marche (Autista).

Quem sou eu? Mônica de Paula Silva, também conhecida como Monica Lambiasi, é graduada em Pedagogia desde 2004. Concursada pela Prefeitura de Embu Guaçu – SP, atua há 13 anos como psicopedagoga clínica, área na qual é pós-graduada desde 2006. Em 2008 concluiu pós-graduação em Didática Superior, e em 2009 concluiu pós-graduação em Educação Especial e Educação Inclusiva. Já em 2017 concluiu pós-graduação em neuropsicopedagoga, e atualmente estuda psicanálise e neurociência. Também é escritora.

Contatos: WhatsApp (11) 99763-1603 / Instagram @lambiazi03

* Por Mônica de Paula Silva

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